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Em Rio Preto, Guarda Municipal faz vigia para evitar crescimento de favela

Assentamento fica ao lado do Complexo Viário Antônio Lopes da Silva, na zona norte de Rio Preto, e conta com nove famílias até o momento

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O novo assentamento que foi erguido no início desta semana, ao lado do Complexo Viário Antônio Lopes da Silva, na zona norte de Rio Preto, é monitorado dia e noite por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM). A vigia é para impedir que novas famílias se mudem para o local. Qualquer veículo com móveis ou materiais para construção está proibido de entrar no assentamento. “Estamos proibidos de aumentar nossos barracos ou trazer qualquer tipo de móveis para cá. Se a lona do meu barraco rasgar, vou ter que me virar por que está proibido até reparos. Temos que ficar aqui da maneira como estamos e sem poder fazer mais nada. Até mesmo doações estão sendo barradas pela Guarda Civil. Um senhor trouxe alguns mantimentos, mas os agentes não autorizaram”, conta a dona de casa Marilene Garcia, 56 anos. No local, até o fechamento desta edição, pelo menos nove famílias estavam morando lá.

A assentada Ana Paula Garcia de Macedo, de 22 anos, filha de Marilene, conta que na última terça-feira (dia 16) agentes proibiram a entrada de uma caminhonete que trazia seus móveis. “Fui despejada da casa onde morava, não tinha para onde ir e acabei vindo para cá. Tentei trazer meus poucos móveis, mas os guardas não autorizaram a caminhonete entrar. Eles diziam que multaria o motorista. Então, para evitar problemas, ele descarregou todas minhas coisas na entrada do assentamento e fizemos um mutirão para trazer tudo para cá. Senão ficaria jogado”, explica.

“Eles nunca deixam o local. Um guarda só vai embora quando outra viatura chega. À noite, eles ficam andando de um lado para o outro. Tem necessidade disso? Será que representamos ameaça? Não seria melhor vigiar o resto da cidade e combater a criminalidade”, desabafa Marilene.

Banheiro comunitário

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Ainda de acordo com a dona de casa, os assentados tiveram dificuldades até para construir um banheiro comunitário. “Eles [Guarda Municipal] não deixavam nem construir um banheiro mais afastado dos barracos, com muita insistência foi autorizado. Fizemos um buraco no chão para nossas necessidades, para tomar banho, quando sobra um pouco de água esperamos escurecer e vamos nos lavar atrás dos barracos. Se é que podemos chamar isso de banho”, conta.

A situação no assentamento é precária, não há água e nem energia elétrica. “Não estamos passando sede porque buscamos água em uma construção próxima daqui. Levamos baldes, garrafas e vamos até este local várias vezes ao dia. Usamos a mesma água para beber, fazer comida e tomar banho”, conta Ana Paula.

A jovem tem uma filha de dois anos que está com diarreia há pelo menos dois dias. “Minha preocupação é com ela. Sei que este lugar não tem condições, mas o que vou fazer? Outra criança do barraco ao lado do meu também está com diarreia. Não sabemos o que está provocando este problema, se é a condição da água ou se é um surto. E não tenho condição alguma de comprar medicamentos”.

As famílias afirmam que desde o início do assentamento nenhuma assistente social ou representante de alguma secretaria esteve no local. “Eles só mandaram a Guarda Civil e ninguém mais” afirma Marilene.

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Outro lado

Questionada sobre o novo assentamento, a Prefeitura de Rio Preto informou, por meio de nota, que “um governo que construiu 10 mil moradias não pode ser chamado de omisso na área da habitação. Trata-se de um movimento político e será tratado politicamente. A Procuradoria Geral do Município vai solicitar a reintegração de posse”, consta na nota. Já sobre a Guarda Civil Municipal, a assessoria disse que “Os agentes da GCM estão 24 horas no local para cumprir sua obrigação de defender o patrimônio público”.

 

 

 

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