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Justiça condena a 83 anos de prisão ex-pm que matou travestis

Homofóbico, violento e frio, disse o promotor do caso sobre o réu

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Foi condenado a 83 anos de prisão o ex-policial militar Benedito de Jesus Carvalho pelo assassinato de duas travestis e tentativa de homicídio de outras duas. O júri popular aconteceu nesta quinta-feira, no Fórum de Rio Preto.

O conselho de sentença, composto por sete pessoas da sociedade civil, aceitou na integralidade os termos da denúncia, feita pelo Promotor José Márcio Rossetto Leite. Para cada morte, o representante do Ministério Público identificou qualificadoras como meio cruel, motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

Os crimes que chocaram a cidade foram praticados em sequência, em um intervalo de apenas uma hora, em agosto de 2012.

Para Rossetto, trata-se de crime de ódio. “Não ficou caracterizada uma motivação, como um desentendimento ou um acerto de contas que pudesse ser alegado. Fiquei convencido de que o réu, que registra uma extensa ficha criminal, é um homem homofóbico, violento e frio”, disse.

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Benedito foi representado pelo escritório Furlaneto & Carretero. Os advogados já recorreram da sentença.

“Vamos pedir a realização de um novo julgamento porque a decisão dos jurados foi contrária às provas nos autos. Nós entendemos que os delitos deveriam ser considerados crime continuado e não autônomos, o que resultou na somatória das penas”, disse Diego Carretero.

Disposto a matar, Dito, como era conhecido, se armou com um revólver calibre 38 e seguiu para a avenida Cenobelino de Barros Serra, conhecido ponto de prostituição em Rio Preto.

A primeira baleada foi a travesti Eduarda. Ela foi abordada por volta das 23h30 na avenida Cenobelino de Barros Serra e convidada para um programa. Em uma estrada de terra, foi morta com dois tiros enquanto estava ajoelhada.

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Após o primeiro assassinato, Dito seguiu para a Rua São João, a um quarteirão da avenida Cenobelino, e chamou a travesti Isabeli para outro programa. A vítima foi morta no mesmo local, com um tiro nas costas. Próxima dela estava Juli, que entrou na mira do criminoso, mas se protegeu e acabou sendo baleada na mão e no ombro. A sobrevivente contou à polícia que Isabeli agonizou até a morte.

Dito seguiu para o centro da cidade e, na rua General Glicério, atirou contra Renata, que também escapou com vida.

Garotas de programa disseram em depoimento que no trajeto do bairro Parque Industrial para a região central, o assassino sorriu para elas e mandou beijos, tamanha frieza.

O homem foi preso dias depois e a arma utilizada no crime foi encontrada na casa dele, no bairro Vila Maceno.

Durante a fase de investigação, a Polícia Civil indiciou uma travesti como mandante do crime.

Ela teria contratado Benedito para matar as vítimas, que teriam se recusado a pagar o “aluguel” do ponto de prostituição.

Porém, o promotor não ficou convencido das provas apresentadas e pediu a impronúncia da suspeita.

“Não quer dizer que ela foi inocentada. Quer dizer que as provas contra ela eram frágeis e não sustentariam uma condenação. Caso surjam novos elementos, ela poderá ir a júri popular”, concluiu o promotor.

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