Cidades
Cenário de terror em Rio Preto
Quadrilha fortemente armada invade Walmart para roubar carro-forte no estacionamento do hipermercado. Em troca de tiros, dois ladrões são mortos e dois policiais ficam feridos. Terceiro bandido é preso e levado à DIG, mas outros fogem
Alex Pelicer e Luciano Moura
Uma quadrilha fortemente armada invadiu na tarde de quinta-feira (dia 22), por volta das 12h40, o estacionamento do hipermercado Walmart de Rio Preto, na avenida José Munia – prolongamento da Alberto Andaló –, no Jardim Redentor. Os ladrões tentaram assaltar um carro-forte que abastecia os caixas eletrônicos. Houve troca de tiros e dois bandidos foram mortos no local. Até o fechamento desta edição, um dos criminosos já tinha sido identificado como Pedro Santos Rocha, que cumpria pena em regime semiaberto em unidade prisional de São Paulo. Segundo informações da polícia, Rocha tem antecedentes criminais por crimes como roubos e furtos, e tinha sido beneficiado pela saidinha temporária de Natal.
O terceiro integrante da quadrilha, Robson Godoy da Silva, de 30 anos, foi identificado pela polícia enquanto tentava escapar fingindo ser um dos reféns do assalto. Ele foi detido e levado à DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Segundo a polícia, ele é de Mogi das Cruzes (SP) e tem passagens por assalto. Ele havia cumprido pena e estava em liberdade. Um tenente e um soldado foram baleados e levados ao Hospital de Base de Rio Preto. Eles passam bem e não correm risco de morte. A PM trabalha com a hipótese de que os três ladrões estejam envolvidos com a quadrilha que explodiu caixas eletrônicos, além de fazer reféns em uma festa de casamento realizada em um restaurante, em Palestina (SP), na madrugada de quinta-feira, (dia 21). O autônomo Marcelo dos Santos, que passava pelo local no momento da ação, teve o carro alvejado com sete tiros. Um deles o acertou de raspão no braço.
No Walmart, a ação criminosa durou pelo menos três horas e contou com a participação de 250 homens entre Polícia Militar, Polícia Rodoviária, Polícia Civil, Polícia Federal, Grupo de Operações Especiais (GOE), Polícia Ambiental, Samu e Corpo de Bombeiros. Os agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) foram deslocados para fiscalização no centro de Rio Preto. O helicóptero Águia, da PM, sobrevoou o hipermercado durante a troca de tiros e prestou apoio às equipes em terra.
O trânsito em volta do Walmart foi interditado e uma faixa da rodovia Washington Luís – no sentido Rio Preto a Catanduva –, também foi bloqueada por policiais rodoviários e bombeiros. Equipes da imprensa viveram momentos de pânico escondidas atrás do parapeito do pontilhão, sobre as avenidas Alberto Andaló e José Munia.
De acordo com informações do major Fábio Rogério Cândido, pelo menos oito homens armados com fuzis, metralhadoras, escopetas e pistolas surpreenderam os seguranças de uma empresa de vigilância que abastecia com cédulas os caixas eletrônicos instalados próximos à praça de alimentação do hipermercado. Um deles atirou em um dos assaltantes, o que resultou em um tiroteio, que pôde ser ouvido dos demais prédios ao redor e da rodovia.
Segundo o major, uma equipe da Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicleta) estava próxima ao Walmart, reforçando a segurança por conta do movimento no fim de ano e, ao se dirigir ao local, também trocou tiros com a quadrilha. Um dos carros usados foi um Honda Civic, na cor preta, que ficou no estacionamento do Walmart. Outros veículos usados pela quadrilha ainda não foram divulgados. Por meio de nota à imprensa, a assessoria do Walmart confirmou a tentativa de assalto ao carro-forte no estacionamento da loja em Rio Preto, além da troca de tiros entre policiais e assaltantes. “Clientes e funcionários não tiveram ferimentos e já foram liberados pela polícia. A empresa está colaborando com a polícia nas investigações, vai reforçar a segurança na unidade e prestar apoio emocional aos funcionários”, consta na nota.
Gritos e tiroteios
Os clientes que estavam no Walmart se abrigaram no interior das lojas que fazem parte do hall de entrada, assim como no depósito, cozinha e vestiários do hipermercado. A auxiliar de limpeza do hipermercado Luiza Molina Gomes, de 62 anos, estava almoçando no refeitório quando ouviu os gritos e os tiroteios. “Nunca imaginei que fosse passar por isso. Entramos em pânico. Tenho muito que agradecer no Natal por ter saído com vida”, afirma ela. O operário-técnico Jeferson de Almeida Silva, de 25 anos, conta que os bandidos gritavam o tempo todo. “Houve muitos tiros, crianças chorando e todo mundo apavorado. A gente não sabia se ia sair vivo de lá”, disse ele.
Queila Danilo, de 33 anos, conta que já tinha feito as compras com a família e estava no caixa, pagando, quando ouviu os gritos: “Perdeu!, Perdeu!”. “A pessoa do caixa já me olhou apavorada. Sabíamos que era assalto. Estava com o meu filho de 12 anos e meu marido. Foram horas de muito pânico e tensão. Na correria, meu filho caiu e eu puxei ele pela camiseta. Tinha muita gente passando mal lá dentro e crianças chorando. Só temos que agradecer a Deus, porque nascemos de novo”, afirmou Queila.
Chamadas falsas
Enquanto acontecia o tiroteio no Walmart, mais de 20 chamadas ao Copom, por meio do telefone 190, informavam assaltos e arrastões em outros pontos da cidade. Desesperados, os lojistas do Calçadão de Rio Preto fecharam os estabelecimentos. Às 16h, a reportagem da Gazeta percorreu a área central e constatou que muitos lojistas já tinham reabertos os estabelecimentos. Em nota, a Acirp (Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto), informou que “lamenta profundamente os falsos boatos que se seguiram, de um possível arrastão na área central da cidade (Calçadão). A Polícia Militar reiterou que nenhuma ocorrência de crime foi registrada neste perímetro, e que os delitos em outros pontos da cidade não possuíam ligação alguma entre eles. Informando que todo o comércio continua com sua atividade normal, sem qualquer tipo de alteração nos horários de abertura e fechamento das lojas, a Acirp convida consumidores e comerciantes, com tranquilidade, a não se deixar levar pelo clima de insegurança criado”, consta na nota.
Por medida de precaução, o shopping Plaza Avenida, que fica ao lado do hipermercado, foi fechado e os clientes impedidos de deixarem o centro de compras enquanto acontecia a ação no Walmart. Os policias entram no centro de compras em busca de possíveis ladrões. Ninguém foi encontrado e a assessoria de imprensa informou que “seguindo orientação das autoridades policiais, o shopping permaneceu fechado por algumas horas. Não houve assalto ou qualquer outro contratempo dentro do shopping. As medidas de segurança foram tomadas para garantir a integridade dos que estavam no local ou passavam pela região”, consta. Após o acontecido, o shopping retornou suas atividades normalmente até as 23h. (AP e LM)
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