Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 2 de julho
O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política
Mexeu
A publicação do promotor Marco Antônio Lelis Moreira em suas redes sociais afirmando que deseja ser candidato a deputado federal em 2022 é o grande fato político na cidade e emite um sinal dentro do MDB. Embora tenha relações com o PSDB, partido em que pode se filiar para a disputa, Lelis é amigo do prefeito Edinho Araújo, do MDB. Considerado reserva moral, Lelis é a primeira liderança de peso e respeitada que poderá surgir na vida política de Rio Preto nos últimos 20 anos. Ele ainda não oficializou a pretensão.
E se ele vier…
O deputado estadual licenciado e secretário de Agricultura, Itamar Borges, MDB, investe na candidatura à federal de Edinho Filho, MDB. Acomodado em cargo na secretaria, e tendo como professor o próprio pai, Edinho Filho “é” o nome do partido. A pouco mais de um ano da eleição, com Lelis na parada, Edinho Araújo vai ter que repensar a estratégia. Itamar Borges é um grande puxador de votos na região. Aposta no lastro político de Edinho Araújo para “puxar” a dobrada dentro de Rio Preto. O promotor ainda não definiu em qual partido vai se filiar.
Tucanar
No PSDB, Lelis é amigo do vereador, delegado e professor, Renato Pupo. No partido, trabalha-se com a candidatura do vereador a deputado estadual. Se Lelis optar pelo PSDB, a dobrada será de centro-direita como, aliás, o partido sempre fez. No DEM, a porta está fechada. O já federal Geninho Zuliani anunciou que muda de mala e cuia (ou título de eleitor) para Rio Preto. No PSB tem outro peso pesado. Valdomiro Lopes não foi candidato a prefeito em 2020 para evitar uma segunda derrota (já perdeu uma disputa para federal) e por fim à sua carreira. Tem mais uma chance.
Problema?
Depois que duas Comissões Especiais de Investigações, CEIs (o mesmo que CPI no Congresso Nacional) foram protocoladas na Câmara, um vereador ficou intrigado com a posição do PSD, dirigido em Rio Preto pelo ex-vice-prefeito e ex-federal, Eleuses Paiva. As CEIs não são o sonho de consumo do prefeito Edinho Araújo. Vão investigar o transporte coletivo (com e sem pandemia) e as empresas terceirizadas. Uma CEI para ser instalada precisa de seis assinaturas. Há meses, tinham apenas 4 e 5. A surpresa é a adesão dos dois vereadores do PSD: Jorge Menezes e Cabo Júlio Donizete.
Da casa
O vereador questiona se há ruído de comunicação entre Edinho Araújo e Eleuses Paiva. O partido do ex-vice comanda uma pasta no primeiro escalão. A ex-vereadora Márcia Caldas, hoje no PSD, é secretária do Trabalho. Outro partido que um de seus representantes, Renato Pupo, assinou as CEIs, é o PSDB. Os tucanos administram a secretaria de Habitação, com Manoel de Jesus Gonçalves. Na teoria, o prefeito perde a maioria nas votações que exigem 2/3 dos votos: 12. A Casa tem 17. Com os 6 das CEIs, sobram 11. Sonho de uma noite de verão. Na hora do vamos ver, ele tem os 12 votos.
Racha
O Patriota também tem uma secretaria. A de Serviços Gerais, ocupada por Ulisses Ramalho, presidente do diretório municipal e vice-presidente estadual da sigla. Desde o primeiro dia os dois vereadores do partido estão em lados opostos. Bruno Marinho, Patriota, vota com o governo. Pedro Roberto, com a oposição e, com ela, foi eleito presidente da Câmara. Ele não foi o candidato do prefeito. Pedro assinou o documento permitindo a abertura da Comissão.
Elso presidirá a CEI
Quem apresenta o pedido de instalação da CEI é, automaticamente, seu presidente. A CEI das Terceirizadas foi apresentada pelo vereador João Paulo Rillo, Psol. Mas ele se licenciou por 30 dias. Nesse período, quem assume é o professor Elso Drigo Filho, primeiro suplente. Segundo o Regimento, o suplente assume todas as funções do titular. Com isso, se ela for instalada nos próximos 30 dias, será presidida pelo vereador Elso. João Paulo reassume ao voltar ao cargo. As CEIs podem durar 120 dias, com a possibilidade de prorrogação pelo mesmo prazo.
É o contrato
A CEI que provoca mais expectativa é a do Transporte Coletivo Urbano. Será presidida pelo vereador Robson Ricci, Republicanos. Ricci briga desde o começo da pandemia para evitar que os ônibus coletivos fiquem superlotados. Assunto controverso, até mesmo quando vídeos foram apresentados ao secretário. Nos últimos 16 meses, Amaury Hernandes, secretário de Trânsito, diz que fez todo o malabarismo possível para evitar superlotação durante a pandemia. Nem sempre foi possível. No entanto, a CEI vai mesmo é se voltar para a renovação do contrato de concessão entre o município, a Circular Santa Luzia e o Expresso Itamarati. Ele termina em novembro.
Concorrência
O bicho está pegando na oposição porque surgiram informações que o prefeito pretende prorrogar o contrato, sem concorrência, até um estudo encomendado à USP São Carlos ficar pronto. Ele vai dar parâmetros para redefinir o transporte público em Rio Preto. O contrato anterior da concessão, assinado por Valdomiro Lopes, tem uma cláusula que autoriza a prorrogação por igual período (10 anos). A oposição quer impedir a prorrogação. Quer licitação. A CEI poderá ser o ringue dessa disputa. O prefeito não fez qualquer anúncio oficial.
Já que foram, vamos
A base de apoio ao prefeito na Câmara sempre se posicionou contra convocações e convites de secretários. Uma Comissão de Investigação, nem pensar. Só podem participar do sorteio para ser membro de uma Comissão quem assina o pedido de instalação. Por isso, após a oposição conseguir as seis assinaturas, quase todos os vereadores da base assinaram. Só assim, eles participam do sorteio dos membros e podem influir nos rumos das investigações.
Fora
Apenas os vereadores Odélio Chaves, PP, Bruno Moura, PSDB, e Karina Caroline, Republicanos, não assinaram a CEI que vai investigar as empresas terceirizadas. Já a CEI do Transporte Coletivo só não recebeu as assinaturas de Odélio Chaves e de Bruno Moura.
De novo
O mundo dá voltas. Em 2018 Jair Bolsonaro se reuniu com o Partido Republicano Progressista, PRP, que tinha sede em Rio Preto, para ser o candidato do partido à presidência da República. Um jornalista participou da reunião. O PRP não acreditava na vitória do Capitão. Quase 4 anos depois, o PRP se funde com Partido Ecológico Nacional (PEN) e formam o Patriota. Novamente, o presidente quer ser candidato à reeleição pelo Patriota. Uma briga entre o presidente nacional destituído do Patriota, Adilson Barroso, (ex-PEN), e Ovasco Resende, (ex-PRP), que assumiu em seu lugar, pode melar a pretensão e afastar Bolsonaro.
Nem tão bem vindo
Parte substancial do Patriota deseja que Bolsonaro fique longe. Um deles, o presidente da Câmara de Rio Preto, Pedro Roberto. Outra parte, representada em Rio Preto pelo presidente local, Ulisses Ramalho, quer Bolsonaro. Mas não querem entregar os cargos de direção e a chave do cofre. Aí quem não quer é o Bolsonaro.
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