Política
Ministro pode levantar sigilo do vídeo da reunião ministerial; Bolsonaro é acusado de interferir na PF
Três partes envolvidas no processo enviaram suas posições sobre o assunto; mas decisão é de Mello. O prazo para manifestações contra ou à favor da liberação do vídeo terminou às 8h desta sexta-feira, dia 15
A expectativa é que o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, STF, Celso de Mello, levante nesta sexta-feira, dia 15, o sigilo judicial do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Ele foi gravado durante encontro entre Bolsonaro com os ministrados de Estado. Segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o vídeo é a prova material de que o presidente da República queria trocar o superintendente da Polícia Militar do Rio de Janeiro para interferir politicamente no órgão.
Celso de Mello vai decidir após ler os argumentos das três partes envolvidas. A defesa do ex-ministro Sérgio Moro, da Advocacia Geral da União, AGU, e da Procuradoria Geral da República. Ontem os advogados do ex-ministro pediram que todo o vídeo seja tornado público. A AGU quer que apenas as falas do presidente da República venham à toma, enquanto a Procuradoria pede para que sejam divulgados os trechos da conversa em que foram tratados assuntos pertinentes ao processo. Aqueles em que o presidente e outros interlocutores falam da troca de funcionários da área de segurança, o que inclui a PF, no Rio de Janeiro.
O procurador Augusto Aras acredita que a divulgação de todo o vídeo é política e pode ser usada em campanhas eleitorais, como em 2022. A defesa de Moro afirma que sem a divulgação integral não será possível entender o contexto das afirmações de Bolsonaro. Ontem à noite a AGU divulgou trechos das falas de Bolsonaro durante a reunião. Uma tentativa de mostrar que elas não se referem à Polícia Federal. Entretanto, num dos trechos divulgados o presidente cita a PF. Diz que ela não municia o Planalto com informações. A Constituição proíbe.
Os advogados de Moro contestaram a AGU e disse que ela é privilegiada porque tem acesso ao vídeo enquanto a defesa não tem. O vídeo faz parte das provas de um processo que o procurador geral da República, Augusto Aras, pediu para ser instalado após o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. As declarações de Moro, quando anunciou que deixaria o Ministério, acusaram o presidente de interferência ilegal na Polícia Federal. Aras viu que as acusações poderiam ter crimes do presidente e do próprio Sérgio Moro. Muitos juristas, e o próprio Moro, disseram que Aras pretendia, na verdade, impingir crimes ao ex-ministro. Mas, ao que parece, ele complicou a vida do presidente.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, o pedido de Aras foi um tiro no pé. Ele começa a receber críticas ferozes nos bastidores da ala bolsonaristas. Os depoimentos do três ministros militares e da deputada federal Carla Zambeli são contraditórios e acabam desmentindo o presidente quando diz que não estava se referindo, nas suas intervenções durante a reunião, à Polícia Federal. Na semana que vem estão marcados outros 4 depoimentos de delegados da Polícia Federal.
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