Política
Marcondes dribla MCB e se mantém em comissão
Movimento ameaçou promover manifestação em frente ao prédio da Câmara, mas adiou investida após promessa de renúncia
O vereador e ex-presidente da Câmara de Rio Preto Fábio Marcondes (PR) deu um nó-tático na liderança do Movimento Cidadania Brasil (MCB) para manter-se como presidente da Comissão de Redação e Justiça do Legislativo local. Na quarta-feira, 8, o grupo chegou a marcar uma manifestação que ocorreria em frente ao prédio da Câmara para protestar contra a eleição de Marcondes que vai presidir a Comissão Permanente de Redação e Justiça – a mais importante do Legislativo. Por essa comissão passam todos os projetos propostos pelos vereadores e as iniciativas podem ser automaticamente rejeitadas, caso os três membros entendam que a sugestão de norma é ilegal ou inconstitucional.
No entendimento dos manifestantes, o fato de Marcondes estar sendo investigado e processado pelo Ministério Público Eleitoral, acusado de compra de votos e abuso do poder econômico, o inviabilizaria moralmente para comandar a comissão. O mesmo entendimento é compartilhado pelos vereadores aliados do prefeito Edinho Araújo (PMDB), mas esse grupo foi vencido na sessão de terça-feira, 7, durante as votações para composição das comissões permanentes.
Segundo o empresário e líder do MCB, Olavo Tarraff, o ex-presidente da Câmara o procurou assim que soube da manifestação e se propôs a renunciar ao cargo na comissão, o que, segundo Tarraff, culminou no adiamento do protesto. Porém, ao mesmo tempo, o vereador teria passado a acusar o secretário de Desenvolvimento Econômico Liszt Abdala Martingo – que também é um dos fundadores do MCB – de convocar manifestantes para o ato.
Para convencer os outros vereadores, Marcondes usou a suposta participação de Liszt – que estava em São Paulo na quarta-feira – como motivação para questionar se o ato tinha a anuência do governo e se não seria uma retaliação da Prefeitura à derrota sofrida na terça.
Coube ao secretário de Governo, Jair Moretti, atuar na tentativa de apagar o incêndio político. Liszt, por sua vez, ligou para Morretti afirmando que a convocação que circulou pelo aplicativo Whatsapp era referente a uma manifestação antiga, ocorrida ainda na gestão anterior.
“Era uma condição imediata (a renúncia de Marcondes à presidência da comissão) para que desarmássemos a ação do MCB. Tenho isso por escrito. Mas ele (Marcondes) inventou essa estória do Liszt, que infelizmente está distante do MCB por assumir outra função e ele (Marcondes) se fortaleceu temporariamente”, informou Tarraf.
Procurada, a assessoria de gabinete do vereador e ex-presidente da Câmara Fábio Marcondes (PR) negou, na tarde desta quinta-feira, 9, que ele tenha decidido renunciar à presidência da Comissão de Redação e Justiça da Câmara.
De acordo com um assessor, ele “passou o dia (quinta-feira) fora, mas o gabinete recebeu normalmente as documentações referentes ao trabalho como presidente da Comissão de Redação e Justiça”. “Não há nenhum encaminhamento nesse sentido (renúncia). Isso parece coisa política, plantada para criar uma situação”, informou.
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