Cidades
Megaoperação contra fraudes em combustíveis mira Rio Preto e região
Ação nacional investiga esquema bilionário ligado ao PCC; só no noroeste paulista, são 16 alvos. Veja fotos!
Uma megaoperação contra organizações criminosas ligadas a fraudes no setor de combustíveis mobilizou, nesta quinta-feira (28/8), cerca de 1,4 mil agentes em oito estados do país. No noroeste paulista, a Operação Carbono Oculto cumpre 16 mandados judiciais: cinco em Rio Preto, seis em Catanduva, três em Ariranha e dois em Marapoama. Os números foram divulgados pela Receita Federal.
A força-tarefa é coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado e Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O objetivo é desarticular uma rede criminosa infiltrada no setor de combustíveis, com participação de integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações apontam para mais de 350 alvos – entre pessoas físicas e jurídicas – suspeitos de crimes como adulteração de combustíveis, fraude fiscal, crimes ambientais, estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.


Metanol desviado e risco à população
Um dos principais eixos do esquema passa pela importação irregular de metanol, produto altamente tóxico e inflamável que chega ao país pelo Porto de Paranaguá (PR). Em vez de seguir para os destinatários legais, o insumo era desviado e transportado de forma clandestina, com notas fiscais fraudulentas e em condições inseguras. O metanol era destinado a postos e distribuidoras, onde era usado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à rede criminosa.
As fraudes atingiram mais de 300 postos em diferentes estados. Entre as irregularidades, consumidores pagavam por volumes menores do que o informado nas bombas (fraude quantitativa) ou recebiam combustíveis adulterados fora das especificações da ANP (fraude qualitativa).
Ameaças e expansão criminosa
As investigações revelaram ainda que donos de postos que venderam seus estabelecimentos não receberam o valor das transações e foram ameaçados de morte ao tentar cobrar. Os recursos obtidos ilegalmente foram lavados por meio de uma rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs controladas pelo crime organizado, dificultando o rastreamento dos beneficiários finais.
O dinheiro também foi usado para aquisição de usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis, ampliando a presença da organização criminosa no setor formal da economia.
Bloqueio bilionário
Além das prisões e apreensões, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) irá bloquear bens e valores para garantir a recuperação de tributos sonegados, cujo montante atualizado chega a R$ 7,67 bilhões.
A Operação Carbono Oculto também tem alvos nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Veja fotos

(Fotos: Divulgação/ Receita Federal).
(Atualizada às 10h04).
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