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Jogador de futebol da região relata momentos de pânico na Ucrânia

Daniel Júnio de Jesus Nascimento, de 23 anos, é jogador do Grêmio Novorizontino e está há 11 meses na Ucrânia

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Em uma espécie de “porão”, em uma casa afastada em Dnipro – a quarta maior cidade da Ucrânia, com cerca de um milhão de habitantes, o jogador do Grêmio Novorizontino, Daniel Júnio de Jesus Nascimento, de 23 anos, se esconde para sobreviver de uma possível invasão da tropa russa.

O atleta, que nasceu em Ribeirão Preto, no interior paulista, mora há 11 meses no país, que foi invadido pela Rússia na última quarta-feira (23). Desde então, ele nunca mais dormiu.  

“Eu não dormi até agora. A gente fecha os olhos, cochila um pouco, mas acorda várias vezes com medo de acontecer alguma coisa”, contou ao Gazeta de Rio Preto.

O medo de dormir surgiu há poucos dias, quando ele e outros atletas acordaram no alojamento do time em que joga atualmente “emprestado”, o VTK Agro, da 2ª divisão. Daniel e os colegas foram surpreendidos durante a madrugada com o barulho de uma grande explosão, uma bomba que havia caído na cidade vizinha.

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“Acordamos todos desesperados, assustados, fomos para fora e já começamos a arrumar as coisas. Fomos muito bem direcionados pelo clube. Muitos atletas já saíram, eu fiquei aqui com um colega da Gerógia. Estamos analisando a melhor medida para sair em segurança”, disse.  

A casa em que jogador está é do presidente do clube. Daniel conta com o apoio constante da Embaixada do Brasil e também de seu empresário. Dnipro fica há quase 500 quilômetros de Kiev, a capital da Ucrânia, maior alvo de ataque da Rússia.

“Uma das formas de sair é ir até Kiev e pegar um trem, mas Kiev é um alvo muito grande de ataque e fui orientado a não fazer esse caminho no momento. Outra forma é ir até a Polônia, muitos brasileiros foram para lá, mas a Polônia fechou a fronteira agora. Então, estamos estudando a melhor maneira. Tem que ser tudo feito de uma maneira bem pensada, para não corrermos riscos”, explicou.

Apesar de estar relativamente em segurança, Daniel prefere ficar no porão da residência – uma espécie de “quarto do pânico”. O local é confortável, com sofá, televisão, cama, geladeira e eletrodomésticos. Ele tem mantimentos e água o suficiente para três semanas. As compras no supermercado são rápidas, mas já há poucos produtos disponíveis.

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A cidade antecipou o toque de recolher das 22h para às 18h. Os comerciantes tentam agir com mais naturalidade, mas a cidade já conta com pouca circulação nas ruas.

“Ficamos apreensivos, não sabemos o que pode acontecer. Não sabemos se seremos atacados, se vamos acordar com outra bomba. Não posso fugir da realidade, nunca devemos fazer isso. Mas eu tento me desconectar, sair dos noticiários e usar a internet mais para falar com meus familiares”, contou.

A família do atleta mora em Ribeirão Preto. Filho de dona Nivalda e do seu Daniel, o jogador tem oito irmãos, um deles é menor de idade. Com o salário de US$ 2 mil (equivalente a R$ 10,1 mil), ele também é responsável por ajudar a família. O jovem também já jogou por um ano na Eslováquia.

“Antes de acontecer tudo isso eu falava com a minha mãe duas vezes ao dia. Agora ela me chama toda hora para saber como estou, como as coisas estão aqui”, diz.

Evangélico, Daniel conta que foi à Ucrânia por meio de uma “revelação” que teve na igreja.

“Foi por Deus que eu vim, Deus me proporcionou tudo isso e ele é o meu refúgio. Nasci no berço evangélico e Deus é a minha base de tudo. Nessa situação, até quem não é próximo dele, fica com Ele agora. Minha maior prioridade nesse momento é tranquilizar meus familiares e amigos que estão no Brasil. Já basta sofrer quem está aqui – é uma situação triste, mas Deus está nos abençoando”, finalizou.

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