Cidades
Suspeito confessa que Carmen está morta e polícia encontra celular
Estudante trans desapareceu há 50 dias após sair da Unesp; polícia trata o caso como feminicídio e segue em busca do corpo
A Polícia Civil de Ilha Solteira deu um novo passo nas investigações sobre o desaparecimento da estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos. Um dos dois suspeitos presos temporariamente confessou, em novo depoimento, que a jovem está morta. O corpo ainda não foi localizado, mas a polícia encontrou, nesta quinta-feira (31/7), um celular completamente destruído às margens de uma rodovia, próximo ao bairro Ipê — o aparelho pode pertencer à vítima.
Carmen está desaparecida desde 12 de junho, quando foi vista pela última vez deixando o campus II da Unesp em sua bicicleta elétrica. Segundo a investigação, o último local em que seu celular emitiu sinal foi o sítio de seu namorado, um estudante de Zootecnia que, junto de um policial militar aposentado — com quem mantinha um relacionamento paralelo —, é investigado pelo crime.
De acordo com o delegado Miguel Rocha, responsável pelo caso, o suspeito confessou a morte da vítima, mas continua negando envolvimento direto no crime. O outro investigado permaneceu em silêncio. O celular encontrado foi encaminhado para perícia técnica, e as investigações seguem em sigilo.
A polícia trabalha com a hipótese de feminicídio, sustentada por diversos elementos: imagens de câmeras de segurança, dados telefônicos e o fato de Carmen ter sido vista entrando no sítio do namorado, sem registro de saída. Fragmentos de ossos queimados foram encontrados próximo à residência do suspeito no dia 18 de julho e estão sendo analisados pelo Instituto Médico Legal (IML), que deve emitir laudo em até 30 dias.
As autoridades também investigam a motivação do crime. Segundo o delegado, Carmen teria descoberto o envolvimento do namorado em furtos de fios de cobre na cidade e reunido provas em seu computador. Isso pode ter sido o estopim para o crime.
As buscas pelo corpo contaram com apoio da Guarda Civil Municipal, do Corpo de Bombeiros, da Marinha e até de um geólogo da Unesp, que utilizou georradar para vasculhar o solo do sítio. Até o momento, no entanto, o corpo da estudante não foi encontrado.
Os dois suspeitos seguem presos temporariamente. O caso comoveu a cidade e levanta mais uma vez o alerta para crimes motivados por transfobia e violência de gênero.
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