Esportes
Crianças trocam telas por lutas em busca de mais atividade física
Mais da metade dos estudantes passa mais de 3 horas por dia diante de telas, aponta estudo
Mais da metade dos estudantes avaliados em um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) passava mais de três horas por dia diante de telas. A pesquisa, realizada em 2026 com 6.092 alunos de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, também identificou que, entre os que faziam atividade física na escola, 66% dedicavam apenas uma a duas horas semanais a esses exercícios.
Os resultados descrevem os alunos participantes e não representam todas as crianças e os adolescentes brasileiros. No levantamento nacional mais recente do IBGE, a PeNSE 2024, 30,6% dos estudantes de 13 a 17 anos foram considerados ativos, por atingir ao menos 300 minutos semanais de atividade física. Outros 58,4% eram insuficientemente ativos e 9,7% não praticavam atividade física.
Em Rio Preto, duas famílias contam como incluíram o jiu-jítsu na rotina das filhas. Para o psicólogo Bruno Garibaldi, atividades que despertam o interesse da criança podem ajudar a tornar o movimento parte do dia a dia. “Quando a criança encontra um esporte de que gosta, o movimento pode entrar na rotina de forma mais natural e abrir espaço para momentos de convivência longe das telas.”
A pediatra Lara Karen, da Clínica Boutros e Carvalho, de Rio Preto, também destaca a importância de oferecer alternativas às telas. “Não adianta apenas tirar o celular. A criança precisa ter outras opções de lazer e atividade física, com uma modalidade adequada à idade e que desperte seu interesse.”
Lourdes Corsi Ribeiro Rodrigues diz que sempre buscou uma rotina saudável para a filha, Olivia, de 5 anos. Ela conta que perdeu 30 quilos e que o pai da menina perdeu 40. “Era difícil colocar na rotina a quantidade de atividade física de que ela precisava”, afirma. A família conheceu o jiu-jítsu infantil e passou a levar Olivia às aulas três vezes por semana. Como Lourdes treina na mesma academia, mãe e filha conseguem se exercitar no mesmo horário.
Desde que começou, Olivia ganhou mais domínio corporal e disposição para brincadeiras que exigem força e movimento, conta a mãe. Lourdes também diz que a filha passou a se posicionar melhor nas relações com outras crianças. Para equilibrar o tempo de tela, a família oferece outras opções de lazer, como livros, histórias em áudio e brincadeiras fora de casa. “O celular é uma competição desleal com a realidade. É cheio de cores e estímulos e, se deixar, todos querem ficar o dia inteiro”, diz Lourdes.
A pediatra Bruna Inácio Boaretti procurava uma atividade física para a filha, Emanuela.
“Eu sou pediatra, sempre pratiquei esportes e, neste ano, estava procurando uma atividade física adequada para ela. A Emanuela tem asma, ganhou um pouco de peso e teve sinais de ansiedade. Com quatro meses de jiu-jítsu, melhorou muito a coordenação motora, mudamos a alimentação e ela tem se relacionado melhor com outras crianças. Está muito mais segura”, afirma.
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