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Mirassol está entre as primeiras cidades do país a receber vacina contra a chikungunya

Mirassolenses com idades entre 18 e 59 anos poderão receber a dose a partir do dia 2 de fevereiro

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Fabricio Spatti
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Mirassol está entre os primeiros municípios do Brasil a receber a vacina contra a chikungunya, considerada pioneira no mundo na prevenção da doença. A partir do dia 2 de fevereiro, moradores com idade entre 18 e 59 anos poderão ser imunizados gratuitamente nas unidades de saúde do município.

O imunizante foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan e tem como objetivo prevenir a infecção pelo vírus chikungunya. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, em 2024, 263.502 casos da doença e 246 mortes.

A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. O processo de estudos contou com a participação da Funfarme e com o apoio da Prefeitura de Mirassol, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. A aplicação inicial ocorrerá de forma estratégica em áreas com maior potencial de transmissão da doença nos próximos anos. Ao todo, dez municípios, distribuídos em quatro estados, foram selecionados pelo Ministério da Saúde.

A escolha levou em conta critérios epidemiológicos, como a circulação prévia do vírus, além do porte populacional e da capacidade operacional dos municípios para implementar a nova vacina em curto prazo. Em Mirassol, o cenário epidemiológico pesou na decisão: em 2024, o número de casos prováveis saltou de um registro no ano anterior para 833, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde.

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A segurança e a eficácia da vacina foram demonstradas em estudos clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos, com resultados publicados em revistas científicas internacionais. Nos testes realizados em território norte-americano, cerca de 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica com produção de anticorpos neutralizantes após a vacinação.

As contraindicações seguem a bula aprovada pela Anvisa e incluem pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, indivíduos com hipersensibilidade aos componentes da vacina e gestantes. Além do Brasil, o imunizante já recebeu aprovação para uso no Canadá, no Reino Unido e em países da Europa.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. A doença provoca febre alta de início súbito e dores intensas nas articulações, especialmente em pés e mãos, além de dor de cabeça, dores musculares e manchas avermelhadas na pele. Em casos mais graves, pode haver comprometimento do sistema nervoso central. A principal consequência da infecção é a dor articular crônica, que pode persistir por meses ou até anos. Como não há antiviral específico, o tratamento é baseado em repouso, hidratação e uso de analgésicos e antitérmicos.

Nos estudos clínicos, a vacina foi bem tolerada, com eventos adversos predominantemente leves a moderados, e demonstrou capacidade de induzir resposta imunológica com apenas uma dose.

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Paralelamente à campanha de vacinação, o Instituto Butantan irá conduzir estudos complementares para avaliar a efetividade do imunizante em áreas endêmicas, comparando a ocorrência de casos entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Também serão realizados estudos de pós-comercialização para monitorar a segurança da vacina.

As equipes envolvidas estarão presentes nos locais de vacinação para orientar a população sobre a participação voluntária nas pesquisas. Um dos estudos acompanhará adultos vacinados, enquanto outro irá monitorar gestantes que tenham sido vacinadas sem saber da gravidez ou que engravidaram até 30 dias após a imunização, com acompanhamento durante a gestação e no pós-parto.

A Secretaria de Saúde reforça a importância de que a população fique atenta aos sintomas e procure atendimento médico em caso de febre associada a dores nas articulações ou no corpo, contribuindo para o diagnóstico precoce e o adequado acompanhamento dos casos.

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