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Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 12 de março

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

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Compasso de espera

A volta à cena política eleitoral do ex-presidente Lula, PT, pode mudar as previsões que se faz para a eleições estaduais 2022 e municipais de 2024. A depender do quadro e das articulações do Centro, João Dória, PSDB, pode ter que voltar a disputar o governo paulista. A candidatura de Rodrigo Garcia, DEM, ao governo estadual, fará água. E todos os acordos amarrados na eleição municipal terão que ser revistos. No entanto, existe uma certeza: o trio MDB, PSDB e DEM não vai ser desfeito. E a esquerda da cidade, se não sair no tapa novamente, pode ganhar musculatura.

Errado

Embora o silêncio sobre o assunto é tumular, um pronunciamento do vereador Bruno Moura, PSDB, na última sessão, acendeu uma lâmpada vermelha. Para alguns vereadores e jornalistas que cobrem política, Bruno Moura fez uma ameaça velada. Ele não disse o nome do vereador a quem se referiu, mas na Tribuna, logo depois, João Paulo Rillo, Psol, deixou claro que a fala foi dirigida a ele.

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“Presta muita atenção”

Moura disse: “Eu vou deixar bem claro, senhor presidente. Pra quem me citou que eu estou dócil do governo, antes de falar isso, procura saber quem eu sou. Que eu não sou dócil do governo nem da minha mulher. Principalmente desse sujeito que usa essa fala. Então, você meu irmão, deve prestar muita atenção do que anda falando. Se tiver algum problema comigo, (vo) cê chega e fala pra mim. Não fica falando pelos cotovelos não. Tenho dito.”. “Sujeito” e “meu irmão” não é linguagem para ser usada de forma pejorativa por um parlamentar.

O caminho

Renato Pupo, PSDB, calejado no Parlamento, precisa dar umas dicas ao seu companheiro de partido que acabou de chegar na Casa. Antes que ele enfarte. É muito simples. É só traduzir a palavra Parlar do Italiano para o Português que o significado de Parlamento fica mais claro.

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Não fala sozinho

O vereador ameaçado, da esquerda, tem lá centenas de militantes prontos para mobilizar, ou melhor, “realizar uma ação política” a qualquer hora. Gente de sindicato, filiados, agremiação, corporação, etc… Apenas fisiculturismo não vai adiantar. Mexeu com um, mexeu com todos. Fazer política é saber respeitar grupos organizados e interesses de todos os segmentos da sociedade. O Parlamento é um ringue verbal. Tem que ter (ou aprender a ter) nervos de aço. Bruno Moura não é bobo. Tem densidade eleitoral e trabalha bastante. O tempo vai lhe ensinar que as discussões são sobre propostas e ideias. Antes da pandemia, depois da sessão, tudo acabava em pizza. Ou melhor: numa pizzaria. 

Filme antigo

Nos últimos 20 anos dois vereadores foram armados em sessões diferentes para acertar as contas com um terceiro. Por isso, a Mesa Diretora e o Conselho de Ética não podem fazer de conta que o que foi dito não tem importância. Essas coisas não podem ser jogadas para debaixo do tapete para não acontecer uma desgraça, gratuita e sem volta. Um dos vereadores que no passado se armou e foi na sessão, já morreu. O segundo, ainda vivo, mostrou a arma que estava na bolsa ao vereador alvo dentro do banheiro ao lado do Plenário e provocou: “Fala besteira, hoje”. Os armados, um foi e o outro ainda é médico.

Serviço essencial

Bruno Moura apresentou projeto que vai ser aprovado na Câmara e, muito provavelmente, vetado pelo prefeito Edinho Araújo: transformar as academias de ginásticas do município em atividade essencial. Moura tem um trabalho social com base no esporte na chácara do Maquininha, no São Deocleciano.

Lugar mítico

A chácara ganhou esse apelido, incluindo seu proprietário, porque nas campanhas eleitorais eles usavam um caminhão com uma máquina sobre ele para fazer propaganda dos candidatos. Na campanha para a presidência de 1960, Jânio Quadros esteve na chácara. Venceu a eleição. Maquininha foi um dos grandes articuladores políticos de Jânio da cidade. Conta a lenda que muitas eleições municipais foram decididas lá. Rio Preto acabava na guarita da PRF na BR, no final da avenida Nossa Senhora da Paz. A chácara era na Zona Rural. Hoje, depois dela, começa o São Deocleciano e dezenas de outros bairros. 

O oferecido

O vereador Odélio Chaves, PP, dá mostras que é candidato à líder do governo na Câmara Municipal. O prefeito não indicou um líder oficial. Eventualmente os vereadores Jean Charles, MDB, e Paulo Pauléra, PP, fazem as vezes. Na audiência com o secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, Odélio fez uma defesa apaixonada do governo e disse que nenhum lugar do mundo resolveu o problema do transporte coletivo na pandemia. E que, basicamente, o papel do vereador nesse momento é indicar soluções. Acusou João Paulo Rillo de usar a pandemia e o tema para fazer política partidária na Câmara.

O professor

João Paulo Rillo disse que Odélio precisa receber umas aulas para entender qual é o papel do vereador e do Parlamento. Falou, entre outras coisas, que qualquer político só faz política partidária. E perguntou a Odélio se, para ser eleito, ele não precisou entrar num partido e fazer política. E, na Câmara, defender o que pregou quando pediu votos. Na última sessão, ficou claro que João Paulo vai perder todas as votações. Mas vai garrotear a Câmara toda com seus discursos e intervenções. 

Urgência para vacinas

Mas, não é só. Rio Preto vai fazer parte do Consórcio Nacional de Prefeituras para a compra de vacinas contra a Covid. A Câmara precisa autorizar. Odélio começou a recolher assinaturas para que o projeto entre na Ordem do Dia (pauta de votações) em regime de urgência, na próxima sessão de terça, dia 16. Aos poucos o vereador Odélio vai descobrir que quem toca essa banda é o vereador Paulo Pauléra. Por outro lado, é advogado, tem discurso e é o único que vem peitando o vereador João Paulo Rillo. 

Não tem ônibus

Na mesma audiência com Hernandez, o vereador do Psol acusou o secretário de Trânsito de ser réu confesso e ir à Câmara para defender as empresas de ônibus e não da população. Para Rillo, Hernandez é réu confesso ao admitir que não tem poder para fiscalizar as empresas e que apenas 232 ônibus podem rodar. “Me pedem mais ônibus. Mas cadê esses ônibus?”, perguntou o secretário.

Base organizada

A base do governo retomou as rédeas de si mesma. Na sessão do dia 2 de março ela foi “pastoreada” pelo vereador João Paulo Rillo. Na sessão do dia 9 não teve para nenhum vereador da oposição. Muito menos para o JP Rillo. Perderam todas. E assim deve seguir a carruagem, segundo um vereador da base.

E a Lei, Pedro?

E as sessões ordinárias às quintas-feiras? O lockdown tem impedido a conclusão dos trabalhos após as 20h. Uma Lei prevê sessões ordinárias às terças e quintas. Porque o presidente Pedro Roberto, Patriota, não convoca a de quinta e coloca a pauta da Câmara em dia? Ele diz que “ainda não é necessário”.

Jogando com o regimento

Na última sessão, pela segunda vez, um veto com certidão de urgência, do prefeito ao projeto do Plano Diretor, não foi votado. Parece ser do interesse do grupo independente, do qual Pedro Roberto é parte, não discutir e votar o veto. Mas o grupo é minoria. Entre seis ou sete dos dezessete vereadores. Sem convocar a sessão determinada por Lei, Pedro pode ser acusado de usar o lockdown para manipular a Ordem do Dia. No entanto, até agora, ele fez tudo dentro da legalidade, do que permite o regimento interno.

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