A Polícia Civil encontrou, nesta segunda-feira (3/8), os braços e as mãos da mulher assassinada e esquartejada, cujas partes do corpo foram abandonadas em lixeiras no bairro Parque Estoril. A localização ocorreu após declarações de Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, preso temporariamente e confesso pelo crime.
De acordo com a 3º Delegacia de Homicídios (DH) da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) do Deinter-5, durante o novo depoimento informal, o investigado indicou o local exato onde havia descartado os membros superiores da vítima. Os policiais realizaram diligências em um bueiro localizado no bairro Estoril e localizaram os braços e as mãos, que foram recolhidos e encaminhados para perícia.
A expectativa da Polícia Civil é que os novos exames permitam a identificação oficial da vítima, que até o momento permanece sem reconhecimento por familiares.
Ainda conforme a DH, Marciel reafirmou ter matado a mulher. Em seu relato, alegou que os dois discutiram e entraram em luta corporal, momento em que a vítima teria batido a cabeça e morrido. Segundo sua versão, ele decidiu esquartejar o corpo para facilitar a ocultação do cadáver. A polícia informou ainda que outras informações relevantes foram obtidas durante o interrogatório e irão subsidiar as próximas etapas da investigação.
As investigações também revelaram que Marciel, açougueiro e auxiliar de cozinha, já havia sido investigado por violência doméstica. Em março deste ano, a ex-companheira registrou boletim de ocorrência denunciando agressões físicas e conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra ele.
A Gazeta de Rio Preto gravou uma entrevista exclusiva com o delegado André Amorim, da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, responsável pelas investigações. Assista aqui.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher, de 38 anos, relatou ter sido mordida, além de sofrer socos e chutes durante uma discussão motivada pelo fato de o investigado não querer que ela trabalhasse. Os dois mantiveram um relacionamento por cerca de três anos e têm uma filha.
Entre as medidas impostas judicialmente, Marciel deveria participar obrigatoriamente de acompanhamento psicossocial. No entanto, em abril, o Ministério Público ofereceu denúncia por descumprimento da determinação, apontando que ele deixou de comparecer ao acompanhamento e também não atendeu à intimação para justificar a ausência na delegacia. Apesar da investigação, ele respondia ao processo em liberdade.
Prisão e confissão
Marciel foi preso temporariamente na noite da última sexta-feira (31/7), depois que imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele transportava sacos plásticos contendo partes do corpo da vítima até lixeiras próximas a uma marmitaria, no Parque Estoril.
Durante o cumprimento do mandado de busca, policiais encontraram na residência do investigado uma manta com vestígios de sangue e perfurações compatíveis com golpes de faca, além de produtos de limpeza que, segundo a Polícia Civil, podem ter sido utilizados para eliminar vestígios do crime. Todo o material foi apreendido para perícia. A faca usada no homicídio ainda não foi localizada.
A perícia também constatou grande quantidade de sangue oculto no imóvel. Conforme o delegado André Amorim, os indícios apontam que o suspeito tentou apagar as evidências, lavando os cômodos e até pintando as paredes da cozinha.
Segundo a investigação, a vítima foi morta sobre a cama e teve o corpo esquartejado na cozinha da residência.
No primeiro depoimento, Marciel confessou ter cometido o crime sozinho. Ele afirmou que conheceu a vítima poucos dias antes, em uma praça, e a convidou para ir até sua casa. O homicídio teria ocorrido no dia 25 de julho. Depois, fez diversas viagens entre o imóvel e as lixeiras para ocultar as partes do corpo, encontradas dois dias depois por um funcionário da marmitaria.
Após abandonar parte do corpo da vítima, Marciel foi até um serv-festas, onde tomou uma cerveja como se nada tivesse acontecido.

(Polícia Civil/ Divulgação)
Investigação
O exame necroscópico apontou que a vítima sofreu diversas perfurações no tórax antes de ser esquartejada. Parte dos órgãos também foi encontrada junto aos restos mortais, mas a Polícia Civil ainda aguarda os laudos para confirmar quais estruturas foram retiradas e em quais circunstâncias.
Até o momento, a identidade da mulher não foi oficialmente confirmada e ela ainda não foi reconhecida por familiares. Conforme o depoimento informal do investigado, a vítima seria uma mulher em situação de rua. A perícia estima que ela tenha aproximadamente 35 anos.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio e ocultação de cadáver. No entanto, o delegado André Amorim informou que solicitará a alteração da tipificação para feminicídio e ocultação de cadáver.
Marciel permanecerá preso por 30 dias na carceragem da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), período correspondente à prisão temporária enquanto o inquérito é concluído. Entre os procedimentos pendentes estão a formalização do interrogatório do investigado e a conclusão dos laudos periciais, que deverão esclarecer se houve violência sexual ou relação sexual consensual antes do crime.
Até a publicação desta reportagem, o suspeito não havia constituído advogado de defesa.
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.