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MP denuncia açougueiro por feminicídio de Amanda em Rio Preto

Promotoria afirma que vítima foi esfaqueada dentro da casa do acusado, que desmembrou e espalhou partes do corpo pela cidade

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Arquivo pessoal/ circuito de segurança
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia contra o açougueiro Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, pela morte de Amanda da Silva, de 36, em São José do Rio Preto. Segundo a acusação, o feminicídio aconteceu na madrugada de 22 de julho, dentro da residência onde o denunciado morava, no Parque Estoril. O inquérito, coordenado pelo delegado André Amorim, da 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) do Deinter-5, foi concluído.

Conforme o promotor de Justiça da 20ª Vara Criminal, Evandro Ornelas Leal, Amanda estava deitada e coberta na cama quando foi atingida por golpes de um objeto perfurocortante. A acusação aponta pelo menos seis ferimentos na região do tórax e das mamas e sustenta que a posição em que a vítima estava teria limitado sua possibilidade de perceber a agressão e se defender.

Além do feminicídio, Marciel responde na denúncia por destruição e ocultação de cadáver. O MP afirma que, após a morte, ele teria mantido o corpo na residência, realizado o desmembramento e transportado os segmentos em sacos e em uma mochila para diferentes pontos de Rio Preto.

“Segundo os elementos colhidos, a vítima foi atingida por sucessivos golpes perfurocortantes quando provavelmente se encontrava deitada e coberta, circunstância que reduziu concretamente sua possibilidade de defesa. Após a morte, o
investigado teria conservado o cadáver no imóvel por alguns dias, seccionado o corpo e distribuído seus segmentos, em ocasiões sucessivas, por lixeiras, boca de lobo e galeria pluvial. Também teria empregado produtos químicos na limpeza do local, lavado os instrumentos utilizados, recortado parte do tecido impregnado do colchão e descartado roupas e panos com vestígios hemáticos”, escreveu o promotor.

Vestígios encontrados na residência

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A perícia realizada na casa apontou o quarto como o local em que a agressão teria ocorrido. Os investigadores encontraram sangue sobre a cama, no colchão, na estrutura do móvel e em uma parede. Uma coberta apresentava ao menos 12 perfurações que, segundo a perícia, eram compatíveis com um instrumento perfurocortante.

O laudo citado pelo Ministério Público indica que Amanda provavelmente estava deitada e coberta pela peça no momento em que foi atingida.

Ainda de acordo com a acusação, depois do crime foram adotadas medidas para eliminar ou reduzir possíveis vestígios. Entre elas estariam a utilização de cloro, água sanitária e outros produtos de limpeza, a retirada de parte do colchão, a pintura de uma parede e o descarte de roupas, panos e outros materiais.

Uma faca apreendida durante a investigação também foi submetida a perícia e apresentou vestígios de sangue humano, segundo o documento apresentado pelo MP.

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Para fundamentar a denúncia, a Promotoria cita exames necroscópicos e necropapiloscópicos, perícias feitas na residência e nos pontos onde foram localizados segmentos do corpo, além da análise do objeto apreendido.

Partes do corpo foram encontradas em diferentes pontos

A investigação começou depois que partes do corpo de uma mulher foram localizadas em duas lixeiras próximas a uma marmitaria, no Parque Estoril, em 27 de julho.

Naquele momento, a identidade da vítima ainda não havia sido confirmada. Amanda estava desaparecida desde 19 de julho. A identificação oficial ocorreu posteriormente, após a localização de antebraços e mãos em um piscinão do Parque Estoril, em 5 de agosto.

Como o corpo estava em avançado processo de decomposição, técnicas de reconstrução facial em três dimensões foram utilizadas pelo Instituto de Criminalística a partir do crânio. Exame necroscópico divulgado anteriormente apontou aproximadamente 20 perfurações no peito, além do desmembramento.

Amanda era mãe de três filhos.

Versão apresentada pelo suspeito

Em depoimento à Polícia Civil, Marciel afirmou que havia conhecido Amanda em uma praça no dia 21 de julho e a levado para a casa. Segundo a versão dele, os dois discutiram e, durante a briga, Amanda teria batido a cabeça depois de ser empurrada, morrendo na sequência.

A narrativa, porém, é contestada pelos elementos reunidos pela investigação e apresentados pelo Ministério Público. Na denúncia, a Promotoria solicitou novos esclarecimentos ao médico legista sobre a existência de eventual lesão na nuca que pudesse ter provocado perda de consciência e morte. Também pediu análise sobre a profundidade dos ferimentos nas mamas e se eles chegaram a atingir a caixa torácica.

Marciel teria admitido, por outro lado, que desmembrou o corpo e fez o descarte das partes em diferentes locais. Segundo o MP, informações fornecidas por ele auxiliaram os investigadores na localização de outros segmentos.

MP pede prisão preventiva

Na manifestação encaminhada à Justiça, o Ministério Público também solicitou que a prisão temporária de Marciel seja transformada em preventiva.

A Promotoria argumenta que a dinâmica atribuída ao crime e as ações posteriores à morte revelariam risco à ordem pública. Entre os elementos citados estão a tentativa de retirar vestígios da residência, o transporte dos restos mortais para locais distintos e o descarte de materiais que poderiam auxiliar na investigação.

O MP também menciona pesquisas encontradas no celular do investigado relacionadas a viagens de São José do Rio Preto para Brasília, realizadas pouco antes de sua prisão. Para a acusação, esse dado, somado aos vínculos do suspeito com outro estado e às providências tomadas após o crime, pode indicar uma tentativa de deixar a cidade.

Indenização aos três filhos

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que a Justiça estabeleça uma reparação mínima pelos danos provocados à família de Amanda.

A Promotoria requer o equivalente a 500 salários mínimos e também o pagamento mensal de um salário mínimo para cada um dos três filhos da vítima, até que eles completem 21 anos.

A denúncia ainda será analisada pela Justiça, que decidirá sobre o prosseguimento da ação penal e os pedidos apresentados pelo Ministério Público.

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