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Corrupção
Artigo escrito pela advogada Fernanda Caprio
As pessoas têm o hábito de apontar corruptos quando assistem à televisão. Mas tenho para mim que a corrupção não está fora das pessoas, e sim, dentro.
Não há uma medida para a corrupção. Não importa se a vantagem indevida obtida é grande ou pequena, pois é a atitude de quem pratica o ato que demonstra a falta de valores.
Quem rouba uma caneta, roupa um país, pois ser honesto não tem tamanho. Assim, quem não devolve troco, quem encontra uma carteira e não procura pelo dono, quem faz “gato” de TV a cabo, quem semeia intrigas no trabalho para obter promoções, quem conscientemente leva embora caneta de uma loja, quem aceita suborno, pratica corrupção, pois ato corrupto é tudo o que se faz quando ninguém está olhando.
Alguns povos são mais corruptos, outros menos, conforme a base na qual a nação foi construída. O Brasil foi construído em bases pouco recomendáveis. Sabemos que na época do Brasil-Colônia, Portugal mandou para cá os degredados, e isso imprime em nós um péssimo começo. No entanto, também vieram para cá os trabalhadores, os determinados a mudar de vida, e isso plantou em nós a semente de nossa própria reconstrução.
O processo de depuração que estamos vendo acontecer tem feito as pessoas refletirem. Desta reflexão surge o julgamento. E do julgamento, emergem os valores. Valores como o da transparência e da retidão estão sendo exigidos publicamente. Essa força vai nos obrigar a praticar isso no nosso dia-a-dia, em cada ato, em cada conversa, em cada atitude.
O brasileiro está cansado. A crise econômica e política, apesar de funesta, está provocando um efeito fantástico. Na nossa vida prática, estamos percebendo que por causa da corrupção, temos que trabalhar cada vez mais, e ter cada vez menos. Isso é uma lição aprendida na pele, que torna as pessoas conscientes do péssimo negócio que é ser corrupto.
Cada vez que um brasileiro assiste à televisão e se sente indignado, toma uma dose do remédio que pode curar o “jeitinho brasileiro”. Há pessoas corruptíveis, há pessoas incorruptíveis e há pessoas que se amoldam à situação conforme o binômio necessidade-facilidade.
E aí, tenho o seguinte a ponderar: o que faz de nós seres insaciáveis, que precisam sempre de mais, e mais, e nada é suficiente? A ganância. E o que faz de nós seres gananciosos? A necessidade de provar o que se É, pelo que se TEM. Essa é a marca do nosso tempo, que precisa ser repensada.
Fernanda Caprio é advogada eleitoral, pós-graduada em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral com MBA em Gestão Estratégica de Marketing pela FGV.
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