Política
Edinho diz que agora é tempo de ‘colher frutos’
Às vésperas de concluir o segundo ano de mandato, prefeito de Rio Preto faz balanço da gestão e promete entregar pacotão de obras no ano que vem
“Enfrentamos uma conjuntura muito difícil em 2017 e 2018. Muitos projetos em andamento, muitos deles com problemas. Tivemos que superar tudo isso”. É deste modo que o prefeito Edinho Araújo (MDB) classifica os dois primeiros anos do terceiro mandato dele à frente da Prefeitura de Rio Preto. Durante quase uma hora, Edinho recebeu em seu gabinete, no 8º andar da Prefeitura, a reportagem da Gazeta de Rio Preto, para um balanço de suas principais ações realizadas neste ano.
Diante de uma forte crise econômica, sem margem para investimentos e com despesas públicas cada vez mais crescentes, o prefeito afirma que a tônica de sua administração até agora foi a de “organizar a casa” para a partir do ano que vem começar a “colher os frutos”. “Assumimos a opção de concluir obras, honrar contratos herdados. Consertar o que estava errado. Isso demanda tempo e trabalho por parte de nossa equipe. Estamos agora caminhando para a fase de conclusões em 2019 e 2020”, diz.
O “organizar a casa” e “colher os frutos” que Edinho se refere estão ligados a projetos deixados pelo antecessor, o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), que na visão do atual prefeito apresentaram falhas na execução ou foram mal projetados inicialmente. Um destes exemplos é a construção do novo terminal urbano, a chamada Estação Central Parque, na Praça Cívica. A obra, a um custo de R$ 47 milhões, deveria ser concluída em 2016 já está mais de dois anos atrasada a um custo superior a R$ 57 milhões, aumento de R$ 10 milhões. Durante estes dois primeiros anos de governo Edinho, vários prazos foram anunciados para entrega da obra, que promete dar mais conforto aos usuários do transporte público e agilidade nas viagens dos ônibus urbanos. A última data, revelada com exclusividade pela Gazeta de Rio Preto, foi o dia 16 de dezembro.
Agora a projeção é para o primeiro semestre de 2019. O novo terminal, na região central, sempre recebeu duras críticas de Edinho, seja pela escolha do local, ou pelos erros técnicos observados pela atual administração.
“Não era o melhor local, mas temos que respeitar os contratos. Temos problemas na sua operação, no ir e vir dos ônibus. A questão estrutural do viaduto Abreu Sodré, na Andaló, estamos analisando. Depois que entrar em operação um grande número de ônibus vai passar por ali. É preciso ter segurança. Não foi visto isso no projeto. Os técnicos estão trabalhando”, diz Edinho. O prefeito lembra também da falta de estudos do subsolo da Praça Cívica. “Estava sendo construído em cima de uma rede de esgoto, de tubulações. Tivemos que corrigir e levou mais tempo. O acesso pelo viaduto da rua João Mesquita tivemos de fazer adaptações. São problemas de um projeto que não foi muito bem concebido”, dispara Edinho.
BR-153
Outro fruto que Edinho quer colher é o final da obra de duplicação da BR-153 – conhecida como “Rodovia da Morte” por conta dos registros de mortes e acidentes diários –, no trecho urbano que passa por Rio Preto. Emblemática, milionária e com vários atrasos, a obra prevê a construção de 14 viadutos, novas alças de acesso e, claro, o fim do problema crônico que persiste há décadas: os congestionamentos na rodovia que atrapalham o escoamento da produção e o dia a dia de motoristas. A duplicação da BR-153 está sendo realizada por um consórcio formado por três empresas.
No ano passado, o presidente Michel Temer (MDB), do mesmo partido de Edinho que afirma ser amigo pessoal, esteve em Rio Preto. Na ocasião afirmou que daria agilidade no avanço das obras e que a entregaria junto de Edinho no fim de seu mandato, justamente agora em dezembro de 2018. Fato é que a duplicação está 65% concluída. Foram gastos R$ 100 milhões em 2017, R$ 70 milhões neste ano e há a previsão de R$ 60 milhões no Orçamento Geral da União para 2019.
Questionado pela Gazeta se teme que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pode comprometer o ritmo e a liberação total dos recursos, Edinho se mostra confiante. “Não temo porque é uma obra muito especial. O presidente Temer esteve aqui e referendou a obra como prioridade dentro das obras nacionais. Outro aspecto é minha proximidade com o ministro dos Transportes que convivi quando era deputado e tive cargo Executivo em Brasília. Temos partidos que nos apoiam e apoiamos o presidente Bolsonaro no segundo turno das eleições”, afirma o prefeito.
Obras antienchentes
Eterno ponto de interrogação para os rio-pretenses, a eficiência das obras antienchentes sempre é colocada à prova quando uma chuva de maior intensidade cai em Rio Preto. Na madrugada de quarta-feira, dia 19, por exemplo, bastou algumas horas de chuva para vários pontos e avenidas da cidade sofrer com o acúmulo de água.
As obras que têm como objetivo acabar com as enchentes, em especial nas avenidas Alberto Andaló e Bady Bassitt – as principais da cidade –, foram projetadas no governo de Valdomiro Lopes e entregues no ano passado, no início do novo governo de Edinho.
Mesmo custando um total de R$ 175 milhões, existe ainda a dúvida se o projeto, que conta com piscinões de retenção de água e obras de microdrenagens em diversos bairros, é eficiente.
Edinho inclusive foi cobrado publicamente pelo antecessor, Valdomiro, para realizar a limpeza da calha do rio Preto e dos piscinões, que segundo o ex-prefeito seria fundamental para que as obras tivessem o resultado esperado. Edinho diz que toda obra pública precisa de aperfeiçoamento, mas não diz se o problema das enchentes será de fato solucionado. “Nós vamos realizar obras complementares. É preciso fazer a manutenção, a limpeza. São ações permanentes. Não é porque governo A ou governo B fez a obra. Nós entendemos que todas as obras são da cidade e por isso elas precisam ser mantidas e aperfeiçoadas”.
Buracos
Sempre nas primeiras posições do ranking de reclamações da população, os buracos em ruas e avenidas da cidade continuam a ser uma verdadeira pedra no sapato de qualquer prefeito de Rio Preto.
Durante os dois primeiros anos do governo de Edinho as reclamações são de que o atual governo prioriza o serviço de recape e tapa-buraco apenas na região central e nas grandes vias.
Edinho conseguiu financiamento de R$ 203 milhões, por meio da Caixa Econômica Federal, para as obras de infraestrutura. Deste montante, cerca de R$ 60 milhões serão para obras de recape em 2019. “Vamos atendendo todas as 10 regiões administrativas da cidade com os recursos de recape. Mas as prioridades, como não têm recursos para tudo, são as vias de maior tráfego, as artérias por onde passam os ônibus. Vias que interligam os bairros do centro. Um critério muito justo. Sempre que possível estaremos atendendo a periferia”, diz.
Anjos da Escola
Para tentar amenizar os impactos negativos da demissão de 498 Anjos da Guarda, em setembro do ano passado, Edinho anunciou neste ano a contração de 260 Anjos da Escola. Os profissionais deverão ser contratados no próximo ano e irão realizar a segurança de escolas e creches da rede municipal de ensino.
Depois da demissão dos Anjos da Guarda, alegando contenção de gastos, o ocorreram invasão em mais de 50 escolas, que foram vandalizadas, furtadas e depredadas. “Em 2017 tínhamos que acertar as finanças, colocar a conta em dia, deixá-la no azul. Agora, com as contas equilibradas contratamos os Anjos da Escola. À medida que você tem recursos vai melhorando os serviços públicos. O que ocorreu foi uma série de ataques de vândalos que destruíram o que é público. A ordem já foi reestabelecida”, ressalta.
Área Azul Digital
Sem a possibilidade de fracionamento no tempo de permanência e nos valores pagos, a Prefeitura lançou recentemente o aplicativo “Estacione Digital”, novo modelo de cobrança da Área Azul. O motorista pode agora comprar créditos pelo celular permitindo o estacionamento dos veículos nas vagas destinadas. O problema é que um mesmo veículo pode ficar o dia inteiro na mesma vaga caso o motorista compre o total de horas correspondente.
Edinho reconhece que o modelo precisa avançar. “O objetivo é facilitar. Quanto maior a rotatividade mais incremento, mais contribui para as vendas do comércio, movimentando a economia. Estamos aperfeiçoando o sistema. É uma fase de transição”, esclarece.
Reajuste da passagem
O consórcio Riopretrans que reúne as empresas Circular Santa Luzia e Expresso Itamaraty já encaminharam pedido de reajuste da tarifa em 6,8%. Pelo contrato o reajuste deve ser concedido todo dia 1º de janeiro. Hoje o valor da tarifa é de R$ 3,10. A Prefeitura paga parte do valor em forma de subsídios, o que permite o preço mais baixo ao usuário.
A chamada tarifa técnica custa hoje R$ 3,57. Só neste ano, a Prefeitura estimou um gasto de R$ 16 milhões com subsídio do transporte coletivo, de acordo com dados do Portal da Transparência.
Edinho diz que o martelo ainda não foi batido. “A solicitação está no setor administrativo, sendo analisado tecnicamente porque são os insumos consumidos durante o ano. Vamos analisar para que seja feita de forma que atenda a população e corresponda com a expectativa daqueles que operam o serviço. Queremos que seja um dos melhores serviços. Em 2019, 10% da frota deverá estar com ar-condicionado. O Wi-Fi já está praticamente implantado”, lembra o prefeito.
Canteiro de obras
Os frutos que Edinho tanto diz que quer colher pelos próximos dois anos, os últimos do terceiro mandato em Rio Preto, serão utilizados pelo prefeito para uma provável tentativa de reeleição nas eleições municipais de 2020.
Questionado pela Gazeta, assim como a maioria dos políticos com cargos executivos, Edinho nega que já esteja pensando em reeleição. “Estou determinado a fazer um bom governo. Este é o foco. Se você estiver no exercício do mandato, pensando em eleição, você pode ser traído e deixar de fazer o que é principal. Não tem eleição à vista. Tem governo, tocar obras e fazer de Rio Preto um canteiro de obras”.
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