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Fim da escala 6×1 deve aumentar produtividade, diz Boulos

Ministro Guilherme Boulos diz que proposta prevê transição e proteção a pequenas empresas

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Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21/1) que o fim da escala de trabalho seis por um (6×1) no Brasil tende a resultar em aumento da produtividade da economia. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, na qual ele defendeu a redução da jornada semanal sem corte salarial e destacou experiências já adotadas por empresas e países.

Segundo o ministro, dados de um levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 2024, com 19 empresas que reduziram a carga horária de trabalho, apontaram resultados positivos. De acordo com o estudo, 72% dessas empresas registraram crescimento de receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos, mesmo sem mudanças na legislação trabalhista.

Boulos argumentou que jornadas extensas comprometem o desempenho dos trabalhadores. Ele destacou que, no modelo 6×1, o único dia de descanso muitas vezes é absorvido por tarefas domésticas e de cuidado, especialmente entre as mulheres. Para o ministro, trabalhadores mais descansados apresentam melhor rendimento e qualidade no trabalho, o que se reflete diretamente nos resultados das empresas.

O ministro também citou exemplos internacionais. No Japão, a Microsoft adotou uma escala de quatro dias de trabalho por três de descanso, o que teria resultado em aumento de 40% na produtividade individual. Já na Islândia, a redução da jornada para 35 horas semanais, em regime 4×3, foi associada a crescimento econômico de 5% em 2023 e a um avanço de 1,5% na produtividade. Nos Estados Unidos, segundo Boulos, houve redução média de 35 minutos na jornada diária nos últimos três anos, impulsionada pela dinâmica do mercado, com impacto positivo de cerca de 2% na produtividade.

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Ao comentar críticas de setores contrários à proposta, que apontam a baixa produtividade da economia brasileira como obstáculo à redução da jornada, o ministro questionou a falta de investimento em qualificação profissional. Para ele, parte do problema não está no trabalhador, mas na iniciativa privada, que investe pouco em inovação, tecnologia e pesquisa, áreas hoje majoritariamente financiadas pelo setor público.

A proposta em discussão no governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salários, com limite de cinco dias de trabalho por semana e dois de descanso. Segundo Boulos, o modelo deve incluir um período de transição e mecanismos de compensação voltados principalmente às micro e pequenas empresas. O ministro afirmou ainda que há avanço no diálogo com o Congresso Nacional para que o tema seja analisado ainda neste semestre.

No Congresso, a discussão ganhou força com o protocolo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, apresentada em fevereiro do ano passado, que propõe o fim da escala 6×1 e estabelece jornada máxima de 36 horas semanais distribuídas em quatro dias. Outras propostas semelhantes também tramitam no Legislativo.

Boulos reconheceu a resistência de setores empresariais, que alegam aumento de custos operacionais, mas avaliou que há exagero nessas projeções, sobretudo quando se desconsidera o impacto dos juros elevados. O ministro criticou a atual taxa básica de juros, a Selic, fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), afirmando que ela pressiona o setor produtivo e dificulta o acesso ao crédito, especialmente para pequenos negócios.

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Segundo ele, a redução dos juros é fundamental para estimular investimentos, ampliar capital de giro e aliviar tanto trabalhadores quanto empresários. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 27 e 28 de janeiro. Em comunicado recente, o Banco Central indicou cautela diante do cenário econômico e sinalizou a manutenção da Selic em patamar elevado por um período prolongado.

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