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Manifestação no dia do Exército pede intervenção militar e dissolução do Congresso e Supremo

Passeata percorreu o bairro jardim Municipal, onde fica o Tiro de Guerra, e contou com participação de populares e pastores evangélicos

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No último domingo, dia 19, dia em que se comemora o dia do Exército, manifestantes pró Bolsonaro se reuniram em frente ao Tiro de Guerra em Rio Preto para pedir a volta dos militares ao poder, a reedição do Ato Institucional número 5 (AI 5) e o fim da quarentena decretada pelo governador do estado João Dória, PSDB. Eles também gritavam palavras de ordem contra o prefeito Edinho Araújo, MDB, e reivindicaram a liberação total das atividades econômicas na cidade.

Esta foi a quarta manifestação da ala bolsonarista que alcança sucesso em apenas dez dias. As três anteriores, foram carreatas. Na desse domingo, os manifestantes estavam a pé, realizaram um protesto seguido de passeata que percorreu o Jardim Municipal, entre a BR 153 e a avenida Nossa Senhora da Paz. A Polícia Militar não estimou o número de manifestante. A anterior, sábado, dia 18, foi uma carreata, que saiu do Centro Regional de Eventos e reuniu cerca de 200 carros.

O Movimento Ordem e Progresso (MOP) de Rio Preto estava presente. Ele é a semente do partido que o presidente Jair Bolsonaro está criando, chamado Aliança Pelo Brasil (APB). Seus membros, em todo o estado e em Rio Preto se abrigaram no PTC. Vai lançar candidato à prefeito, que será Dalila Cintia Azevedo, e chapa completa para vereadores em outubro.  O investigador Paulo Rocha, do site De olho em Rio Preto, foi uma espécie de regente do evento, convocou a população e, ao lado da ex-candidata à prefeitura de Rio Preto, Osnilda Grassi, pediu uma intervenção militar, com a manutenção do presidente Bolsonaro, e a dissolução do Supremo e do Congresso Nacional.

Ao contrário das carreatas, a manifestação contou com populares. O pedido da volta dos militares e a intervenção do Exército eram o mantra mais entoado. O hino nacional foi entoado várias vezes. A maioria dos manifestantes estava com máscara.

A volta do AI 5

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O AI 5 foi decreto dia 13 e dezembro de 1968. Ele estabeleceu a censura prévia, cassou deputados, prefeitos e governadores, autorizou prisões, acabou com o habeas corpus e mergulhou o pais numa ditadura violenta durante 21 anos. Nesse período, sem que as informações chegassem à maioria da população, houve luta armada entre as forças do regime e os grupos armados de esquerda. Os militantes foram presos, torturados, assassinados e os núcleos dizimados.

O regime só começou a ser desmontado no governo do general João Baptista Figueiredo, ao eleger um presidente civil, por meio do voto indireto. Tancredo Neves morreu antes de assumir. Em seu lugar, tomou posso José Sarney, o vice. Em um acordo com a oposição, o legado de Figueiredo é a decretação da Anistia. Possibilitou que a elite da política brasileira, exilada, voltasse ao país.

A manifestação, inicialmente convocada para comemorar o dia do Exército, se realizou em muitos municípios brasileiros. A hashtag #AI5 chegou aos primeiros lugares de uma das redes sociais. Os manifestantes, em todas as cidades reafirmaram uma intervenção militar, a manutenção do presidente da República, o fechamento do Congresso Nacional e a dissolução do Supremo Tribunal Federal. Manifestações individuais e de lideranças reafirmaram que há “uma conspiração para derrubar Bolsonaro” e entregar o país aos “corruptos”.

Em Brasília, o próprio Bolsonaro participou da manifestação. Foi reprovado por políticos, acadêmicos, intelectuais e ministros do Supremo. 

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Nessa segunda-feira, dia 20, o prefeito Edinho Araújo tem uma reunião com o Comitê de Enfrentamento da Crise para discutir se adere ou não a quarentena estabelecida pelo governo do Estado. Mas após as manifestações de direita que só crescem, o clima começa a ficar delicado no centro do poder. O prefeito aceitou parte das reivindicações dos empreendedores e liberou trezes setores, que abrigam várias atividades comerciais, industriais e de serviços, a voltar ao trabalho desde a semana passada.

Enquanto isso, cresce o número de pessoas que morreram devido a Covid-19. Nesse domingo à tarde foi a óbito a oitava vítima. Outras 67 testaram positivo para a doença.

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