A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira (4/8), um mandado de busca e apreensão em Rio Preto durante a segunda fase da Operação Olhos Fechados, que investiga crimes ambientais, garimpo ilegal, usurpação de bens da União, associação criminosa e lavagem de dinheiro relacionados à exploração clandestina na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia.
A diligência foi realizada por agentes da Delegacia da Polícia Federal de Rio Preto na residência de um dos investigados localizado na zona leste da cidade. Durante o cumprimento da ordem judicial, foram apreendidas diversas armas de fogo e munições. Todo o material foi recolhido e será analisado pela Polícia Federal para as providências cabíveis, uma vez que o alvo da operação possui registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
Além da busca, a Justiça Federal determinou que o investigado seja submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica, medida cautelar prevista na decisão judicial expedida no âmbito da operação.

(Polícia Federal/ Comunicação Social Delegacia da PF de Rio Preto)

(Polícia Federal/ Comunicação Social Delegacia da PF de Rio Preto)
Operação nacional
A segunda fase da Operação Olhos Fechados mobilizou 91 policiais federais para o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão nos estados de Rondônia, Mato Grosso e São Paulo. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Mato Grosso.
Além das buscas, a Justiça autorizou o monitoramento eletrônico de 17 investigados e determinou o sequestro de bens até o limite de R$ 11.307.965,78, valor correspondente ao prejuízo ambiental estimado em laudo pericial produzido durante a primeira etapa da investigação.
Segundo a Polícia Federal, a operação busca aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa responsável pela exploração ilegal de garimpos dentro da Terra Indígena Sete de Setembro e pela suposta ocultação e dissimulação dos recursos financeiros obtidos com a atividade ilícita.
Estrutura do garimpo
As investigações tiveram início na primeira fase da Operação Olhos Fechados, deflagrada em 15 de maio deste ano. A análise do material apreendido permitiu aos investigadores identificar a estrutura utilizada pelos garimpeiros para atuar na área indígena.
De acordo com a Polícia Federal, foram identificados diversos núcleos de exploração clandestina, cada um comandado por uma liderança responsável pela logística, organização e coordenação das atividades ilegais. A maior parte desses grupos utilizava escavadeiras hidráulicas, equipamento que potencializa os impactos ambientais provocados pelo garimpo.
Na primeira etapa, o foco das investigações recaiu sobre pessoas suspeitas de facilitar e obter vantagens com a atuação dos garimpeiros dentro da terra indígena. Já nesta nova fase, a Polícia Federal concentra os esforços na identificação dos responsáveis pelo comando dos núcleos de extração ilegal e na apuração de indícios de lavagem de dinheiro proveniente da atividade criminosa.