Política
Obra na Murchid é tema de audiência na Câmara
Primeiro encontro será realizado nesta quarta-feira (12), às 18h30; segunda audiência está marcada para quinta (13), com participação do vice-prefeito Fábio Marcondes (PL)
A Câmara de Rio Preto realiza nesta quarta-feira (12), às 18h30, a primeira audiência pública para discutir a revitalização da avenida Murchid Homsi. O projeto, estimado em R$ 29,06 milhões, prevê uma ampla intervenção de drenagem, mobilidade e urbanização na região do córrego Aterradinho, historicamente afetada por alagamentos.
O encontro é promovido pelas Comissões Permanentes de Meio Ambiente e de Defesa da Cidadania e deve reunir vereadores, moradores, especialistas, representantes de entidades e integrantes do Poder Executivo. A principal polêmica em torno da proposta é a previsão de retirada de 943 das 1.323 árvores existentes ao longo da avenida, o equivalente a cerca de 71% da arborização atualmente presente no trecho abrangido pelo projeto.
Uma segunda audiência pública foi convocada para quinta-feira (13), às 17h30, pelo presidente da Câmara, Luciano Julião (PL). O encontro terá a participação do vice-prefeito e secretário municipal de Obras, Fábio Marcondes (PL), além de técnicos envolvidos na elaboração da intervenção.
Segundo Julião, a intenção é ampliar a participação da sociedade na discussão antes do avanço da obra.
“Sintonizada com os princípios da transparência e da soberania popular, a Presidência convoca a sociedade civil, especialistas, associações de bairro e o Poder Executivo para que, conjuntamente, possamos alinhar essa importante intervenção viária aos compromissos de sustentabilidade e futuro que nossa cidade exige”, afirmou.
Obra de R$ 29 milhões prevê combate a alagamentos
A revitalização da Murchid Homsi é considerada uma das principais intervenções de infraestrutura previstas pela Prefeitura para a região. A licitação aberta pelo município tem valor estimado de R$ 29.068.749,56, sendo aproximadamente R$ 22 milhões provenientes do Governo do Estado e R$ 7 milhões de contrapartida municipal.
A proposta foi estruturada principalmente para aumentar a capacidade de escoamento das águas das chuvas e reduzir os alagamentos registrados na região do córrego Aterradinho. O projeto contempla obras de macro e microdrenagem, com substituição ou reforma de aproximadamente 1,8 quilômetro de galerias e canais, além da implantação de cerca de três quilômetros de novas tubulações para águas pluviais.
Também estão previstas 425 novas bocas de lobo, adequações em oito travessias sobre o córrego Aterradinho e substituição de aproximadamente 3,6 quilômetros de guias e sarjetas.
A intervenção não ficará restrita à drenagem. O projeto prevê ainda cerca de quatro quilômetros de ciclovia e pista de caminhada, nova iluminação pública, paisagismo, mobiliário urbano e áreas de convivência. A Prefeitura também prevê a implantação de novas áreas verdes e árvores nativas ao longo da intervenção.
O prazo estimado para execução é de 540 dias, aproximadamente 18 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço.
Retirada de árvores concentra críticas
Apesar da promessa de solucionar problemas históricos de drenagem e melhorar a mobilidade, a supressão de árvores tornou-se o principal ponto de questionamento em relação ao projeto.
A retirada de 943 exemplares provocou reação de moradores, ambientalistas e vereadores, que cobram informações mais detalhadas sobre os estudos que levaram à definição do traçado e sobre as alternativas avaliadas para reduzir o impacto ambiental.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Fábio Marcondes afirmou que a supressão está respaldada pelas autorizações ambientais necessárias.
“A supressão das árvores está acompanhada e embasada por autorizações e licenças ambientais dos órgãos competentes, como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Cetesb.”
O secretário também afirmou que haverá compensação ambiental.
“Todas as árvores que forem retiradas terão compensação ambiental, tanto na própria avenida quanto em outras áreas públicas do município.”
Licitação prevê análise técnica das empresas
A Prefeitura adotou um modelo de disputa que prioriza inicialmente a capacidade técnica das empresas interessadas na execução do empreendimento. A estratégia busca assegurar que as concorrentes tenham experiência compatível com a complexidade dos serviços antes da etapa de análise das propostas financeiras.
A justificativa do município considera a dimensão da intervenção, que envolve obras de drenagem, estruturas hidráulicas, intervenções em áreas próximas ao córrego, licenciamento ambiental e interferências com redes de infraestrutura existentes.
O edital prevê o recebimento das propostas até 3 de setembro. Caso o cronograma seja mantido e o processo licitatório avance sem atrasos, a contratação poderá permitir o início dos serviços ainda em 2026.
Debate acontece antes da definição da obra
As duas audiências ocorrem em um momento decisivo para o projeto. De um lado, a Prefeitura sustenta que a intervenção é necessária para enfrentar os alagamentos históricos da região e modernizar a infraestrutura da avenida. De outro, moradores e representantes ligados à pauta ambiental questionam o impacto da retirada de grande parte das árvores existentes.
A expectativa é de que a primeira audiência, realizada nesta quarta-feira (12), permita que vereadores e população apresentem questionamentos sobre drenagem, arborização, compensação ambiental, mobilidade e cronograma.
Na quinta-feira, o debate terá a presença do secretário de Obras e dos técnicos responsáveis pelo projeto, que deverão detalhar as soluções previstas e responder aos questionamentos apresentados durante as discussões.
Com investimento próximo de R$ 30 milhões, a revitalização da Murchid Homsi representa uma intervenção de grande porte e, ao mesmo tempo, coloca em confronto dois objetivos centrais do planejamento urbano: a necessidade de enfrentar um problema histórico de drenagem e a preservação da arborização urbana. As audiências desta semana devem ser o principal espaço institucional para discutir como esses interesses serão conciliados antes do avanço da licitação.
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