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Novas taxas de Área Azul viram alvo de reclamações de motoristas

Economista apontou que índice de 50% é acima do IPCA acumulado dos últimos três anos

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Bia Menegildo/Gazeta de Rio Preto
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O primeiro dia de aplicação dos novos preços da Área Azul na área central e no bairro Redentora de Rio Preto pegou muitos motoristas de surpresa, nesta quinta-feira (24). O aumento no valor da hora foi de 50%, o que significa que passou de R$ 2 para R$ 3.

O reajuste é necessário, segundo o prefeito Edinho Araújo, para acompanhar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Como a taxa permaneceu a mesma desde abril de 2019, o aumento de R$ 1 é o valor referente à falta de aplicação do índice da inflação nos últimos três anos.

A grande dificuldade para o construtor Valter Camargo de Souza foi o trocado. “Ficou difícil para pagar e muita gente vai reclamar também porque não vai ter moeda toda hora”, comentou o profissional que tinha acabado de estacionar o veículo e não teve o dinheiro para o pagamento. Ao se dirigir para a cabine da Emurb, ele ainda lamentou ter que passar o cartão. “Eu não esperava por esse reajuste. Não saí preparado de casa. Ter que passar R$ 3 no débito é só para dar trabalho”, afirmou.

Trabalhadores da região central da cidade, como o Moacir Clementino dos Santos, também não gostaram do reajuste. O pintor presta serviços em lojas e disse que vai ficar no prejuízo. “Eu fechei um serviço e já coloquei o preço da Área Azul junto. Não estou na metade da obra e não tenho como repassar o valor para o cliente. Não há justificativa para este aumento. É abusivo”, lamentou.

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O índice de reajuste adotado pela Prefeitura também foi criticado pelo economista Bruno Sbroggio. De acordo com o especialista, nos últimos três anos, o IPCA acumulado foi de 18,89% e o aumento pode ser considerado abusivo. “Se considerarmos que o índice ficou em 4,31% em 2019, 4,52% em 2020 e 10,06% em 2021, aumentar em 50% é bem acima do esperado. A verdade é que o aumento final de R$ 1 não é significativo para muita gente e acaba até sendo ignorado pela maioria, mas a justificativa de IPCA acumulado não é válida porque vai prejudicar quem precisa do estacionamento rotativo para trabalhar”, explicou.

Para o presidente da Emurb, Rodrigo Juliano, o reajuste foi calculado dentro do que foi acumulado no período de três anos. “Calculamos o IPCA e somos uma empresa pública. Como empresa pública, precisamos de lucro real. Temos impostos, salários, PIS, COFINS, INSS sobre a folha de pagamento de 82 funcionários registrados na empresa, todos os custos de aluguel, água, energia como uma empresa normal que presta serviço”, afirmou.

Juliano ainda apontou que a cobrança da taxa é o que garante a rotatividade dos veículos para que haja a atividade do comércio na região. “Nós passamos a pandemia e a retomada econômica e temos os custos que a empresa precisa para tocar o serviço como qualquer outra. Durante o período da pandemia, que a cobrança do serviço ficou suspensa, verificamos que as vagas eram ocupadas pelos próprios comerciantes e funcionários do setor, o que prejudicou a mobilidade da área central e do bairro Redentora. Na época, nós assumimos o custo”, ressaltou o presidente da Emurb.

Além do reajuste na tarifa do estacionamento rotativo, as taxas de pós-utilização do serviço também tiveram aumento de 50%. Nas vagas onde o tempo máximo de permanência é de duas horas, na área central, o valor passou de R$ 12 para R$ 18. Já na região da Redentora, onde o estacionamento máximo é de três horas, o valor passou de R$ 18 para R$ 27.

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