Cidades
Ministério Público denuncia filho que matou o pai
Embora a Polícia Civil tenha entendido o caso como legítima defesa, promotor do caso quer que o rapaz vá a júri popular
O Ministério Público denunciou um jovem de 20 anos que, no ano passado, matou o próprio pai, de 46, com um golpe de faca durante uma discussão familiar. O crime, chamado patricídio, aconteceu no dia 19 de setembro, no bairro Bom Sucesso, zona norte de Rio Preto.
Segundo informações do processo, o vigilante Wagner Alves se desentendeu com o filho, Jonathan Azevedo Alves, à época com 18 anos, por ter descoberto há poucos dias que o rapaz estava fumando maconha. Testemunhas dizem que a convivência familiar era harmoniosa, mas naquele dia, segundo Jonathan, o pai chegou em casa bêbado, chutou a porta do quarto dele e o perseguiu até a cozinha, onde pegou uma faca.
O jovem disse que o pai tentou atacá-lo, ele se defendeu, tomou a faca e golpeou o pai, sem intenção de matá-lo.
Uma vizinha relatou à Polícia Civil ter ouvido gritos dizendo “pare de me bater” e também “você é meu filho, tem que me respeitar” sem, contudo, identificar quem dizia cada frase.
Atingido na face e no tórax, Wagner sofreu uma perfuração no pulmão e morreu na residência.
Jonathan deixou o local a pé, mas foi encontrado pelos policiais militares na UPA Norte, onde deu entrada com um corte na mão esquerda.
Levado para a Central de Flagrantes, ele disse que só tentou se defender. Diante dos indícios de legítima defesa e ausência de antecedentes criminais, Jonathan foi liberado.
No mesmo sentido, o delegado Alessandro Andreotti, que presidiu o inquérito, concluiu que “houve homicídio ocorrido sob a excludente da antijuridicidade da Legítima Defesa” (trecho do relatório final).
Já o promotor Marcos Antônio Lelis Moreira não ficou convencido da legítima defesa e denunciou Jonathan por homicídio, sem qualificadora, a fim de que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri.
O homicídio simples prevê pena menor que o homicídio qualificado, sendo o primeiro de 6 a 20 anos e, o segundo, de 12 a 30 anos de prisão.
Cabe ainda ao juiz competente decidir se recebe ou não a denúncia.
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