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Em Rio Preto, Academia Adaptada promove autonomia e sociabilidade de PCDs

Com cerca de 80 usuários ativos, o serviço oferece atendimento diário, especializado para a prática de atividades físicas de pessoas com deficiência, seus familiares e cuidadores

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Marcos Morelli/SMCS
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Uma visita qualquer à Academia Adaptada PCD da Secretaria da Mulher, Pessoas com Deficiência e Igualdade Racial pode revelar uma bela cantoria. Entre um movimento na cadeira flexora e outro de elevação de peso, não é surpresa encontrar os alunos relembrando modas de viola.

O coro pode até ser reforçado pelos educadores físicos Tom, Clayton e Felipe, também músicos. O clima de descontração e alegria faz parte do tratamento, que é físico e engloba o socioemocional.

Com cerca de 80 usuários ativos, o serviço oferece atendimento diário, especializado para a prática de atividades físicas de pessoas com deficiência, seus familiares e cuidadores. O objetivo é melhorar a qualidade de vida, com independência, autonomia e saúde global.

“Atendemos pessoas com sequelas de AVC e de acidente de trânsito, paralisia cerebral, com alterações congênitas, entre outras. Os pacientes são encaminhados, por exemplo, pelo Centro Especializado de Reabilitação – CER da Saúde, cadastrados mediante a apresentação do laudo médico comprobatório da deficiência. A partir de então, recebem atendimento personalizado”, explica a educadora física Olívia Justo, do Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência.

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Clayton orienta Eva, uma das alunas mais antigas da Academia.
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Uma das ‘pacientes-amiga’ é a aposentada Eva Pereira da Silva, habitual nos treinos desde 2013. Vítima de uma tentativa de feminicídio, a jovem senhora inspira por onde passa, tamanha a disposição para a vida. “Sempre muito bem vestida e com sorriso no rosto, ela nos lembra que a vida é um presente a ser cuidado com zelo”, comenta Olívia.

Tão importante quanto devolver a autonomia para os pacientes, permitindo que realizem tarefas cotidianas de alimentação e higiene, é fomentar a sociabilidade e os afetos em benefício da saúde mental e emocional.

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Romance de Wilma e Fernando inspira companheirismo.

Fernando e Wilma levaram o incentivo tão a sério que de colegas da Academia passaram a amigos e de amigos a namorados. A companhia e o sentimento mútuo servem de ânimo quando a disposição para treinar falha.

Os alunos frequentam a academia duas vezes por semana e, quando necessário, contam inclusive com transporte adaptado para locomoção. Um dos diferenciais do serviço é a integração com toda a rede de assistência, que pode ser acionada diante de necessidades específicas.

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Um dos casos emblemáticos de transformação de vida e ganho de autonomia é o da atleta paralímpica Lucidalva Cerqueira. Ela chegou à academia após passar por cirurgia de supressão de membro inferior, buscando adaptação à prótese ortopédica. A evolução demonstrou que Lucidalva poderia se destacar em esportes paralímpicos. Após encaminhamento para Clube Amigos dos Deficientes – CAD e preparação, a ex-aluna da Adaptada faturou três medalhas logo na primeira competição.

Quem faz acontecer: Olívia Justo

As aulas na Academia Adaptada contam com profissionais capacitados, que são escalados por meio de parceria da Secretaria da Mulher, Pessoas com Deficiência e Igualdade Racial com a ARA – Associação de Reintegração Assistencial.

À frente da equipe está a educadora física Olívia Justo, servidora pública na prefeitura há mais de uma década.

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Felipe, Tom, Clayto e Olívia comandam a Academia Adaptada PCD.

“Tenho 59 anos, sou filha do Bento e da Lourdes. Nasci aqui em São José do Rio Preto e cresci na zona leste, Parque Celeste, Vila Diniz. Sempre gostei de esportes e nunca pensei em fazer outra coisa, a minha vida era a educação física… Até que fui convidada para trabalhar na prefeitura, na Secretaria da Mulher, com pessoas com deficiência. Então, descobri o quão importante é a vida e o quão importante é a doação além da profissão. Vejo a atividade física, o trabalho com a academia, não só como algo funcional. Aqui é um centro de encontro. A gente tem afeto, tem trocas. A academia serve para isso também, para ter esse olhar social e humano. Às vezes tem uma pessoa que vem aqui, nas entrelinhas das mensagens que ela manda, percebo que está sofrendo violência doméstica. Daí a gente já fez uma outra busca, aciona outros suportes. Aqui eu não ‘tô’ no pedestal, eu ‘tô’ junto.”

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