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Prefeitura corre contra o tempo para concluir obras do novo terminal em 1 mês

Com dois anos de atraso em relação à previsão inicial e R$ 10 milhões mais caro, Município fala em ‘ressalvas’ que podem interferir na programação

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A Prefeitura de Rio Preto tem exatamente um mês para finalizar as obras do novo terminal de transporte, na Praça Cívica. Depois de sucessivos atrasos e interrupções no ritmo das obras, o Município prevê a entrega para o dia 16 do mês que vem, caso não surjam novos contratempos.

De acordo com o projeto original, o terminal seria entregue no final de 2016, último ano de governo do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), mas a obra foi paralisada por cerca de dois meses porque foram encontradas tubulações de água e esgoto no subsolo e de rede de energia elétrica até então desconhecidos no local.

No ano passado, durante o governo Edinho Araújo (MDB), a Prefeitura determinou novamente paralisação da construção. Desta vez foi determinado reforço em algumas estruturas como instalações hidráulicas, elétricas, arquitetônicas. Ficou constatado que o projeto não previa sequer como os ônibus que vem da avenida Alberto Andaló, próximo ao viaduto Luis Carlos de Abreu Sodré, acessariam o novo terminal. Agora, o governo mantém a previsão inicial, mas com ressalvas, alegando que “devido previsões e as recentes chuvas este período poderá ser aumentado, caso haja prejuízo ao andamento dos serviços”.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras, neste momento, o novo terminal urbano encontra-se em estágio final de conclusão. Estão sendo executadas obras de paisagismo, revestimentos, pisos, pinturas e colocação de equipamentos. “Como existem locais de grande impacto no trânsito e a previsão de chuvas, estamos programando o melhor período para as intervenções”, informa a Prefeitura.

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Sobre a falta de acesso dos ônibus da Andaló, o governo Edinho argumenta que “a Prefeitura está realizando análise técnica com profissionais especializados que servirá de base para a solução que será adotada no viaduto Abreu Sodré”.

A falta deste acesso dos coletivos por esta região revoltou o prefeito Edinho que mostrou, no ano passado, toda sua indignação com a escolha do local que abrigará o futuro terminal urbano. “O grande problema do Brasil é projeto que não foi discutido com a comunidade e olhado em todos os aspectos. E projeto mal feito redunda em obra pela metade. Isso é o que há de desastre de uma obra inacabada. Estamos procurando diálogo para que essa obra não sofra dissolução de continuidade”, disse o prefeito à época.

Obra se arrasta

Com um atraso de dois anos a obra do novo terminal urbano já está R$ 10 milhões mais cara do que o previsto inicialmente. Em agosto deste ano, a Prefeitura concedeu mais um aditivo à empresa Constroeste para continuar com o serviço.

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Quando o contrato foi assinado, em novembro de 2015, durante o governo Valdomiro, a Constroeste venceu a licitação por R$ 47,7 milhões, mas agora, segundo o governo, o valor corrigido supera a casa do R$ 57 milhões. Questionado pela Gazeta de Rio Preto, a Prefeitura afirmou que “não haverá novos aditivos de serviços”.

Local divide opiniões de moradores

O novo terminal de transporte coletivo, batizado pelo ex-prefeito Valdomiro de Estação Central Parque, está sendo construído em uma área de 16 mil metros quadrados e segundo projeções iniciais depois de finalizado vai atender cerca de 130 mil pessoas que diariamente utilizam o transporte coletivo.

A escolha do local foi marcada por polêmicas, já que ambientalistas criticaram a mudança de destinação da praça. O Ministério Público, por meio do promotor Sérgio Clementino, chegou a questionar na Justiça o novo terminal.

Em fevereiro de 2015, a cúpula do governo de Valdomiro assinou um acordo, que foi homologado na Justiça. No acordo foi definido, por exemplo, redução do total de árvores da praça que foram derrubadas – de 106 para 60. O município terá de plantar cerca de 80 árvores no local e, como forma de compensação, ainda tem de plantar mais de 2,6 mil mudas pela cidade.  O MP acompanha todo andamento da construção.

As críticas pela escolha do local são várias. A própria Sociedade dos Engenheiros chegou a emitir pronunciamento à época de que era contra a obra alegando que a região central iria ficar mais congestionada com os ônibus que por ali forem deslocados. Ambientalistas também foram na mesma linha, alegando que a praça é um símbolo da cidade que além de abrigar a Biblioteca Municipal, mantinha quantidade razoável de árvores.

Nem bem venceu as eleições e o atual prefeito Edinho também foi questionado sobre o assunto. Em todas as respostas o mesmo tom incisivo, o de que jamais faria a obra naquele local, mostrando total desacordo com o projeto herdado do antecessor.

O ex-prefeito sempre defendeu o projeto, alegando que a Praça Cívica era subutilizada e que o novo terminal iria agilizar em até 15 minutos as viagens dos coletivos, com novas linhas e acomodação mais digna aos usuários. Valdomiro ainda obteve liberação de recursos para construir o viaduto da rua João Mesquita, inaugurada por Edinho que servirá de linha exclusiva dos ônibus para acessar o novo Terminal.

Centro Cultural

Com tantas críticas ao novo terminal, no ano passado, um grupo de pessoas ligado ao meio-ambiente e sociedade civil se uniu para propor ao prefeito Edinho mudanças em relação a utilização do espaço. Por meio das redes sociais, o grupo propôs que mesmo após a conclusão da estrutura física do novo terminal, o prefeito Edinho pudesse dar outra finalidade ao prédio. Ao invés de servir para o transporte coletivo que fosse transformado em um centro cultural. A ideia era transformar o novo terminal em um Mega Centro Cultural, parecido com a Estação Vergueiro, em São Paulo, onde são oferecidas atividades artísticas e culturais à população. O prefeito por sua vez alegou, na ocasião, ser impossível ocorrer a mudança de finalidade do espaço podendo até responder por crime de responsabilidade.

 

O que dizem os usuários?

A Gazeta de Rio Preto ouviu novamente usuários do transporte coletivo para entender o que pensam a respeito da polêmica em torno da construção do novo terminal. O comerciante, Augusto Braga, de 42 anos, acredita que quando entregue o espaço vai contribuir. “A rodoviária antiga não comporta mais os ônibus. Acredito que com esse novo terminal os veículos vão ser melhor distribuídos, diminuindo os transtornos”, diz.

A balconista, Ângela do Carmo, 51 anos, diz que o local é o ideal. “Não tinha outro lugar pra fazer esse terminal. Tem que ficar no centro, porque é aqui que todas as linhas saem. Eu aprovo”.
No entanto, as críticas também foram observadas. “Local errado, superfaturado e sem data para conclusão. O centro tá um caos e escolhem aqui para construir o terminal. Tem que ser em local distante, para aliviar essa região”, afirma o professor Marcelo Augusto, 35 anos.

“Acabaram com a Praça Cívica, e também com a Biblioteca. Um absurdo. É muito dinheiro e em minha opinião não resolve o problema do transporte. Falta planejamento nessa área”, diz Silvio Nunes, 62, contabilista.

 

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