Cidades
Instituto Alarme deixará de oferecer do 6º ao 9º ano em 2027
Medida atinge cerca de 190 alunos em oito turmas; instituição tem despesas mensais de R$ 490 mil e déficit médio de R$ 70 mil
O Instituto Alarme decidiu não oferecer, a partir de 2027, o Ensino Fundamental II, que corresponde do 6º ao 9º ano. A medida atingirá aproximadamente 190 alunos, distribuídos em oito turmas, e foi tomada pela diretoria diante dos desafios financeiros enfrentados pela instituição, que mantém trabalho social e educacional há 75 anos em São José do Rio Preto.
A decisão foi comunicada na última quinta-feira (17/9) às equipes e às famílias. Segundo a diretoria, o objetivo é adequar a estrutura do Instituto para garantir a continuidade das atividades e do atendimento prestado à população.
A mudança ocorre em um momento de maior pressão sobre os custos de manutenção da instituição. O cenário econômico, o aumento das despesas operacionais e a necessidade de garantir recursos para manter uma estrutura que atende mais de 400 crianças e adolescentes foram considerados pela diretoria na avaliação das alternativas para o futuro do Alarme.
A presidente do Instituto Alarme, Creusa Manzalli, afirma que a decisão foi difícil.
“O Alarme tem uma história construída ao lado das famílias, dos alunos, dos profissionais e da comunidade. Mas também temos a responsabilidade de olhar para o futuro da instituição e tomar as decisões necessárias para que ela continue existindo e atendendo quem precisa. Estamos muito tristes. No entanto, as receitas não acompanharam os custos e precisamos fazer adequações”, afirma.
Segundo Creusa, a decisão não foi tomada de forma isolada ou repentina.
“O Instituto precisa ter condições de honrar seus compromissos e continuar atendendo as crianças. Por isso, chegamos a essa decisão, que sabemos que é difícil, mas que entendemos ser necessária. Dessa forma, o Instituto mantém a oferta do Ensino Fundamental I, que é a etapa de escolarização do 1º ao 5º ano, quando os alunos têm entre 6 e 10 anos, e a estrutura de atendimento integral para elas”, afirma.
Atualmente, o Instituto atende cerca de 430 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo ensino do 1º ao 9º ano, cinco refeições diárias por aluno, atividades esportivas e culturais, acompanhamento psicológico e social e ações voltadas ao desenvolvimento integral. O atendimento ocorre das 7h às 17h.
A estrutura conta com aproximadamente 70 profissionais e despesas mensais de cerca de R$ 490 mil. O valor inclui folha de pagamento, alimentação, água, energia elétrica, internet, manutenção e demais custos operacionais.
O déficit médio mensal é de aproximadamente R$ 70 mil.
O custo médio de atendimento é estimado em R$ 1 mil por criança por mês. Atualmente, cerca de 20% desse valor é coberto pelo Termo de Colaboração com a Prefeitura de Rio Preto, recurso destinado às atividades de contraturno do 1º ao 5º ano.
Os outros 80% são obtidos por meio de recursos próprios, como locação de áreas, eventos, patrocínios, parcerias, adesão à Nota Fiscal Paulista e emendas parlamentares.
Alunos do 6º ao 9º ano continuarão no contraturno
A decisão de deixar de oferecer o Ensino Fundamental II não significa o encerramento das atividades do Instituto Alarme. A proposta é manter os alunos do 6º ao 9º ano vinculados à instituição no contraturno.
O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) oferece atividades sociais, esportivas e culturais, além de acompanhamento psicossocial e preparação para o mundo do trabalho.
No ensino regular, porém, as famílias precisarão matricular os estudantes em outra escola para o próximo ano letivo. O Instituto decidiu comunicar a mudança neste momento porque considera curto o período disponível para que os responsáveis busquem novas vagas.
“Sabemos que o tempo é apertado e que essa mudança gera preocupação. Por isso, nossa prioridade neste momento é dar transparência às famílias e permitir que elas tenham o maior prazo possível para organizar a matrícula dos filhos. A instituição orientará as famílias no processo de transição”, explica Creusa.
Ensino Fundamental I será mantido
A mudança não altera o atendimento aos alunos do 1º ao 5º ano, que continuarão estudando no Colégio Helaine Munia e participando das atividades de contraturno oferecidas pelo Instituto Alarme.
As crianças permanecem em período integral na instituição, dividindo o dia entre as aulas do ensino regular e as atividades complementares.
No contraturno, participam de oficinas que complementam o aprendizado escolar e estimulam o desenvolvimento de habilidades cognitivas, socioemocionais e físicas. A programação inclui jogos de raciocínio lógico e matemático, esporte e movimento, cultura da paz, ecologia, artes visuais, expressão criativa e orientação de estudos.
75 anos de história
Fundado em 1º de setembro de 1951, o então Consórcio Intermunicipal da Alta Araraquarense para Assistência aos Menores surgiu com o objetivo de acolher crianças e adolescentes em situação de risco social, em regime de internato. Inicialmente, os recursos eram mantidos por prefeituras da região de Rio Preto.
Em 1992, a instituição passou a atuar como Associação Lar de Menores – Alarme, ampliando o atendimento para meninas e adotando o regime de semiabrigo.
Em 1999, foi criada a Escola Fundamental Alarme, com ensino, contraturno escolar, oficinas esportivas e culturais e ações de desenvolvimento social.
Em 2015, a instituição se adequou ao novo marco regulatório das organizações sociais e ampliou sua atuação para educação, esporte, cultura, lazer e patrimônio.
Dois anos depois, em 2017, a Associação Lar de Menores passou a se chamar Instituto Alarme, enquanto o Colégio Alarme foi denominado Colégio Helaine Munia. A proposta pedagógica passou a ser voltada ao acolhimento, acompanhamento psicossocial e desenvolvimento integral dos alunos.
Atualmente, a instituição concentra sua atuação no Ensino Fundamental e nas atividades de contraturno.
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