Cidades
Pesquisa da Acirp mostra queda de milhares de empregos e negócios em Rio Preto
Levantamento mostra que apenas em abril deste ano Rio Preto perdeu 3.311 empregos
Pesquisa encomendada pela Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto, Acirp, ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged, mostra que apenas em abril deste ano Rio Preto perdeu 3.311 empregos. Nos primeiros três meses do ano (janeiro, fevereiro e março) foram demitidos 2.055 trabalhadores. Em janeiro Rio Preto acumulava um total de 136.940 empregos e chegamos ao final de março, 136.940 – menos 2.920. Ou seja, apenas em abril perdemos mais empregos do que nos três primeiros meses do ano.
A Associação concorda que “a curva negativa explicitada pelo instituto nos primeiros quatro meses do ano seja consistente com os comportamentos nacional e estadual, a perda relativa de postos de trabalho no município foi mais expressiva do que nos outros dois universos” se considerarmos apenas o mês de abril”. São menos 3.311 postos. É o “resultado de 5.366 desligamentos contra somente 2.055 admissões”. O estudo, para a entidade, é pessimista: “os dados de maio e junho projetam resultados ainda piores”.
Segundo a Associação, foram 69 dias ininterruptos de queda abrupta na economia com o fechamento do comércio geral e a manutenção do funcionamento apenas dos serviços essenciais. Ela afirma que “a redução na atividade comercial traz reflexo direto no desaquecimento da economia local durante os últimos três meses”. E que o aspecto mais perverso da situação “atinge a empregabilidade no município, milhares de famílias, sendo grande parte delas de baixa renda”.
Kelvin Kaiser, presidente da Acirp, afirma que “se não houver nenhum tipo de flexibilização do horário, passando as atuais 4 horas para 6 horas, e ampliação de atendimento no mínimo 40% da capacidade, vai ser bem difícil segurar as demissões”. “O empresário faz todas as avaliações de custo, utiliza todas as medidas provisórias que foram feitas pelo governo Estadual e Federal, mas chega num ponto onde não existe outra saída e ele precisa rever seu quadro de funcionários”, garante.
Ele alerta para o efeito cascata. “Este empresário precisa priorizar alguns itens e começar a renegociar os pagamentos de fornecedores, impostos, benefícios, até o momento em que chega na folha de pagamento e começa a ter de reajustar seu quadro de colaboradores”. E lembra que vem alertando o estado de São Paulo de que a não autonomia do prefeito para a flexibilização do comércio traria resultados bem complexos no final do mês de maio, em virtude do empresariado já ter, durante praticamente 70 dias, feito tudo o que podia fazer para manter seu negócio.
“O trabalho não é o vilão”
O presidente afirma que a contaminação do coronavírus não está no trabalho, mas na falta de informação. E informa que a maioria das empresas segue à rica as determinações da Secretaria de Saúde. Elas determinam a utilização de máscaras, uso de álcool em gel, distanciamento de 1,5m, preocupação para não aglomeração de consumidores, dentre outros cuidados.
Para Kaiser as demissões devem aumentar. “A preocupação das 4 horas de trabalho também é um agravante por conta da adequação do quadro de funcionários pela CLT”, explica. “Muitos empresários ainda não conseguiram reabrir seus estabelecimentos em virtude do novo decreto. Como é que este empresário vai sobreviver com seu faturamento drasticamente reduzido, como é que vai pagar seu funcionário abrindo apenas por 4 horas e com 20% da sua capacidade apenas?”, pergunta.
“A flexibilização do horário precisa acontecer em caráter de urgência para preservar empregos e garantir um cenário mais otimista para a classe empresarial”. “Todos os segmentos estão sofrendo para sobreviver”.
De acordo com o Sindhoteleiros – Sindicato dos Empregos em Bares, Hotéis, Restaurantes e Similares em São José do Rio Preto, as demissões informadas de 01 de abril a 31 de maio chegam a 900. Foram 225 empresas que desligaram cerca de 4 funcionários cada uma no período apurado.
A pesquisa contempla ainda os números nacional e estaduais. Em janeiro, eram 30,80 milhões de empregos formais. Em abril, 30,04, 1,96% menor. Os números estaduais também pioram. No mesmo período passaram de 12,08 milhões para 11,85 milhões. Em abril a redução foi de 1,88%. Em Rio Preto a queda foi ainda maior: 2,13%. É bom salientar que esses números não levam em considerações os funcionários suspensos que ao final de 60 dias deveriam voltar a trabalhar.
O presidente da Câmara de Mediação e Arbitragem da Acirp, Eder Fasanelli, entende que o quadro de demissões deve piorar após o período de estabilidade de funcionários, que começa agora. “A Medida Provisória 936 tinha autorizado os empregadores a fazerem redução de jornada e do salário por até 90 dias, e também tinha permitido suspensão por até 60 dias”. Ou seja, “qualquer dessas opções que fosse adotada, o empregado teria depois estabilidade após o retorno pelo prazo combinado de suspensão ou de redução”, explica
Aumenta a inadimplência
Dados inéditos da Estatística Geral de Devedores e Dívidas – Pessoa Física, da Boa Vista/SCPC da Acirp, mostram aumento do número de devedores e de dívidas no período de 31 de março a 3 de junho. O banco passou de 50.680 devedores para 53.275 e o valor total das dívidas passou de R$ 72.912.902,38 para R$ 76.928.590,84. Mas os números podem ser maiores porque o registro dos débitos agora só são incluídos no cadastro após 45 das da data do envio da comunicação ao devedor.
Os negócios desaparecem
Um dos efeitos da falta de flexibilização, segundo a Acirp, é a queda nos novos negócios dentro da cidade. Dados da Prefeitura mostra que entre janeiro e abril deste ano um desempenho 10,97% inferior ao do mesmo período do ano passado no número de abertura de empresas. Passou de 2,86 mil para 2,55 mil registros.
No espaço entre 24 de março e 14 de maio, primeiros 50 dias do período de quarentena, o volume de aberturas foi menos da metade (45,51%) do verificado no mesmo período de 2019 (563 e 1.237 registros, respectivamente). Entre janeiro e abril deste ano foram encerradas 770 empresas no município, volume menor do que o registrado no primeiro quadrimestre de 2019 (978). O volume de fechamentos nos primeiros 50 dias de quarentena representa 66,15% do verificado no mesmo período de 2019 (215 e 325, respectivamente).
A Acirp é pró-trabalho, diz Kelvin Kaiser. “Nossa entidade está na linha de frente trabalhando pela classe empresarial e pelo emprego. Entramos com ação para abertura de salões de beleza e barbearias, estamos trabalhando para que Rio Preto possa ter seu horário flexibilizado, até mesmo para evitar aglomerações, e para que os empresários possam trabalhar com maior capacidade de atendimento. Do jeito que está, as empresas não se manterão e o estrago será ainda maior”, estima o empresário.
Depois do rigoroso estudo, a Acirp informa que está acompanhando, diariamente, os indicadores da saúde, estabelecidos pelo Governo do Estado, para que Rio Preto cumpra o seu papel e para que a estrutura hospitalar do município consiga atender toda a população. “Importante também que o prefeito Edinho Araújo trabalhe junto dos prefeitos da região, para que sejam montados hospitais de campanha nas cidades do entorno que não têm uma quantidade considerável de leitos” e “para que Rio Preto possa seguir com a sua flexibilização e não fique refém de outros municípios que não se prepararam adequadamente para o enfrentamento do Covid”
Kaiser afirma que “cada prefeitura tem a sua responsabilidade e precisa se adequar urgentemente para que o comércio possa flexibilizar na região administrativa de Rio Preto”. O presidente da Acirp acompanhou o primeiro dia de abertura do comércio, na última segunda-feira. “Estive presente acompanhando o movimento e, claro, identifiquei erros, mas foram erros nos processos de adaptação de abertura que os lojistas poderão se adequar e corrigir ao longo dos dias de funcionamento das empresas”, explica.
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