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Mais de 742 mil acidentes de trabalho em 2024: sindicatos cobram ações

Para os sindicatos da região de Rio Preto, tragédias como essa não podem continuar sendo tratadas como episódios isolados ou inevitáveis

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O Brasil registrou 742.214 acidentes de trabalho apenas em 2024, de acordo com dados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho. A gravidade do cenário se traduz em uma estatística brutal: uma morte a cada 3 horas e 38 minutos causada por ocorrências laborais. Nos últimos 12 anos, já são mais de 8,8 milhões de acidentes e 32 mil óbitos entre trabalhadores formais no país.

O Dia Nacional da Prevenção de Acidentes de Trabalho, celebrado neste domingo (27), reacende o debate sobre a importância de políticas de segurança eficazes e contínuas. Para entidades sindicais, é preciso romper com a lógica da negligência estrutural, promovendo uma mudança cultural no ambiente de trabalho — que inclua fiscalização rigorosa, formação adequada e respeito à vida do trabalhador.

Rio Preto

Um exemplo dramático da falta de segurança ocorreu recentemente em Rio Preto. No último dia 16 de julho, um ajudante de 56 anos morreu esmagado por uma carga de cerca de 700 quilos de vergalhões dentro de uma empresa de ferragens na Estância Jockey Club. Segundo a Polícia Militar, o acidente aconteceu quando uma das cintas que mantinha o material agrupado se rompeu inesperadamente.

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A vítima caminhava entre as pilhas quando foi atingida e morreu ainda no local. O Corpo de Bombeiros e uma equipe de resgate foram acionados, mas nada pôde ser feito. O caso está sendo investigado como morte suspeita com indícios de acidente de trabalho.

Para os sindicatos da região, tragédias como essa não podem continuar sendo tratadas como episódios isolados ou inevitáveis. “Não é fatalidade, é falta de cuidado. Em muitos casos, os riscos já haviam sido denunciados, mas nada foi feito”, afirma João Pedro Alves Filho, presidente do Sindalquim. Lesões em braços, mãos, pernas e pés estão entre as ocorrências mais comuns, e muitas vezes resultam em amputações e traumas irreversíveis.

Tiago Gonçalves Pereira, do Sindicato da Alimentação, ressalta que o desmonte das políticas de proteção impacta diretamente a integridade física dos trabalhadores. “Tem muita empresa que faz o mínimo possível. Onde há treinamento e equipamentos adequados, o número de acidentes cai. A diferença está no comprometimento com a vida”, diz.

O número crescente de acidentes e mortes escancara a necessidade de tratar a segurança do trabalho como prioridade nacional, e não como formalidade burocrática. O momento exige que empregadores, gestores públicos e a sociedade repensem seus papéis diante de um sistema que ainda permite que milhares de pessoas saiam de casa para trabalhar e não voltem com vida.

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