Cidades
Adolescente morre após ser agredida pelo companheiro
Vítima bateu a cabeça na parede após ser empurrada; agressor foi preso em flagrante e responderá na Justiça por feminicídio
Na quarta-feira, dia 8, data que é comemorada o Dia Internacional das Mulheres, muitas mulheres receberam flores, presentes e felicitações de seus companheiros, familiares e amigos. Mas em uma casa da rua Abrão Miguel Maragel, no bairro Santo Antônio, a adolescente Evelyn Janaina Cornélio de Oliveira, 17 anos, recebia apenas mais um hematoma entre vários que surgiriam pelo seu corpo nas horas seguintes, todos decorrentes das agressões que partiam de seu companheiro, de 21 anos.
Na tarde de quinta-feira, dia 9, a garota foi encontrada morta e as únicas flores que a adolescente receberá nesta semana, estarão nas coroas que serão depositadas ao lado de seu caixão durante o velório.
O corpo de Evelyn foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e exames necroscópicos ainda apontarão o que realmente causou sua morte. Em seu depoimento, o eletricista J.E.P.J, 21 anos, disse ter agredido a vítima com o cabo do rodo, golpeando-a nas pernas e costas. Também teria desferido socos na boca e abdômen da adolescente. Ainda, segundo o depoimento do jovem, na manhã de quinta, ele empurrou a garota com violência contra a parede, fazendo com que ela batesse a cabeça com força.
Por volta das 11 horas, o eletricista saiu para trabalhar e ficou ausente até às 16h30. Quando retornou para casa encontrou Evelyn já sem vida. Ele mesmo ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar.
De acordo com a delegada Margarete Franco, responsável pelo caso, o jovem afirmou que a adolescente ainda estava viva quando saiu de casa. “Após a última briga, a garota se queixou de uma certa tontura e mal-estar para ele. Segundo o jovem, ele pretendia chamar o Samu, a fim de prestar atendimento médico, mas ela teria dito que estava bem e se recusou”, conta a delegada.
Entre idas e vindas, o casal teve um relacionamento amoroso de aproximadamente quatro anos. A adolescente, segundo a versão dada pelo rapaz, tinha um convívio complicado com a mãe e resolveu sair de sua casa para morar com ele. Mas, nas últimas semanas, estaria tentando romper o relacionamento e a garota, segundo ele, não aceitava deixar a casa. “Ele nos disse que estava querendo se separar da adolescente, mas ela não aceitava. E isso estava provocando um grande desgaste, seguidos de discussões”, afirma Margarete.
O crime foi qualificado como feminicídio, crime praticado contra pessoa do sexo feminino com emprego de violência doméstica ou familiar. A pena para esse tipo de crime varia de 12 a 30 anos.
“É muito triste um caso desse, bem na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, e a luta das mulheres pelos seus direitos. Às vezes, em decorrência da dependência emocional ou dependência econômica, as denúncias [de agressão] nem são feitas. Sabemos que é uma coisa muito difícil, mas sempre alertamos para que as vítimas não se omitam e comuniquem os fatos, as agressões”, alerta.
Para delegada, se a adolescente Evelyn tivesse procurado ajuda na noite de quarta-feira, o final da história seria diferente. “Neste caso, a adolescente foi agredida, mas continuou neste relacionamento. Preferiu não procurar ajuda e nem familiares. Ela voltou a ser agredida e terminou dessa maneira trágica. Se ela tivesse colocado um ponto final neste relacionamento ou procurado ajuda, ela estaria machucada, mas viva”. O jovem ficará detido na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e será transferido para uma cadeia da região, onde vai aguardar o julgamento.
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