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PSDB expulsa vereador Bruno Moura e vai pedir seu mandato 

Caso ele não reverta a situação, o lugar será ocupado pelo primeiro suplente, médico Cesar Gelsi

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O diretório estadual do PSDB decidiu expulsar o vereador Bruno Moura do partido. A expulsão foi formalizada em reunião do diretório estadual na manhã desta segunda-feira (15). A informação é do presidente do diretório municipal, secretário municipal da Habitação, Manoel Gonçalves, que recebeu a comunicação logo após a sua conclusão. O vereador pode entrar com um recurso no diretório nacional. Ele ainda não se posicionou.

 Moura era alvo de uma investigação pelo Conselho de Ética do PSDB, que havia decidido pela sua expulsão. Bruno referendou pesadas críticas ao ex-governador João Dória feitas pelo vereador Cabo Júlio (PSD), durante uma sessão da Câmara de Rio Preto. 

Após o pedido de expulsão ao Conselho de Ética, feito pelo presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari (PDB de Votuporanga), Moura continuou a criticar o partido e a direção pelo que chamou de falta de transparência.

A decisão só podia ser referendada ou não pelo diretório estadual, mas era esperada. Além da expulsão, o partido informou que vai pedir o mandato do vereador na Justiça. Caso ele seja destituído, quem ocupa o seu lugar é o primeiro suplente, o médico Cesar Gelsi. Além da possibilidade de recorrer ao diretório nacional, Manoel Gonçalves disse que a questão deve terminar na Justiça.

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 Nesta terça-feira (16) o vereador ainda participa da sessão. Manoel Gonçalves diz que o vereador deve entrar apelando para o Poder Judiciário. Procurado, ele ainda não se manifestou oficialmente.

Leia, na íntegra, a carta aberta de Bruno Moura:

“Quando resolvi entrar para a política, foi para atender um pedido, de pais, alunos, colaboradores e amigos, todos envolvidos, de certa forma, com o projeto Maquininha do Futuro. Inclusive, a criação do projeto foi, também, para atender alguns pedidos e solucionar demandas do bairro onde cresci e vivo até hoje. Sou movido a desafios, e assim como o Maquininha, topei entrar para a política para fazer diferente, pois eu sei o que é sofrer com o descaso de políticos antigos e da velha política. Entendo o que é ser alimentado durante o ano de eleição e morrer de fome o restante dos anos. Fui alertado – não poucas vezes – de que a política é um covil, e que meu convívio ali seria difícil, por conta da minha personalidade e meu senso de justiça. Sinceramente, eu já esperava que isso aconteceria, só não esperava que fosse tão cedo, e que esse ataque viria de tão perto. Uma coisa que eu levo comigo, e isso é inegociável para mim, é não me vender por poder ou dinheiro. Entrei na política para ajudar pessoas, não para ficar rico, fazer negócios ou ter poder. Não é isso que almejo! Portanto, a política me fez entender que eu preciso me manter fiel ao que acredito, fiel ao que me fez ser o homem e pai que sou, fiel para com as necessidades do povo e, especialmente, fiel ao que me trouxe até aqui. Isso tudo para que se um dia eu não estiver mais na política, eu seja lembrado por ter um mandato coerente e justo, com a minha cara e não com a cara dos outros. Desde o início do meu mandato (em janeiro de 2021) na Câmara dos Vereadores de Rio Preto, eu tomei uma posição e essa posição não agradou a alta cúpula do partido, na qual eu pertencia até hoje, o PSDB. Óbvio! Não era de se esperar nada diferente. Eu fui avisado. Sempre discordei e não compactuei com as posições do ex-governador de São Paulo, João Doria. Mas, entretanto, João Dória não foi o único no qual discordei durante estes 2 anos de mandato. Tive discussões com políticos de outros partidos, e, também, com companheiro de partido. O que, a meu ver, é comum dentro do estado democrático de direito, especialmente, dentro do parlamento. A beleza da democracia está justamente na pluralidade de ideias e o parlamento é o lugar em que o representante do povo expõe seus pensamentos e luta e defende aquilo que acredita, afinal de contas, é exatamente para isso que legisladores são eleitos. Infelizmente, logo no início do mandato eu percebi que não teria vida fácil. Logo em maio de 2021, após “não defender João Dória em plenário”, fui informado, através de um veículo de notícias da cidade, que eu estava sendo suspenso do mandato por isso. A Câmara nunca foi informada sobre tal suspensão, tampouco eu e minha equipe. A situação ficou ainda pior quando quando disse que não assinava em baixo tudo o que o Governador fazia, e votei a favor de uma moção de aplausos à um pároco da cidade, em que, na ocasião, este fazia um discurso que mencionava João Dória, e, em razão disso, o Deputado Estadual e Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari, provavelmente a mando de seus superiores, abriu uma representação contra mim, pedindo a minha expulsão do PSDB e a cadeira na qual fui DEMOCRATICAMENTE eleito a ocupar.

Percebe-se que existe uma preocupação do partido, especialmente dos caciques, em ter pessoas que são cumplices de suas vontades e políticas. Desde o primeiro instante, não pude assumir minhas posições e defender o que eu acredito, pois não era condizente com o que o partido pretendia – acredito, ainda que de forma tendenciosa, ter um cabresto sobre políticos menores. O processo administrativo que definiu a minha suspensão, e, hoje, a minha expulsão, foi totalmente obscuro e preocupante. Não houve respeito pelo devido processo legal, nem pelo estado democrático de direito e a constituição, muito menos pelo Código do Ética do PSDB e Regimento do partido. O que me leva a crer que nós estamos sob um regime ditatorial dos “donos do PSDB”, em que se não for feito a vontade de cada um deles, haverá suspensão, haverá atropelo de direitos, haverá tudo o que for possível para que o partido seja cada vez mais dependente de um determinado número de homens. Me causa estranheza essa postura. Assim, ditadura ruim é sempre a dos outros, não é? Por fim, hoje recebi através de notícias nos jornais – e não por meios legais – a decisão da minha expulsão do partido. Um processo disciplinar que começou obscuro e se encerra hoje de forma mais obscura ainda. Saio com a cabeça erguida, consciente e confiante de que eu defendi o que eu e todos os 3.482 rio-pretenses que votaram em mim acreditam: UMA NOVA POLÍTICA. Minha expulsão é fruto de politicagem e arbitrariedade, com um toque de autoritarismo. Eu continuo minha jornada, como representante do povo, missão a qual me foi dignamente e DEMOCRATICAMENTE entregue, sem mentiras e sem atropelar direitos de qualquer pessoa que seja. Fica a aqui a minha indignação para com os responsáveis pelo Partido da SOCIAL-DEMOCRACIA, em especial ao Carlão Pignatari, que NUNCA se propôs a conversar comigo, mesmo eu forçando o diálogo presencialmente. Ademais, o questionamento que deixo é: qual o conceito de ética do partido? – Me expulsaram por ter uma opinião diferente, mas não abrem qualquer tipo de procedimento disciplinar contra quem está diretamente envolvido em escândalos políticos e fazendo acordos na justiça para não ter os direitos políticos cassados. – Querem a cadeira de quem está se posicionando contra o que eles querem, mas não querem a cadeira de quem é envolvido por negociar com condenado por desviar R$ 500 milhões de recursos da saúde. Hoje nada mais me assusta na política! Vale tudo para que a suas ditaduras permaneçam e seus poderes sejam vitalícios, vale tudo mesmo! Inclusive desrespeitar as normas básicas do direito, da democracia e da constituição. Por não mais me assustar, eu sigo fazendo a minha política. A nova política! Não vou ser capacho de ninguém, e nem me submeter a condições indignas e infiéis aos meus princípios só para que os chefões da antiga política possam continuar mandando ou desmandando, e decidindo quem é que assume as cadeiras do parlamento. Estou aqui pelo povo e vou continuar até o fim!”

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