Cidades
Laudo confirma chumbinho em copo de secretária envenenada em Rio Preto
Substância ingerida pela funcionária foi identificada como veneno altamente tóxico
O laudo pericial confirmou que as bolinhas pretas encontradas no copo da secretária de uma clínica de segurança do trabalho, em janeiro deste ano em Rio Preto, eram chumbinho – um veneno proibido e altamente tóxico – comumente usado de forma clandestina como raticida. A análise reforça a suspeita de tentativa de homicídio, e o caso segue sob investigação pela Delegacia de Homicídios da Deic.
“O inquérito segue em trâmite conosco, sob sigilo. Assim, me causa espanto que o laudo tenha sido divulgado”, afirmou o delegado André Amorim, que coordena o caso, ao Gazeta.
A vítima, de 48 anos, passou mal após ingerir água contaminada durante o expediente, na tarde do dia 16 de janeiro. Segundo o boletim de ocorrência, ela chegou para trabalhar como de costume e pegou seu copo térmico, que costuma deixar sobre a mesa. Após enchê-lo com água, se afastou por alguns minutos e, ao retornar, bebeu o líquido.
Imediatamente, notou gosto amargo e partículas estranhas. Ao abrir o copo, encontrou bolinhas pretas e mostrou ao patrão, que é médico. Ele identificou o material como possível veneno e a orientou a guardar o copo para análise. Minutos depois, com a funcionária da limpeza, a vítima encontrou no lixo da cozinha um frasco com substância semelhante.
Cerca de 40 minutos após ingerir a água, a secretária começou a apresentar sintomas como sudorese intensa e mal-estar. Tentou ir até a Upa Norte, mas, diante da piora, parou na UBS do bairro Vetorazzo, onde recebeu os primeiros atendimentos. Em seguida, foi levada por uma ambulância do Samu até a Upa, onde ficou em observação.
O “chumbinho” não possui registro na Anvisa e é ilegalmente comercializado. A confirmação da substância no copo da funcionária aumenta a gravidade do caso, que agora é tratado como uma tentativa deliberada de envenenamento dentro do ambiente de trabalho.
Durante as investigações, a Polícia Civil também tomou conhecimento de que uma médica, envolvida em um processo de separação societária da clínica, havia registrado boletim de ocorrência, também em janeiro, alegando dificuldades com acesso a sistemas e pagamentos. A possível ligação entre os fatos será analisada pelos investigadores.
A Polícia Civil ainda não divulgou os suspeitos do crime.
“Ainda não foi relatado, pois pendem algumas diligências”, afirmou Amorim.
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