Cidades
Veterinários de Rio Preto viram réus em caso de venda de sangue de gatos
Veterinários de Rio Preto são denunciados pelo Ministério Público por esquema de venda clandestina de sangue de gatos
Dois médicos-veterinários de Rio Preto foram apontados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como integrantes do núcleo que teria coordenado um esquema de coleta e comercialização clandestina de sangue de gatos em Monte Alto, a cerca de 120 quilômetros do município. Ao todo, cinco pessoas foram denunciadas e agoram respondem como réus, nesta nova etapa da investigação, que apura crimes de maus-tratos contra animais e associação criminosa. A Justiça de Monte Alto, por meio da juíza Suellen Rocha Lipolis, da 2ª Vara, recebeu a denúncia no dia 10 de setembro.
Segundo a acusação, os dois veterinários teriam funções relacionadas à coordenação das atividades e à comercialização do material coletado. Uma das profissionais é apontada como proprietária oculta de um banco de sangue veterinário e, de acordo com o MP, teria participado da organização das coletas, definido os valores pagos aos responsáveis pelos animais e obtido lucro com a venda das bolsas. A investigação aponta que cada bolsa de sangue era comercializada para clínicas veterinárias por valores entre R$ 500 e R$ 800. Já os tutores que autorizassem a retirada de sangue dos gatos receberiam R$ 50.
Além dos veterinários, outros três homens foram denunciados. Conforme a investigação, os envolvidos exerciam funções distintas, relacionadas ao financiamento, à coordenação, à captação dos animais e à realização das coletas. A Polícia Civil apontou que a atuação alcançava Monte Alto, Rio Preto, Mirassol, Catanduva e outras cidades da região.
A nova denúncia é resultado da investigação iniciada em outubro de 2025, quando a Polícia Civil descobriu um ponto clandestino de coleta de sangue de gatos em Monte Alto. Na ocasião, três pessoas foram presas em flagrante após a Guarda Civil Municipal localizar uma casa onde os procedimentos eram realizados. A ação começou depois que um anúncio circulou nas redes sociais oferecendo R$ 50 a tutores que disponibilizassem gatos para a retirada de sangue.
Os agentes entraram em contato com o responsável pelo anúncio e foram até um imóvel na Rua Marciano de Vasconcelos Nogueira. No local, encontraram cinco pessoas, equipamentos utilizados em procedimentos veterinários e seis gatos desacordados. Os animais foram retirados da residência e encaminhados para atendimento veterinário. Um deles foi diagnosticado com Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), doença que compromete o sistema imunológico dos gatos.
Foram presos em flagrante um estudante de veterinária, de 37 anos, morador de Bady Bassitt, uma aposentada, de 50, e uma empregada doméstica, de 42. Após a audiência de custódia, apenas o estudante permaneceu inicialmente detido. Segundo a investigação posterior, ele coordenava parte das coletas e recebia R$ 300 por diária, enquanto os auxiliares ganhariam R$ 100. Posteriormente, ele também deixou a prisão.
Outros dois homens, de 37 e 63 anos, moradores de Bady Bassitt e Rio Preto, também passaram a ser investigados durante aquela etapa da apuração.
Os investigados afirmaram à polícia que prestavam serviços para uma clínica veterinária de Rio Preto que mantinha um banco de sangue animal. Na época, a defesa do estudante sustentou que a coleta de sangue em animais não era proibida quando realizada com finalidade terapêutica e afirmou não haver provas de maus-tratos.
Segundo a Polícia Civil, a nova investigação reuniu laudos periciais, análises de celulares, documentos financeiros e depoimentos para identificar a estrutura do grupo e a função desempenhada por cada integrante. Os cinco denunciados passaram a responder à nova ação penal. Três deles foram acusados de maus-tratos contra animais, por seis vezes, além de associação criminosa. Os outros dois respondem por associação criminosa.
A acusação de maus-tratos atribuída a parte dos envolvidos também é apurada em outro processo. O recebimento da denúncia pela Justiça não representa condenação. Os acusados ainda terão oportunidade de apresentar defesa.
À época, o banco de sangue veterinário Hemoser informou, por meio de nota, que a coleta de sangue em animais não era ilegal e negou a ocorrência de maus-tratos aos doadores. A empresa afirmou que os bancos de sangue humanos e veterinários têm diferenças e defendeu que a atividade fosse analisada de acordo com as normas que regulamentam a coleta de sangue animal. Também recomendou que informações sobre o procedimento fossem verificadas antes da divulgação de conclusões sobre o caso.
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