Cidades
Delegacia de Homicídios encontra mãos de mulher esquartejada em Rio Preto
Restos mortais foram localizados no Parque Estoril com apoio do Corpo de Bombeiros
As mãos da mulher encontrada esquartejada em Rio Preto foram localizadas na tarde desta quarta-feira (5/8), durante uma nova etapa das buscas realizadas pela 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), do Deinter-5, com apoio do Corpo de Bombeiros, em uma galeria de água no Parque Estoril. A descoberta é considerada a mais importante da investigação até o momento, já que pode permitir a identificação oficial da vítima por meio das impressões digitais.
Segundo o delegado André Amorim, foram encontrados os dois antebraços, do cotovelo para baixo, ainda com as mãos.
“Foram encontrados dois braços, do cotovelo pra baixo, com as mãos dela. As mãos ostentam as unhas pintadas com o esmalte muito semelhante ao já encontrado no corpo dela. Nós esperamos com essas mãos, que ainda haja pele o suficiente para retirar as impressões digitais e finalmente identificar essa pessoa.”
De acordo com o delegado, há dois dias o autor confesso do crime indicou um bueiro no bairro Parque Estoril onde havia descartado membros inferiores da vítima. A nova localização, porém, foi descoberta a partir do trabalho investigativo desenvolvido pela equipe da Deic.
“Nós deduzimos que, pelo escoamento das águas fluviais, essas outras partes poderiam ter corrido pela tubulação e parado neste local onde encontramos hoje. Nós acionamos o Corpo de Bombeiros, que fez um trabalho excelente e localizou as partes do corpo, que estavam em uma sacola que batia com as características que o autor havia dito.”

(Comunicação Social/ 13º Grupamento do Corpo de Bombeiros)
A Polícia Civil informou que ainda nem todas as partes do corpo foram recuperadas, mas considera o material encontrado nesta quarta-feira essencial para a conclusão da investigação.
“Estamos esperançosos que as impressões digitais permitam a identificação. Ele não foi ouvido novamente, nós estávamos nos dedicando pra encontrar essas partes do corpo porque era uma corrida contra o tempo. Até o momento, o corpo não está cem por cento completo, mas essas são importantes. Ainda faltam as partes genitais, nádegas e algumas outras partes.”
A Gazeta de Rio Preto teve acesso a uma fotografia pericial da cabeça da vítima. A imagem mostra que o rosto não está desfigurado e é compatível com o de uma mulher de aproximadamente 30 a 35 anos, conforme avaliação da Polícia Técnico-Científica. A vítima também apresentava os cabelos aparentemente raspados ou muito curtos.
Prisão e confissão
Durante o cumprimento de mandado na residência do investigado, policiais encontraram uma manta com vestígios de sangue e perfurações compatíveis com golpes de faca, além de produtos de limpeza que, segundo a Polícia Civil, podem ter sido utilizados para eliminar vestígios do crime. Todo o material foi apreendido e encaminhado para perícia.
A faca utilizada no homicídio foi localizada recentemente e apreendida.
Os peritos também identificaram grande quantidade de sangue oculto no imóvel. Conforme o delegado André Amorim, os indícios apontam que o suspeito tentou apagar as evidências lavando o local e até pintando as paredes da cozinha.
A investigação indica que a mulher foi morta sobre a cama da residência e que o esquartejamento ocorreu na cozinha do imóvel.
Em depoimento preliminar, Marciel confessou ter cometido o crime sozinho. Segundo sua versão, conheceu a vítima poucos dias antes em uma praça e a convidou para ir até sua casa. O homicídio teria ocorrido em 25 de julho. Depois, ele afirmou ter realizado várias viagens entre a residência e as lixeiras para descartar as partes do corpo, encontradas dois dias depois por um funcionário de uma marmitaria.
Após abandonar os restos mortais, Marciel foi até um serv-festas, onde consumiu uma cerveja.
Investigação segue
O exame necroscópico apontou que a vítima sofreu diversas perfurações na região do tórax antes de o corpo ser esquartejado. Parte dos órgãos também foi localizada junto aos restos mortais, mas a Polícia Civil ainda aguarda os laudos periciais para confirmar quais estruturas foram retiradas e em quais circunstâncias.
Até o momento, a mulher continua sem identificação oficial e não foi reconhecida por familiares. Conforme o relato informal do investigado, ela vivia em situação de rua e era adicta (usuária de drogas). A perícia estima que a vítima tenha cerca de 35 anos.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio e ocultação de cadáver. No entanto, o delegado André Amorim informou que solicitará a alteração da tipificação para feminicídio e ocultação de cadáver.
Marciel permanece preso temporariamente por 30 dias na carceragem da Deic enquanto o inquérito é concluído. Entre as próximas etapas da investigação estão a formalização do interrogatório do suspeito e a conclusão dos laudos periciais, que deverão esclarecer se houve violência sexual ou relação sexual consensual antes do crime.
Até a publicação desta reportagem, o investigado não havia constituído advogado de defesa.
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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