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Ex-bispo de Catanduva vira réu por importunação sexual

Justiça aceitou denúncia do Ministério Público que acusa religioso de abusar de um padre entre 2019 e 2023

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Diocese de Leopoldina
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O ex-bispo de Catanduva, Valdir Mamede, passou à condição de réu por importunação sexual após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A decisão foi proferida na última terça-feira (30/6) e dá início à ação penal contra o religioso.

Segundo a acusação, os fatos teriam ocorrido entre 2019 e 2023, período em que Valdir Mamede comandava a Diocese de Catanduva. A vítima é um padre que atuava em uma paróquia de Ibirá, subordinada à estrutura da diocese. O boletim de ocorrência foi registrado em 22 de março de 2024.

De acordo com o Ministério Público, o ex-bispo teria utilizado sua posição de autoridade religiosa para constranger o sacerdote e praticar atos de natureza sexual sem consentimento. A denúncia aponta que a suposta vítima vivia sob pressão psicológica, temendo punições canônicas, como a remoção da paróquia ou o impedimento de exercer o ministério sacerdotal.

Entre os episódios descritos na denúncia estão pedidos para que o padre depilasse o corpo do então bispo, sob o pretexto de ajudá-lo, situação que, segundo a Promotoria, era utilizada para a prática de assédio. O documento também relata chamadas de vídeo em que o religioso apareceria nu e praticaria atos libidinosos diante da câmera.

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Outro fato narrado pelo MP ocorreu na residência do padre. Conforme a denúncia, o ex-bispo teria chegado ao local aparentando estar alcoolizado, foi autorizado a entrar e, já no interior da casa, tirou a roupa, deitou-se na cama e praticou ato libidinoso. Após esse episódio, a vítima recolheu material biológico deixado em um lençol e o encaminhou para perícia. O laudo citado pelo Ministério Público concluiu que o material era proveniente de um indivíduo do sexo masculino.

Para o promotor responsável pelo caso, os elementos reunidos durante a investigação indicam que os episódios ocorreram de forma continuada e que o denunciado teria se aproveitado da relação hierárquica para manter a vítima em situação de vulnerabilidade psicológica.

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que Valdir Mamede seja condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais. Segundo a Promotoria, em razão dos impactos psicológicos sofridos, o padre permanece afastado das atividades religiosas por licença médica.

Valdir Mamede renunciou ao cargo de bispo de Catanduva em novembro de 2023, sem divulgar os motivos da decisão.

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A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva, que determinou a tramitação do processo em segredo de Justiça. A próxima etapa será a fase de instrução, quando deverão ser ouvidos vítima, testemunhas e o acusado. Ao final, caberá ao Judiciário decidir pela condenação ou absolvição do ex-bispo.

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