Saúde
HB de Rio Preto amplia rastreamento do câncer de pulmão com 169 atendimentos
Funfarme capacita profissionais da atenção primária para ampliar o diagnóstico precoce; câncer de pulmão segue como o que mais mata por câncer no Brasil
O Hospital de Base de Rio Preto intensificou as ações de rastreamento do câncer de pulmão e capacitou profissionais da rede de atenção primária para ampliar o diagnóstico precoce da doença na região. A iniciativa faz parte da campanha Agosto Branco: Conscientização e Rastreamento do Câncer de Pulmão, realizada nesta terça-feira (5/8), em parceria com a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).
A capacitação foi direcionada a profissionais da atenção primária, equipes de enfermagem, assistência social e demais trabalhadores da saúde envolvidos na identificação e encaminhamento de pacientes com perfil para o rastreamento da doença. O objetivo é fortalecer a rede de atendimento e garantir que pessoas com maior risco sejam encaminhadas ao Hospital de Base, referência regional em oncologia.
Os números do Serviço de Telerastreamento do Ambulatório de Especialidades do Hospital de Base reforçam a importância da iniciativa. Em 2025, foram realizados 119 atendimentos. Já em 2026, até o mês de junho, o serviço contabilizou 50 atendimentos, totalizando 169 pacientes acompanhados em aproximadamente um ano e meio.
Segundo o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho, o diagnóstico precoce ainda é um dos principais desafios no combate ao câncer de pulmão.
“O diagnóstico precoce é um dos maiores desafios no enfrentamento do câncer de pulmão. Ao investir na capacitação dos profissionais da atenção primária e fortalecer o Serviço de Telerastreamento do Hospital de Base, a Funfarme amplia o acesso ao rastreamento e cria oportunidades para que mais pacientes sejam diagnosticados em estágios iniciais da doença, quando as chances de tratamento e cura são significativamente maiores. Esse trabalho integrado com a rede de saúde é fundamental para reduzir a mortalidade causada por esse tipo de câncer.”
O Serviço de Telerastreamento acompanha pacientes com maior risco de desenvolver a doença e avalia a necessidade de exames capazes de identificar tumores ainda em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento e cura são mais elevadas.
Para o cirurgião torácico da Funfarme, Dr. Isaac Rodrigues, a participação da atenção primária é decisiva para aumentar o número de diagnósticos precoces.
“É muito importante orientar as unidades encaminhadoras sobre como deve ser o cuidado com esses pacientes. Precisamos fortalecer principalmente a atenção primária, mas também envolver enfermeiros, assistentes sociais e todos os profissionais que têm contato direto com a população. Muitas vezes, são eles que identificam pacientes com perfil para iniciar o rastreamento ou que precisam de apoio para a cessação do tabagismo.”
O especialista explica que muitos casos são descobertos apenas por meio do rastreamento, já que, no início, a doença costuma não apresentar sintomas.
“Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de tratamento e de sobrevida. Muitas vezes, um pequeno nódulo no pulmão não provoca sintomas e só será descoberto por meio do rastreamento. Quando os sintomas aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado.”
Segundo ele, quando o paciente já apresenta manifestações clínicas, deixa de ser um caso de rastreamento e passa a exigir investigação diagnóstica. Entre os sinais de alerta estão perda de peso sem causa aparente, tosse persistente, tosse com sangue, falta de ar e episódios recorrentes de pneumonia ou infecções respiratórias que não melhoram mesmo após tratamento.
Dr. Isaac também ressalta que ampliar a conscientização da população é uma estratégia importante para reduzir o impacto da doença.
“É um câncer grave, com alta mortalidade, mas existem estratégias para aumentar as chances de diagnóstico precoce e oferecer o tratamento mais adequado aos pacientes.”
Câncer que mais mata no Brasil
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres. A doença é a quarta neoplasia mais frequente no país, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, mas continua sendo a principal causa de morte por câncer, principalmente em razão do diagnóstico tardio.
O principal fator de risco permanece sendo o tabagismo. Conforme a Funfarme, fumantes têm risco até 30 vezes maior de desenvolver a doença em comparação com pessoas que nunca fumaram. Embora o câncer de pulmão também possa atingir não fumantes, os protocolos atuais de rastreamento são voltados principalmente para fumantes e ex-fumantes que se enquadram nos critérios estabelecidos pelas diretrizes médicas.
-
Cidades20 horasDelegacia de Homicídios encontra mãos de mulher esquartejada em Rio Preto
-
Cidades2 diasOperação da PF contra garimpo ilegal tem alvo “atirador” em Rio Preto
-
Cidades23 horasLatam retoma voos entre Rio Preto e Brasília
-
Cultura5 horasRio Preto se despede do ator e diretor teatral Rildo Goulart
