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Em um mundo com Trump
Artigo escrito pelo advogado, Rafael Zanini França
Acabo de assistir ao novo documentário sobre mudança climática conduzido pelo Leonardo Di Caprio, Before the Flood – 2016 (imperdível por sinal!), e muito embora tenha reacendido em mim uma série de questionamentos e insatisfações com minha decisões pessoais em face daquilo que acredito como melhor alternativa ao mundo, o trecho que mais me chamou a atenção no documentário foi em seu início, quando Di Caprio diz que ainda “just a boy”, em 2000, se reuniu com o então secretário americano Al Gore e que ele, já naquele momento (lá se vão 16 anos), o advertiu que as medidas contra a mudança climática tinham que ser tomadas imediatamente.
Isso porquê foi inevitável me questionar como o mundo estaria hoje se Al Gore, com sua visão ambientalista de pensar o mundo de forma global e em atenção às futuras gerações, tivesse vencido a corrida eleitoral contra Mr. George W. Bush e seu grupo comprometido com as indústrias bélica e energética americanas.
Passada a corrida eleitoral americana, confesso que me surpreendi com os comentários e argumentos que ouvi nas últimas semanas em defesa da vitória do Trump, ora valorizando o sentimento nacionalista que permeou o eleitorado americano, ora confiando que o sistema de Checks and Balances americano não permitiria à realização de seus devaneios eleitorais e em alguns casos, se conformando que no final o Trump parece ser bom para o Brasil e que se assim o é, tudo ótimo!
Trago isso porque há alguns meses escrevi sobre a decisão do BREXIT (saída britânica da União Europeia) e como ela parecia um claro sinal de que ainda precisamos evoluir como indivíduos para consolidação de uma aldeia global. Ao me deparar com mais uma demonstração coletiva nacionalista que negligencia desafios globais, sinto que a mudança emergencial deve ocorrer no coletivo individual e na conscientização de que estamos muito mais conectados e dependentes do que qualquer líder político possa definir.
O documentário, mais que um convite ao questionamento, é uma narrativa propositiva a ações individuais sobre formas de consumo e, especialmente, acende o argumento sobre como o empreendedorismo consciente pode se sobrepor ao modelo fabril atual. Talvez as ações do novo presidente americano não nos afetem muito diretamente, mas como é inegável que suas omissões irão, sob nossa abundância solar, iniciemos por aqui nosso debate sobre como podemos repensar os caminhos de nossa cidade, e amanhã do Estado, depois do país e quem sabe um dia cheguemos ao mundo (a tempo).
Rafael Zanini França, sócio SOMA Advogados.
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