Saúde
A evolução do tratamento da doença venosa
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel
A presença de varizes nos membros inferiores representa uma importante causa de constrangimento estético, especialmente no público feminino. Ainda hoje, muitas mulheres se privam do uso de saias, shorts e biquinis devido à preocupação com a aparência de suas pernas. Em diversos casos, o temor estético está associado com baixa autoestima e piora na qualidade de vida. Uma mulher que se cuida, portanto, deve estar atenta à beleza das suas pernas.
As varizes caracterizam-se por veias que sofreram um processo degenerativo e perderam a capacidade de efetuar o retorno venoso do sangue em direção ao coração. Uma veia varicosa, ao longo do tempo, torna-se tortuosa, dilatada e insuficiente, aumentando a sensação de peso, cansaço, dor e inchaço nas pernas.
O surgimento de varizes é algo inerente ao sexo feminino, apesar de que os homens também podem desenvolvê-las. O histórico familiar, o uso de medicações contraceptivas, o período gestacional e puerperal, o sobrepeso e a obesidade e a falta de acompanhamento médico constituem os principais fatores de risco para o desenvolvimento das varizes. Além disso, o tipo de trabalho realizado, especialmente quando é necessário ficar muito tempo em pé contribui para a degeneração da parede venosa, resultando em varizes.
Com o desenvolvimento científico e tecnológico, atualmente, existem diversas opções de tratamento para as varizes dos membros inferiores, o que permite até mesmo a associação de técnicas em prol do paciente. Os tratamentos minimamente invasivos, que não exigem repouso e anestesia estão ganhando a preferência da nossa população, entretanto, o planejamento terapêutico é fundamental. Não existe um único tratamento, mas sim um plano de tratamento individualizado de acordo com as características do paciente, o que envolve a análise da cor da pele e do tipo de vaso a ser tratado.
No caso das telangiectasias, popularmente conhecidas como “vasinhos, o laser transdérmico constitui um tratamento moderno e eficaz, que é realizado no próprio consultório médico, sem repouso e sem anestesia. O uso do laser transdérmico é acompanhado por outras tecnologias, como os equipamentos de realidade aumentada, que permitem a identificação e a melhor visualização das microvarizes responsáveis pela manutenção dos “vasinhos”. Além disso, o laser transdérmico pode ser associado a escleroterapia, o que potencializa o efeito térmico do Laser.
Uma única sessão de laser não é suficiente, na maior parte das vezes, para eliminar todos os “vasinhos”. Portanto, o planejamento das sessões e a combinação de tratamentos são essenciais para o resultado final. Além disso, após cada sessão, é permitido ir a academia, dirigir e passear com a família.
Se a doença venosa for avançada, com acometimento da veia safena, os tratamentos termoablativos reduzem o tempo de recuperação, permitem a deambulação imediata e não afastam o paciente do trabalho ou do convívio familiar. A termoablação por endolaser ou por radiofrequência representam tratamentos minimamente invasivos, modernos, guiados por ultrassom, que não exigem incisões cirúrgicas. Tudo é realizado por dentro da veia doente, o que reduz a dor, o hematoma e o risco de complicações.
Para os casos de insuficiência da veia safena, a recomendação atual do Consenso Americano e Europeu é dar preferência aos tratamentos termoablativos em substituição à cirurgia convencional, evitando os riscos de um procedimento cirúrgico invasivo e preservando a eficácia dos tratamentos minimamente invasivos guiados por ultrassom.
A tendência futura é que o tratamento das varizes e da insuficiência da veia safena seja completamente realizada no consultório médico. Entretanto, esta projeção exige avaliação médica minuciosa e individualização do tratamento. Além disso, o tratamento combinado envolvendo várias técnicas cada vez mais irá substituir opções isoladas de tratamento.
Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel. Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago).
