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Eleição para presidente da Câmara vira guerra fria entre Edinho e Valdomiro

Influência de cacique do DEM e até nomeação de cargos de primeiro escalão são trunfos para eleger Jean Charles (PMDB) na disputa contra o governista Paulo Pauléra (PP)

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A disputa pelo comando do Legislativo de Rio Preto transformou-se claramente, na última semana, em uma queda de braço entre o atual e o futuro governo municipal. O embate tem como personagens principais a base aliada de Valdomiro Lopes (PSB) de um lado e os parlamentares aliados ao prefeito eleito Edinho Araújo (PMDB) do outro. Por trás disso, Edinho e Valdomiro também articulam nos bastidores para influenciar no resultado final. Faltando duas semanas para a eleição do novo presidente da Câmara de Rio Preto – que será realizada na manhã de 1º de janeiro, logo após a cerimônia de posse –, já é possível afirmar que o vereador Paulo Pauléra (PP) virou o jogo na disputa com o adversário Jean Charles (PMDB), que é o candidato oficial de Edinho.

Diante da situação, os aliados do novo governo recorrem agora ao deputado federal licenciado e secretário Estadual de Habitação, Rodrigo Garcia (DEM), – tanabiense com base eleitoral em Rio Preto – que já articula dentro do partido para virar o jogo a favor de Edinho. Garcia apoiou o deputado estadual Orlando Bolçone (PSB), candidato a prefeito de Valdomiro, durante as eleições de outubro, mas tem boas relações políticas com o prefeito eleito e já tem demonstrado disposição de colaborar com o futuro governo.

Essa sinalização de Garcia revoltou imediatamente Pauléra e deixou ainda mais evidente que o pepista é o candidato de Valdomiro na disputa, apesar de o vereador negar veementemente o interesse no cargo. “Isso (apoio do DEM a Edinho) é imoral! Partido que perde a eleição tem de ficar quietinho, não deve ficar se intrometendo em coligação da qual não participou”, declarou essa semana na Câmara.

Para Edinho, que tem se engajado nas discussões internas, mas evitado dar declarações públicas sobre a eleição na Câmara, é fundamental eleger um presidente aliado para garantir a inclusão de pautas de interesse do governo nas futuras sessões do Legislativo. Ter um aliado como presidente também ajudaria a impedir a criação de CPIs (Comissões de Investigação) contra suas ações, evitando o desgaste político da nova gestão.  “O Jean (Charles) é o meu candidato. Mas essa é uma questão da Câmara que deve ser definida por ela, para que se respeite a independência dos poderes”, disse Edinho à imprensa.

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Guerra-fria

O primeiro episódio público desta “guerra-fria” entre os dois lados ocorreu na última quinta-feira, 17, quando o vice-prefeito eleito, Eleuses Paiva (PSD), anunciou o nome do vereador Jean Charles como “futuro presidente da Câmara” durante cerimônia para nomeação de mais três secretários e dois diretores da gestão que assume a Prefeitura no dia 1º, demonstrando cofiança de que o parlamentar peemedebista terá os votos de pelo menos 9 dos 17 parlamentares, o que garantiria sua eleição.

A reação ocorreu já no dia seguinte, durante a cerimônia de diplomação dos vereadores e do prefeito eleito. Pauléra, que articula a viabilização do próprio nome nos bastidores, reuniu ao seu lado todos os vereadores (eleitos e reeleitos) que estariam atualmente dispostos a votar no pepista.

Sentaram-se em sequência e bem na primeira fila, logo à frete de Edinho: Paulo Pauléra (PP), Gerson Furquim (PP), Celso Peixão (PSB), Jorge Menezes (PTB), Francisco Júnior (DEM), José Carlos Marinho (PSB), Zé da Academia (DEM), Fábio Marcondes (PR) e Anderson Branco (PR).

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Apesar de contar hoje com esse time, Pauléra, que já foi presidente da Casa (2013/2014), está longe de se sentir tranquilo quanto à sua eleição. Um forte início de que a questão está completamente indefinida foi o fato de que o presidente do DEM, o jornalista Roberto Toledo, apresentou a mesma cerimônia indicado pelo grupo do prefeito eleito, Edinho Araújo.

Edinho ainda tem na manga quatro cargos vagos de primeiro escalão que podem ser usados em troca dos votos dos dois vereadores do DEM – o reeleito Francisco Júnior e o debutante Zé da Academia – ou até mesmo para atrair Jorge Menezes (PTB), que foi secretário de Agricultura de Valdomiro, mas apoiou o candidato do PMDB durante as eleições. O prefeito eleito ainda vai nomear o procurador-geral do Município, o secretário de Administração, o superintendente da RiopretoPrev e o diretor da Emurb.

CPIs

Um dos principais motivos do interesse de Edinho e de Valdomiro pela eleição do presidente do Legislativo é a possibilidade de a nova Câmara criar CPIs para investigar qualquer um dos dois. A base de Edinho já conseguiu, no início do mês, derrubar norma interna da Câmara que limitava em dois o número de investigações em andamento na Casa.

A regra havia sido criada na atual Legislatura por meio de projeto do presidente do Legislativo, Fábio Marcondes (PR), justamente para blindar Valdomiro. Enquanto aliados do governo tocavam CPIs sobre temas de menor relevância, investigações propostas pela oposição tinham de esperar na fila.

Assim que o limite foi derrubado, no último dia 6, opositores de Valdomiro que vão compor a base aliada a partir de janeiro já declararam que vão criar CPIs para investigar contratos assinados pelo atual prefeito, como os das obras antienchente e da coleta de lixo do município. “Derrubamos esse limite e vamos querer saber os detalhes desses contratos, principalmente o motivo dos valores tão altos”, avisou o hoje oposicionista Renato Pupo, que é integrante do PSD, partido do vice-prefeito eleito Eleuses Paiva.

Outro motivo da preocupação de Valdomiro em eleger um aliado é a análise das contas relativas ao ano de 2016, que ficará a cargo dos vereadores da próxima legislatura. Caso as contas sejam reprovadas pela Câmara, o atual prefeito, que tem pretensão de disputar vaga como deputado federal em 2018, ficará inelegível, podendo, em último caso, recorrer à Justiça.

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