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Mulheres ainda são minoria no comando das Polícias Militares no Brasil

Com apenas dois estados liderados por mulheres, cenário nacional ainda revela desigualdade nas cúpulas da segurança pública

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A nomeação de uma mulher para o comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo marca um momento histórico na segurança pública brasileira. A decisão rompe uma barreira de quase 200 anos e reacende o debate sobre a baixa representatividade feminina nos postos mais altos das corporações militares estaduais.

Mesmo com avanços graduais na participação de mulheres nas forças policiais, o topo da hierarquia segue predominantemente masculino. Atualmente, apenas São Paulo e Acre possuem mulheres no comando-geral das respectivas Polícias Militares, número que representa uma parcela mínima entre as 27 unidades federativas do país.

Primeira mulher lidera a PM paulista em quase dois séculos

A coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo em abril de 2026, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo desde a criação da corporação. A nomeação foi oficializada pelo governo de Tarcísio de Freitas e publicada no Diário Oficial.

Ela substitui o coronel José Augusto Coutinho, que estava à frente da PM desde maio de 2025, e passa a comandar a maior força policial do país. Integrante da corporação desde 2005, construiu carreira com atuação em áreas estratégicas e formação voltada à segurança pública e direitos humanos.

A escolha foi apresentada pelo governo estadual como um passo para ampliar a presença feminina em cargos de liderança. Ainda assim, especialistas apontam que a chegada de mulheres ao topo da hierarquia segue sendo exceção, influenciada por fatores como cultura institucional, critérios de antiguidade e decisões políticas.

No cenário nacional, esse quadro se repete, ainda que com iniciativas pontuais. No Acre, a coronel Marta Renata Freitas assumiu o comando da Polícia Militar em dezembro de 2024, tornando-se a primeira mulher a liderar a corporação em mais de um século. Com ingresso na instituição em 2005, ela tem direcionado a gestão para a recomposição do efetivo, incluindo a articulação de um novo concurso público regionalizado para soldados, com foco em diferentes regiões do estado. Também possui formação acadêmica na área de Direitos Humanos, com ênfase em segurança pública.

Apesar desses avanços, a presença feminina no comando das PMs ainda é restrita e desigual entre os estados. Em grande parte do país, mulheres não chegaram ao posto máximo das corporações, mesmo com o crescimento do número de policiais femininas ao longo dos anos.

A mudança em São Paulo ganha relevância por se tratar de um dos principais centros de segurança pública do país, ampliando o debate sobre representatividade e liderança nas instituições.

Trajetória da nova comandante

A coronel Glauce Anselmo Cavalli ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2005 e acumulou experiência em diferentes áreas da corporação. É formada em Direito e Educação Física e possui mestrado e doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública.

Antes de assumir o comando-geral, ocupava a Diretoria de Logística. Também comandou o CPA/M-2 e atuou em setores como a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e o Centro de Comunicação Social da PM.

Com passagem por funções administrativas e operacionais, chega ao posto máximo da corporação após duas décadas de atuação na instituição.

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