Política
Candidatos a prefeito em Rio Preto falam sobre um velho drama: as enchentes
Basta uma forte pancada de chuva em Rio Preto para ruas e avenidas ficarem alagadas. Moradores e, principalmente, comerciantes amargam prejuízos
Um dos problemas urbanos mais dramáticos na vida de muitos rio-pretenses é a ocorrência de enchentes, que provocam estragos que envolvem perdas materiais e, em alguns casos, até vidas. Não há dúvida que será um grande desafio para o novo prefeito de Rio Preto sanar de vez esse problema que, há anos, assola o município. Obras antienchentes seguem a todo vapor, mas a população critica a demora na conclusão dos serviços e licitações com preços milionários. “Não se pode negar que não há obras para resolver esse problema em Rio Preto, mas basta uma forte chuva para avenidas ficarem totalmente alagadas. É muito dinheiro gasto para melhorias neste aspecto e pouco resultado”, afirma Wanderson Rangel, que é morador de Rio Preto.
A situação é bem complicada para quem tem comércio nas avenidas mais movimentadas da cidade, a Alberto Andaló e a Bady Bassitt. Os comerciantes por lá já sabem: chuva é sinal de preocupação e muito prejuízo. Isso sem contar que o contato com a água da enchente traz riscos de contaminação, sobretudo por leptospirose, doença infecciosa causada pela bactéria leptospira, encontrada principalmente na urina de ratos.
Por isso, basta chegar o período das chuvas para os comerciantes ficarem atentos ao movimento das nuvens. “Ficamos apreensivos. Essa obra na avenida Bady já era para ter terminado”, afirma Claudia Maria Romão, de 45 anos, que tem há quase dois anos um comércio de som, iluminação e eletroeletrônicos na avenida. Por conta das obras, o movimento caiu pelo menos 70%. “Os moradores e até pessoas de fora evitam passar pela Bady por conta dessas obras. Várias lojas e até um banco fecharam”, afirma ela.
O final do ano passado foi marcado por várias enchentes na área central e até mesmo em bairros. Em novembro, uma forte pancada de chuva abriu uma enorme cratera na avenida Bady Bassit. O local tinha passado por reparos há menos de um mês e parte do canteiro central desabou, além de um poste de iluminação. Em dezembro, o cenário de destruição se repetiu. Novamente as avenidas Bady e Andaló ficaram alagadas. Desta vez até a avenida Brasilusa foi castigada pela chuva. Outro ponto crítico, atingido na época, foi a Represa Municipal – um dos cartões postais da cidade –, onde o córrego subiu e carros ficaram ilhados. Pelo menos duas casas no bairro São Francisco foram tomadas pela enxurrada, vários móveis e eletrodomésticos ficaram molhados. Prejuízos e mais prejuízos.
Como evitar de vez as enchentes, e assim conter prejuízos aos empresários e tragédias?
Carlos Arnaldo: “Eleito Prefeito darei continuidade ao Projeto Antienchente, até porque fui o primeiro a iniciar e implantar o projeto em 1.997 como Secretário de Planejamento, quando fizemos a obra do alargamento do canal sob a Av. Alberto Andaló, da Rua Silva Jardim até a Tiradentes. São ações e obras contínuas de contenção das águas das chuvas, com reservatórios subterrâneos e superficiais, construção de canais, obras de microdrenagem e implantação de galerias. Além disso, vou desenvolver políticas que preservem 30% da área nas construções, como permeável (área verde). Acredito que este conjunto de intervenções irá minimizar a intensidade das enchentes”.
Daniel Carvalho Nhani: “O problema das enchentes é bastante antigo na cidade, nenhum prefeito jamais resolveu, apesar de tantas promessas. Nestas eleições não será diferente, todos os candidatos farão promessas enquanto a esta situação, mas como sempre ninguém solucionará. A tendência é que as obras antienchentes sejam eternas, pois é uma rentável fonte de lucro para empreiteiras e construtoras, então as obras jamais serão, de fato, efetivas para resolver este problema. É necessário que tais interesses econômicos sejam extirpados da administração municipal, tendo o controle da obra, da contratação à execução do serviço, controlado pela população de Rio Preto”.
Edinho Araújo: “O combate às enchentes exige cuidados permanentes. Vamos concluir essas obras antienchentes em andamento, mas tomando o cuidado para que as intervenções tenham um mínimo impacto no trânsito e no comércio. Não podemos admitir o que aconteceu Avenida Bady Bassitt. A primeira chuva derreteu a obra e interditou a via. Os comerciantes tiveram imensos prejuízos com tapumes na porta das lojas. Lembro que no meu governo construí o canal antienchente da avenida Bady Bassitt, num dos pontos mais críticos de alagamento na cidade”
João Paulo Rillo: “Mais de R$ 200 milhões foram investidos nas obras antienchente e os recursos foram utilizados sem controle e fiscalização, com resultados desastrosos, como ocorreu na Bady Bassitt. Após esta etapa de grandes obras de macrodrenagem, é preciso incentivar as áreas de permeáveis, a iniciativas de reaproveitamento da água da chuva e insistir na retenção de águas pluviais nos novos empreendimentos. Vamos promover a limpeza e a despoluição dos córregos e rios da nossa bacia hidrográfica, recuperar a mata ciliar das fontes e nascentes e da Represa”
Kawel Lotti: “Conscientizar permanentemente a população sobre a necessidade da diminuição dos índices de poluição e geração de lixo na rua. Concomitantemente, elaborar, com celeridade, estudo minucioso de todas as ações já tomadas e os respectivos resultados obtidos, objetivando a correta tomada de decisões futuras. É muito importante fazer um Planejamento adequado para o município que contemple ações preventivas e corretivas, e que seja realizado depois de consultar a população e empresários que são impactados como é o caso da obra da avenida Bady Bassitt”.
Orlando Bolçone: “As enchentes são um desafio histórico para Rio Preto. E as obras em curso, que nenhuma outra administração teve coragem de fazer anteriormente, são necessárias para acabar de vez com esse problema. Com o término delas, não haverá mais enchente nem tragédias nem mais prejuízos”.
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