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Auditoria aponta R$ 23 milhões sem localização na Secretaria de Esportes de SP

Documentos obtidos via Lei de Acesso mostram inconsistências em estoque, falta de rastreamento e pressão por apuração

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Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) revelou falhas graves no controle patrimonial da Secretaria de Esportes do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), com ao menos R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta sem localização comprovada, conforme demonstrou uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

A inconsistência foi revelada em documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação e veio à tona após um inventário do almoxarifado solicitado pelo tribunal. A comissão responsável encontrou registros de compras que somavam R$ 51,5 milhões em notas de empenho, mas localizou fisicamente apenas R$ 16,7 milhões em materiais armazenados.

Posteriormente, a secretaria conseguiu rastrear outros R$ 11,5 milhões em itens, parte deles destinados a doações e outra vinculada ao uso em eventos esportivos. Ainda assim, permaneceu uma diferença de R$ 23 milhões sem comprovação documental.

O caso levou a secretaria a anunciar a elaboração de um relatório preliminar para subsidiar a abertura de sindicância. Em nota, a pasta afirmou ter determinado medidas para aprimorar o controle, rastreamento e gestão patrimonial, além de reafirmar compromisso com transparência e correta aplicação dos recursos públicos.

As falhas já haviam sido apontadas pelo TCE-SP no início de 2025, durante a análise das contas do exercício anterior. O tribunal identificou divergências entre os registros do almoxarifado e o Siafem, sistema oficial de execução orçamentária do estado, além da ausência de um sistema adequado de controle de estoque, em desacordo com exigências legais.

Apesar dos apontamentos, o conselheiro Sidney Estanislau Beraldo votou pela aprovação das contas, com ressalvas e recomendações para correção dos problemas.

A crise se aprofundou em abril de 2025, quando a então secretária Helena Reis determinou a criação de uma comissão de inventário. Dois meses depois, o grupo apontou discrepância de R$ 34,7 milhões entre materiais encontrados em três endereços da secretaria e os valores contabilizados.

O relatório descreveu cenário de desorganização no armazenamento, com caixas abertas, materiais empilhados de forma inadequada e ausência de controle físico ou contábil eficiente. Também apontou “falta de zelo” na gestão dos bens públicos.

A comissão ainda tentou rastrear comprovantes de doações junto a diferentes setores da pasta, mas recebeu resposta de apenas uma servidora. Em julho, o então secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior determinou medidas urgentes e cobrou um plano de ação detalhado, que não chegou a ser apresentado.

Em outubro, uma nova equipe foi criada para aprofundar as investigações, com previsão de apuração preliminar sobre valores sem comprovação documental.

No início de 2026, Lemos e o subsecretário Marcelo Nanya foram exonerados. Segundo relatos obtidos pela reportagem da Folha de S.Paulo, a saída de Lemos ocorreu em meio a desconforto interno provocado por sua insistência em avançar nas apurações.

Em nova manifestação, a Secretaria de Esportes informou que segue analisando as inconsistências entre registros contábeis e estoque físico, revisando procedimentos internos e reforçando mecanismos de fiscalização de contratos.

O caso amplia a pressão sobre a gestão patrimonial do governo paulista e pode ter novos desdobramentos nos órgãos de controle, a depender do resultado da sindicância e de eventual aprofundamento das investigações.

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