Cidades
Águia completa seis anos de atividades em Rio Preto
Neste período foram cumpridas cerca de 3,8 mil missões que vão desde apoio a viaturas em terra, salvamentos, transporte de órgãos, prisão de criminosos até combate a incêndios
O toque da sirene no hangar do Águia da Polícia Militar, no aeroporto de Rio Preto, indica emergência. Quem vê o helicóptero pelo céu de Rio Preto ou até mesmo em ações pela região não imagina o quanto o grupamento trabalha e se desdobra para salvar vidas em 96 cidades de abrangência. O Águia completa nesta sexta-feira (dia 12) seis anos interruptos de atuação, somando 1.748 horas de voos, onde foram cumpridas 3.876 missões. Além de desempenhar como uma plataforma de apoio nas ocorrências policiais como prisão de criminosos e localização de carros roubados e furtados, o Águia é utilizado em missões como salvamentos, transporte de órgãos, fiscalização de áreas e até combate a incêndio.
Avaliado em pelo menos R$ 6 milhões, o helicóptero, modelo Esquilo, é equipado com rádios digitalizados, computador de bordo e até farol de busca com giro de 360 graus para localização noturna. A aeronave tem capacidade para transportar até cinco pessoas e é capaz de atingir uma velocidade de 245 km/h, podendo ‘cortar’ o céu de Rio Preto, de ponta a ponta, em menos de três minutos de voo.
O Major da Polícia Militar André Luiz Paes afirma que cada oficial do grupamento tem sua função de tripulante, mas também exerce o trabalho administrativo. “Um tripulante quando não está em voo, exerce outra função. Por exemplo, temos nosso setor de operacional que analisa toda ocorrência policial. Cada vez que uma viatura da PM atende um chamado, mesmo que o caso não seja encaminhado ao plantão policial, é gerado um boletim de ocorrência interno. Esse documento é digitalizado e as informações são incluídas em um banco de dados. Com base nesses números é criada a mancha criminal, onde é possível visualizar os locais e horários onde ocorrem determinados crimes”, explica o Major.
Este banco de dados sobre a criminalidade é atualizado entre 15 e 20 dias. “Temos que manter nossas informações sempre atualizadas, pois existe uma migração de crimes. Quando realizamos patrulhamos ostensivo com maior frequência em determinado setor, notamos que os criminosos tendem a deixar aquela área para agir em outra localidade devido à presença da PM. Então, nosso setor operacional está em constante trabalho”. Ainda segundo ele, nenhum voo do Águia é aleatório. “Quando decolamos para realizar patrulhamento ostensivo, já temos conhecimentos para qual área vamos seguir”.
Além do setor operacional, existe dentro grupamento equipes responsáveis por outras áreas, como comunicação social e auxílio na navegação. “Enquanto embarcamos na aeronave e o motor é acionado, além de um tripulante que está a bordo e é responsável pela navegação da aeronave, temos o auxílio de outro integrante que está em uma sala de controle. Antes de decolarmos ele já nos informa pontos de referências como bairro, rua ou avenida. Assim ganhamos tempo e agimos de forma mais precisa”, afirma o Paes.
Helicóptero leva garoto para transplante em São Paulo
Embora na região de Rio Preto, o helicóptero Águia ainda não realize atendimentos aeromédicos, como acontece em São Paulo, o grupamento tem salvado inúmeras vidas levando a bordo órgãos para transplantes. Nesses seis anos são inúmeras histórias. Um caso que teve repercussão na mídia foi registrado na manhã do dia 16 de julho de 2015. A assistência social de Álvares Florence, cidade próxima a Votuporanga, solicitou ao grupamento a possibilidade de levar uma criança de 10 anos até São Paulo para um transplante de fígado. O pequeno Callister Nascimento Brizio sofria de uma hepatite autoimune (uma doença causada por um distúrbio do sistema imunológico) e só um novo órgão poderia salvar sua vida. O pedido foi repassado ao Comando Geral da Polícia Militar que autorizou prontamente o transporte da criança.
Imediatamente, o Águia decolou de Rio Preto, foi até a cidade de Alvares Florence, pouso em um pequeno campo de futebol e com mãe e filho a bordo, decolou rumo a Capital. Naquele mesmo dia, foi feito transplante. Ainda não há um prazo definido para que o helicóptero Águia seja utilizado em missões aeromédicas na região de Rio Preto. Mas o município conta, desde novembro do ano passado Rio Preto, com o auxílio de paramédicos e socorrista do Grupo de Resgate e Apoio às Urgências e Emergências (Grau) para atendimentos às vítimas de graves acidentes e violência. Este é o primeiro critério exigido pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para que um município possa receber voos aeromédicos.
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