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Com respaldo da família, suspeito de feminicídio vai a júri nesta quarta-feira

Para a Polícia Civil, Rosana Ribeiro de Araújo foi morta ao decidir sair de casa, após um relacionamento de 27 anos com Ilson Brasílio, que tinha duas famílias. O corpo dela foi encontrado abandonado em uma estrada, a 200 km de Rio Preto

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Um dos casos mais intrigantes de feminicídio, registrado em Rio Preto, terá um desfecho nesta quarta-feira, 14, a partir das 13h30, no Fórum central. 

Quem senta no banco dos réus é o autônomo Ilson Brasílio, de 63 anos, apontado pela Polícia Civil como assassino da então companheira Rosana Ribeiro de Araújo, 15 anos mais jovem que o suspeito, com quem manteve um relacionamento estável por 27 anos e teve dois filhos. 

Ela desapareceu de casa, no bairro Boa Vista, no segundo dia de dezembro do ano de 2018. Dois dias depois, o corpo da mulher foi encontrado às margens de uma estrada em Itapura, a 240 km de Rio Preto. 

Valdenice Araújo, irmã de Rosana, foi a última a falar com ela por telefone. 

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A testemunha contou que a vítima estava determinada a se separar de Brasílio e, naquele dia, se mudaria para José Bonifácio, onde mora toda a família. 

Rosana encaixotava os pertences quando interrompeu bruscamente a ligação com Valdenice. A familiar relata que ouviu ao fundo a voz de Brasílio. “Depois eu te ligo”, finalizou Rosana, sem dar explicações à irmã. 

Para a Polícia Civil, Ilson asfixiou a companheira, inconformado com a separação. 

Com dois, dos sete filhos que tem, e ajuda de parentes, ele realizou buscas em vários endereços e não localizou a companheira. No dia seguinte, registrou boletim de ocorrência de desaparecimento. 

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O que o colocou na mira da polícia. 

Investigação realizada pelo delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior, da DIG, identificou inconsistências no depoimento do homem. 

Consta no processo que, concomitantemente à vitima, Ilson tinha outra mulher, de um relacionamento que já durava 35 anos, com quem teve 4 filhos. 

O homem revezava entre as duas casas, localizadas no mesmo bairro, com o consentimento de ambas as companheiras. 

Foi na casa da primeira mulher que a Polícia Civil encontrou o celular e documentos pessoais de Rosana. Objetos que, no entendimento do delegado, deveriam estar com a vítima, já que Brasílio alegava acreditar que a segunda mulher, por depressão, teria fugido de casa. 

Logo após o sumiço de Rosana, a DIG recebeu um telefonema anônimo que informou ter ouvido, naquele dia 2, três gritos de socorro da vítima, sendo o último “abafado”, como se a mulher tivesse a boca tapada. Em seguida, viu o suspeito estacionando o carro de ré na residência. 

Embora tenha lavado o veículo logo após o desaparecimento de Rosana, peritos do Instituto de Criminalística identificaram, através de luminol, que havia manchas de sangue no porta-mala. 

Preso temporariamente na DIG, Ilson confessou o crime na presença de uma advogada. Mas em juízo mudou a versão, dizendo que foi espancado por policiais e convencido pela então defensora a assumir o assassinato com a promessa de que seria solto para recorrer em liberdade, o que não aconteceu. 

No decorrer da investigação, outras provas contundentes foram surgindo, entre elas, a de que o Corsa Sedan do suspeito foi flagrado por radares inteligentes no trajeto onde o corpo de Rosana foi encontrado. 

Ilson justifica que procurava pela companheira em cidades onde Rosana tinha familiares e amigos. 

Outro detalhe que torna a história ainda mais inusitada é que após a morte da mãe, os dois filhos de Rosana foram morar com a madrasta, que é madrinha de um deles. 

Em audiência, ambos disseram acreditar na inocência do pai e definiram a família como perfeita, digna de “comercial de margarina”, contradizendo a versão dos irmãos de Rosana sobre o relacionamento abusivo que a mulher vivia, com agressões e restrições de visitas. Afirmaram ainda que a mãe se mudaria para uma casa na mesma rua, que era maior, e não para José Bonifácio. 

Há oito anos Rosana morava sozinha com os dois filhos e teria trocado a fechadura da casa diversas vezes, no entanto, Brasílio conseguia a cópia com os filhos e insistia em pernoitar no imóvel. 

Em audiência, ele diz ter dormido com a mulher na véspera do desaparecimento dela. E nega que ela era “ex”. 

“Eu não matei a Rosana. Não vou assumir isso. Posso tirar trinta anos de cadeia, mas não vou assumir isso aí”, disse em juízo. 

É a outra companheira do investigado quem paga os advogados, com ajuda financeira da família. Ela o visita no Centro de Detenção Provisória, assim como um dos filhos de Rosana.

Dois filhos do primeiro relacionamento são testemunhas de defesa do investigado.

Passados 2 anos e 7 meses do crime, Valdenice ainda chora a saudade da irmã, com quem era mais apegada: 

“A gente se falava todos os dias. Quantas vezes eu a encorajei para sair dessa história. Registrar boletim de ocorrência contra o Ilson, que vivia batendo nela. Ela disse que tinha medo, que quando saísse de casa o denunciaria. Não deu tempo. A Rosana só queria ser feliz”, lamentou. 

Sobre o Júri Popular, Valdenice diz que assistirá e espera pena máxima para o homem, denunciado por ocultação de cadáver e homicídio triplamente qualificado (por motivo fútil, asfixia e feminicídio). 

A defesa de Brasílio, representada agora pelo escritório Furlaneto & Carretero, disse que o réu vai confessar o crime. 

“A nossa estratégia será afastar a qualificadora do feminicídio, a qual não concordamos. Somada à confissão, os dois fatores serão considerados para a diminuição da pena”, adiantou a advogada Priscila Furlaneto. 

O promotor responsável pela denúncia, José Márcio Rossetto Leite, diz que não comenta casos antes do julgamento. 

A reportagem procurou um dos filhos de Rosana, mas ele disse que não iria se pronunciar sobre o assunto. 

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