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Corpo de Amanda é liberado para sepultamento em Barretos

Irmã da vítima confirmou a liberação à Gazeta de Rio Preto; Amanda estava desaparecida desde 19 de julho e foi identificada oficialmente por meio das impressões digitais

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arquivo pessoal
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O corpo de Amanda da Silva, de 30 anos, foi liberado para o sepultamento. A confirmação foi feita pela irmã da vítima, Ingrid Caroline da Silva, de 27 anos, moradora de Guaíra, à Gazeta de Rio Preto. O enterro está marcado para esta terça-feira (23/8), no Cemitério Municipal da Paz, em Barretos. O horário ainda não foi divulgado.

“Agradecemos de coração a todos que contribuíram e ajudaram para que ela tivesse um enterro digno”, informou a família por meio de mensagem após a realização de uma arrecadação on-line.

Amanda desapareceu em 19 de julho, após sair da casa de uma prima, no Solo Sagrado, em Rio Preto. Na ocasião, disse que retornaria em pouco tempo, mas não voltou. Oito dias depois, em 27 de julho, partes de um corpo humano foram encontradas dentro de sacos plásticos deixados em lixeiras na região do Parque Estoril. Na sequência, outros segmentos foram localizados, entre eles mãos e antebraços encontrados no piscinão do bairro.

Desde então, familiares passaram a considerar a possibilidade de que os restos mortais fossem de Amanda, embora mantivessem a esperança de que ela estivesse viva.

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A confirmação da identidade ocorreu por meio do confronto das impressões digitais realizado pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), em São Paulo. As digitais obtidas a partir das mãos e dos antebraços permitiram confirmar oficialmente que os restos encontrados pertenciam a Amanda.

De acordo com o delegado André Amorim, responsável pela investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, a hipótese já vinha sendo considerada pelos investigadores antes do resultado do exame papiloscópico. A equipe analisou registros de pessoas desaparecidas e situações de perda de contato até chegar aos familiares da vítima.

Suspeito confessou o homicídio

O açougueiro Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, permanece preso temporariamente e confessou ter matado Amanda. Durante a investigação, ele também reconheceu a vítima em fotografias apresentadas pelos policiais.

A versão contada pelo suspeito, porém, é contestada pela família. Marciel relatou aos investigadores que teria conhecido Amanda em uma praça e que, posteriormente, ela foi até sua casa. Segundo o depoimento, os dois teriam iniciado uma discussão e a mulher o agredido.

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Ele afirmou que a empurrou para se defender e que Amanda caiu, bateu a cabeça e ficou inconsciente. Depois, ainda conforme o relato apresentado à polícia, decidiu esconder o corpo.

A investigação aponta que o desmembramento ocorreu dentro da cozinha da residência. Os restos teriam sido colocados em sacos plásticos e transportados em diferentes viagens para locais distintos do Parque Estoril, incluindo lixeiras e bueiros.

Marciel nega ter mantido relação sexual com Amanda. Os exames periciais continuam em análise e devem ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte.

Depois de descartar partes do corpo, o suspeito teria ido a um serv-festas, onde tomou cerveja e permaneceu na companhia de outras pessoas.

(Reprodução/circuito de segurança)

Polícia encontrou vestígios de sangue na casa

Durante as diligências, policiais encontraram na casa de Marciel uma manta com vestígios de sangue e perfurações que seriam compatíveis com golpes de faca. Também foram apreendidos produtos de limpeza que podem ter sido utilizados para tentar eliminar vestígios do crime.

A perícia identificou ainda uma grande quantidade de sangue oculto no imóvel. Segundo o delegado responsável pela investigação, existem indícios de que a residência tenha sido lavada e de que as paredes da cozinha tenham recebido pintura depois do crime.

A análise inicial da Polícia Técnico-Científica aponta que Amanda pode ter sido morta sobre uma cama antes de ter o corpo desmembrado. A faca que teria sido usada foi encontrada e apreendida. Os exames necroscópicos indicaram diversas perfurações no tórax da vítima anteriores ao desmembramento.

Suspeito já tinha histórico de violência doméstica

Marciel também já havia sido investigado por violência doméstica. Em março deste ano, uma ex-companheira registrou boletim de ocorrência no qual relatou ter sido agredida durante uma discussão. Segundo a denúncia, ela teria recebido mordidas, socos e chutes.

Os dois mantiveram um relacionamento por aproximadamente três anos e têm uma filha. Após o registro da ocorrência, a mulher obteve uma medida protetiva contra o ex-companheiro.

A decisão judicial também determinava que Marciel participasse de acompanhamento psicossocial. Em abril, o Ministério Público denunciou o investigado por descumprimento da medida, sob a alegação de que ele não compareceu ao acompanhamento e também não atendeu a uma intimação para explicar a ausência.

Naquele período, ele ainda respondia ao processo em liberdade.

A prisão temporária ocorreu na noite de 31 de julho, depois que imagens de câmeras de segurança mostraram o suspeito carregando sacos plásticos e levando o material até lixeiras próximas a uma marmitaria no Parque Estoril.

A Polícia Civil segue investigando os últimos momentos de Amanda e confrontando a versão apresentada por Marciel com os vestígios e demais provas reunidas no inquérito. O caso é investigado como homicídio e ocultação de cadáver.

A definição das circunstâncias e da tipificação criminal dependerá dos resultados dos exames periciais e da conclusão das demais diligências.

Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.

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