Cidades
Deic espera localizar mãos da vítima para tentar identificação por impressões digitais
Preso confesso voltou a prestar informações, descreveu a mulher, mas não disse o nome dela; polícia trabalha com a hipótese de que a vítima vivia em situação de rua
A 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) do Deinter-5 concentra agora os esforços para localizar as mãos da mulher assassinada e esquartejada, com o objetivo de possibilitar a identificação por meio das impressões digitais. Embora novos segmentos do corpo tenham sido encontrados após indicações do preso confesso Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, a vítima continua sem identificação oficial.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (4/8), o delegado André Amorim explicou que a prioridade da investigação é encontrar os membros superiores em condições que permitam o trabalho da perícia.
“Tudo indica que todas as partes pertencem a um mesmo corpo. Com esse novo segmento localizado será feito confronto de DNA. As mãos, caso sejam localizadas, vão depender do estado de conservação. Nossa esperança é encontrá-las em condições que permitam a identificação pelas digitais”, afirmou.
Nos últimos dias, Marciel voltou a conversar informalmente com os investigadores e forneceu novos detalhes sobre a vítima. Apesar de não revelar seu nome, descreveu características físicas da mulher e indicou, em um mapa, o ponto onde teria descartado outra parte do corpo.
A partir dessas informações, equipes realizaram buscas em um bueiro no bairro Estoril. Inicialmente, a Polícia Civil informou que havia localizado os braços e as mãos da vítima, mas, posteriormente, corrigiu a informação. Após análise pericial, foi confirmado que os restos mortais encontrados eram membros inferiores: a perna esquerda, a panturrilha esquerda e o pé esquerdo.
Segundo André Amorim, a investigação trabalha com a hipótese de que a mulher fosse moradora em situação de rua e usuária de drogas, o que pode explicar a dificuldade para sua identificação e para o reconhecimento por familiares.
Sobre a dinâmica do crime, o delegado informou que Marciel manteve a mesma versão apresentada anteriormente.
“Ele sustenta que a vítima teria principiado uma agressão contra ele e que ele teria apenas se defendido. Disse que a empurrou, ela bateu a cabeça em um móvel e desfaleceu”, declarou.
Ainda de acordo com o investigado, ele conheceu a mulher na noite do crime, quando ela teria pedido para passar a noite em sua residência. Marciel afirmou que os dois não tiveram relação sexual e que a discussão ocorreu durante a madrugada de terça para quarta-feira. No entanto, os laudos deverão esclarecer se a vítima foi vítima de estupro ou se houve relação sexual consensual entre os dois.
“Ele disse que não tinha maior vínculo com ela, a não ser o fato de tê-la conhecido naquela noite. Disse que ela pediu para pernoitar na casa dele. Negou qualquer relação sexual e afirmou que houve uma discussão durante a madrugada”, relatou o delegado.
Após a morte, segundo a versão apresentada pelo investigado, ele decidiu esquartejar o corpo para facilitar a ocultação do cadáver. Durante as novas diligências, os policiais também localizaram e apreenderam a faca que, segundo o próprio investigado, foi utilizada para cortar o corpo. O objeto será submetido à perícia.
As investigações apontam que o crime ocorreu dentro da residência de Marciel. Conforme a perícia, a vítima foi morta sobre a cama e esquartejada na cozinha. Vestígios de sangue oculto foram encontrados em diversos cômodos, além de indícios de que o suspeito tentou eliminar provas lavando o imóvel e pintando paredes.
Vizinhos relataram aos investigadores que sentiram um forte odor vindo da residência nos dias seguintes ao crime, mas nenhum deles afirmou ter ouvido discussão, gritos ou pedidos de socorro.
As imagens de câmeras de segurança analisadas pela Polícia Civil não registraram a presença da vítima entrando ou saindo da casa. Segundo André Amorim, os vídeos mostram apenas o trajeto percorrido por Marciel durante o descarte das partes do corpo.
“Até agora, as imagens captaram apenas o caminho do descarte. Existe um grande volume de gravações que ainda está sendo analisado pelos investigadores”, afirmou.
Questionado sobre o histórico do investigado, o delegado confirmou que existem registros de violência doméstica envolvendo a ex-companheira de Marciel, mas evitou fazer qualquer avaliação sobre sua personalidade.
“Nós temos registros policiais no Estado de São Paulo de violência doméstica contra a ex-companheira dele. Ele afirma que não é agressor. Eu não tenho habilitação psicológica para traçar nenhum perfil sobre a situação psicológica dele, mas ele é uma pessoa tranquila”, disse.
Marciel também declarou aos investigadores estar arrependido do crime. Ele é pai de duas filhas e permanece preso temporariamente enquanto o inquérito é concluído.
O exame necroscópico já apontou que a vítima sofreu diversas perfurações no tórax antes de ser esquartejada. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer todas as circunstâncias do homicídio, confirmar oficialmente a identidade da mulher e concluir o pedido de alteração da tipificação do caso para feminicídio e ocultação de cadáver.
Esta reportagem é exclusiva da Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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