Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 9 de abril

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

Sexta sangrenta

Estamos novamente numa sexta-feira. A partir da entrevista do governador João Dória, PSDB, às 12h45, no Palácio dos Bandeirantes, ela será macabra ou um bálsamo. Para empreendedores, se prorrogar o lockdown, quem ainda não berrou vai preparar papelada para pedir falência. Para outros, se prorrogar, vai ser um bálsamo para o sistema público de saúde. Se ficar o bicho pega, se correr, ele come. Ninguém confirma, mas fala-se em mais 15 dias de restrições.

Aldenis fala

O fato relevante desta sexta-feira, dia 9, é a teleconferência entre vereadores e o secretário de Saúde, Aldenis Borim, e o virologista, Maurício Lacerda. A reunião virtual será transmitida pela TV Câmara e quem organizou os trabalhos foi a Prefeitura. Jornalistas poderão acompanhar, mas não fazer perguntas. Começa às 10h e termina às 12h. Uma reunião de interesse de toda a cidade.

A estrela

Para refrescar a memória. Maurício Lacerda é o virologista que viralizou nas redes sociais ao responder a um internauta: “teu c*”. O internauta afirmou no Twitter de Lacerda que a Coronavac tinha matado uma pessoa. Lacerda é um dos responsáveis pelos testes da vacina. Conhecido entre cientistas, Lacerda virou pop. Saiu no Uol, O Antagonista, etc.

Tentou

João Paulo Rillo, Psol, tentou convocar o secretário. Mas, teve de se contentar com um convite. O vereador do Psol diz que a tática do Executivo é tirar todas as convocações do Plenário, transformando-os em convite, retirando as rédeas dos trabalhos da mão do presidente Pedro Roberto, Patriota. O presidente da Comissão de Saúde é o vereador Celso Luiz Peixão, MDB.

A diferença

Quando é convocado, o secretário é obrigado a comparecer, responder todas as perguntas e travar debates acalorados, podendo inclusive ser contestado, levar “sabão” e sair atropelado. Caso contrário, pode ser punido, segundo o Regimento Interno e a Lei Orgânica. O convite manieta a Câmara. O convidado responde se e o que quiser. Não precisa nem aceitar o convite. Não é o caso do Dr. Aldenis. Ele nunca deixou de comparecer à Câmara e de dar todas as respostas. 

Federais

Dois deputados federais da cidade e região, Luiz Carlos Motta, PL, e Fausto Pinato, PP, votaram a favor do projeto que autoriza a compra de vacinas pela iniciativa privada. Geninho Zuliani, DEM, contra. Motta defende a imunização dos trabalhadores essenciais que não pararam na pandemia. Pinato diz que só a vacina vai provocar à retomada da economia.

Estaduais

A Assembleia paulista aprovou uma lei parecida. Os estaduais Itamar Borges, MDB, e Carlão Pignatari, PSDB, votaram a favor. As duas Leis determinam que 50% das vacinas compradas sejam doadas ao SUS. Mesmo assim, as Leis são controversas no meio médico. Elas podem reforçar a Casagrande e a Senzala e privilegiar os mais ricos enquanto pessoas dos grupos de risco esperam na fila do SUS.  

Sem rumo

Quem investiu em plantas produtivas, varejo ou serviços, assiste a vida derreter. E os trabalhadores, veem os empregos irem para o ralo. Para os empresários, a pandemia é um tsunami de proporções bíblicas. A fotografia do desastre, só depois que a onda passar. O poder público não poderá virar um avestruz. Claro. Existem aqueles que ganharam e continuam ganhando muito com a desgraça alheia.

Esquizofrenia vazada

Áudio vazado de candidato a vereador derrotado nas urnas em Rio Preto mostra estratégia de judicialização de ações do Executivo e Legislativo da cidade como forma de aparecer na imprensa e ganhar holofotes para se eleger no futuro. Por mais que pareça uma defesa dos interesses da sociedade, o indivíduo que agora é assessor de deputado que nem é da região demonstra desespero antecipado e enorme interesse em distrair o Judiciário, a imprensa e o público. Ganhou um espaço nesta coluna, mas a experiência deste jornalista garante que não terá os tão sonhados confetes.

Força

Poucas vezes em muitos anos se viu a imprensa de Rio Preto se posicionar de forma tão assertiva, coerente e crítica. Foi na rejeição do projeto que propôs a criação do Conselho Municipal da Diversidade Sexual. Foi automático, instantâneo e em 99% das redações. Um dos editoriais é uma aula de jornalismo, antropologia e sociologia. Os 12 vereadores que mataram o Conselho, tiveram que aprovar uma moção de aplauso a esse texto. Coerência, zero à esquerda.

Indignado

Renato Pupo, PSDB, não se deu por vencido. Foi à Tribuna na última sessão (6) para reafirmar a sua indignação com a rejeição do Conselho. Revelou que, como delegado de polícia, vê crimes de ódio frequentemente devido à orientação sexual das pessoas. Incluindo morte.

Desespero

A vereadora Cláudia De Giuli, MDB, emocionou muita gente com o relato que fez na sessão sobre a interrupção da castração e o abandono de animais na pandemia. Os proprietários estão sem comida para a família e os animais passam fome nos quintais. Para não assistir, eles acabam soltando os bichos. Na rua, com fome e doentes, procriam. De Giulli desabafou. Diz que as pessoas acham que ela pode alimentar os animais de toda a cidade. Viúva, enfermeira e mãe de três filhos, Cláudia recebe R$ 4,5 mil mês de salário. Ela chorou.

Bixos X Veteranos

Vereadores novatos atendem pedido de veterano João Paulo Rillo, Psol, e apresentam denúncia no Conselho de Ética. A discussão começou quando o plenário votava o projeto de lei do executivo para a criação de um conselho LGBTQIA+. Sem citar nomes, Rillo usou a palavra "canalhas" e pediu para ser denunciado no conselho de ética. Odelio Chaves, Progressistas, Bruno Moura, PSDB, e cabo Júlio Donizete, PSD, atenderam prontamente. Será que ator vereador veterano e ex-deputado que ousou enfrentar Alckmin vai ter medo de calouro?

Comissão Processante

O presidente do Conselho, Paulo Pauléra, PP, disse que o próximo passo é uma reunião e aceitar ou não a representação. Caso não aceite, o caso morre ali. Caso aceite, forma-se uma comissão processante com 3 vereadores. Eles ouvem todos os lados e decidem a punição. Ela tem que ser aprovada pelo Plenário da Câmara. Vai de advertência à cassação do mandato.

A guerra da vacina

Tivemos a Guerra da Vacina em 1904. Cinco dias de quebradeira país afora por causa da vacina contra a febre amarela. Empresas queimadas, carros destroçados. Ao final, o virologista Osvaldo Cruz venceu e o país se acalmou no sexto dia.

A nossa guerra

Em Rio Preto, a guerra da vacina está se dando dentro da Guarda Civil Municipal. Presencialmente e via Whatsapp. Metade da Guarda, conhecida como “bolsominions”, está sendo convocada pela outra parte a não tomar a vacina. “Vocês vão virar jacaré”, diz o grupo que não se alinha ao presidente Jair Bolsonaro. Nesse caso, no entanto, a guerra é apenas hilária. Os “bolsominions” vão se vacinar, na boa.

PM, não

O problema da Guarda é outro. Alguns guardas do grupo mais à direita, querem que a instituição seja “uma polícia militar”. Esse grupo não leu a Constituição. Quem quiser deixar de cuidar da cidade para dar geral, prender, meter o loco, presta concurso na PM. A PM realiza em quase todos os anos. Alguns guardas estão se comportando como policiais, dando batidas, fazendo revistas e, às vezes, com muita agressividade. No Ministério Público isso vai dar dor de cabeça. Essas pessoas ainda não descobriram que algumas coisas não ficam escondidas para sempre.

Não pode

Dizem que tem um galã na Guarda que não perdoa nem mosca fazendo sexo à Céu aberto. Django. 

Corajoso

Jorge Menezes, PSD, propôs na última sessão que vereadores, prefeitos, deputados, governadores e presidente fiquem sem salário. Ele acredita que apenas dessa forma eles vão entender o que está acontecendo com os empreendedores que recebem taxa de funcionamento para pagar pelo período em que ficaram fechados. Ele não citou, mas tem os trabalhadores demitidos, os que vão ser demitidos e os profissionais liberais sem renda há mais de um ano.

Por Rubens Celso Cri em 09/04/2021 01:16