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Colapso nervoso pode afetar o coração

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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As leis da física demonstram que a tração excessiva de um fio resulta na rotura do mesmo. A força excessiva aplicada a um objeto tende a causar deformação ou até seu estilhaçamento. Transportando este conceito para o coração humano, denota-se que cargas excessivas de estresse podem comprometer a estrutura das artérias coronárias e do miocárdio.

Em tese, seria algo praticamente inimaginável que as artérias coronárias ou o miocárdio rompessem ou estilhaçassem em sentido literal. No entanto, pessoas que sofrem as consequências de um colapso nervoso estão sujeitas a risco cardiovascular aumentado. Um colapso nervoso consiste em estado emocional e físico de pleno esgotamento. É o patamar máximo do acúmulo de cargas intensas e recorrentes de estresse.

Nos dias atuais, não faltam motivos ou gatilhos para o estresse – trânsito caótico, violência urbana, crises políticas e econômicas, entre outros. Além de todos estes fatores externos, existem aqueles que são intrínsecos a humanidade como doenças em geral e a morte de um ente querido.

Um colapso nervoso atinge qualquer ser humano, sem preferência por idade e sexo. Todos estão sujeitos a este conjunto de fatores de estresse e que certamente culminam com esgotamento físico e emocional. O impacto de um colapso nervoso na saúde cardiovascular traduz-se pela ocorrência de infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, hipertensão arterial e derrame cerebral.

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O estado de esgotamento pleno implica em aumento máximo da tensão na parede das artérias coronárias, podendo causar formação de coágulos, áreas de entupimento e como consequência um infarto do miocárdio.

As artérias carótidas, que comunicam a circulação cardíaca com a circulação cerebral, podem ser acometidas em termos estruturais, quando submetidas a estado de tensão extrema, como naquelas pessoas com um colapso nervoso.

Para abordagem médica de um colapso nervoso, o enfoque deveria ser multidisciplinar, com participação prioritária de um cardiologista e de um psiquiatra. Além disso, em condições ideais, os sintomas de um colapso nervoso deveriam ser contidos e atenuados o mais precoce possível, tendo em vista que existe risco de morte devido a magnitude do comprometimento cardíaco tal como pela possibilidade real de suicídio.

O papel do cardiologista consiste em orientar acerca dos riscos e complicações, solicitar exames de caráter preventivo, instituir tratamento medicamentoso e estabelecer periodicidade curta para consultas de retorno. Paralelamente, o psiquiatra deveria instituir tratamento medicamentoso mais direcionado a prevenção de suicídio e também acompanhar, com muita proximidade, a evolução do indivíduo do ponto de vista emocional e comportamental.  

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Dr. Edmo Atique Gabriel

Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago. 

 

 

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