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Rio Preto ganha mais um assentamento na zona norte

Nesta segunda-feira (dia 15), pelo menos nove famílias construíram barracos em uma área próxima ao complexo de viadutos

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Em um espaço de terra dura e vermelha, próximo ao complexo Viário Antônio Lopes da Silva, começa a surgir os barracos de um novo assentamento em Rio Preto. Na manhã desta segunda-feira (dia 15), pelo menos nove famílias estavam no local e a previsão é de que outras cheguem até o final do dia. Como na Favela Santa Catarina, a ocupação veio pela necessidade diante da crise. A dona de casa Maria Lucia Garcia, 42 anos, ajudava os filhos a construir a nova moradia e conta por que deixou a casa onde morava no bairro Dom Lafaiete. “Morávamos de aluguel e não estou conseguindo emprego. Meu filho mais velho trabalha como servente de pedreiro e quase não está surgindo trabalho. Quando ele consegue alguma coisa é um ou dois dias. Pelo dia de trabalho estão pegando entre R$ 80 a R$ 100. Com esse pouco dinheiro, tínhamos que escolher, ou pagávamos as contas ou comprávamos comida. Como estamos com aluguel vencido há dois meses, a inquilina pediu para deixar o imóvel e sem lugar para ir viemos para cá” conta.

Situação idêntica vivida pela dona de casa Ana Paula Garcia de Macedo, 22 anos. “Tivemos que deixar nossa casa. Viemos para cá ontem à tarde (domingo). Eu e meu marido estamos sem trabalho, e temos uma criança de dois anos. Não sabíamos para onde ir e o que fazer, então resolvemos pegar nossas poucas coisas e vamos tentar levantar nosso barraco. Trouxemos apenas um colchão de casal e cobertores” explica.

A dona de casa ainda conta as dificuldades passada pela família na primeira noite. “Nosso barraco era apenas um cercado com sacos de lixo. A noite ventou muito e fizemos tudo o que foi possível para nos manter aquecidos. Mas hoje vamos fazer alguns reparos e tentar conseguir uma lona, para não sentirmos tanto frio”. 

Entre as noves famílias estão aproximadamente 10 crianças, com menos de oito anos, que mesmo diante da triste situação, inocentemente brincavam e corriam ontem pelo local. Diferente dos pais, que angustiados afirmavam que sentiam pela situação e ainda mais pelo bem-estar dos filhos, como o desempregado Marciano Oliveira dos Santos, pai de três crianças de 3, 4 e 5 anos.

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“Vir para cá foi a única alternativa que eu tive. Imagina o aperto que dá no coração da gente quando pensamos na situação de nossos filhos. Antes tínhamos um teto, agora não. Toda a situação complicou e estamos construindo um barraco para acomodar nossas crianças. Aqui não tem energia elétrica, não tem água muito menos rede de esgoto. O que temos aqui é apenas um espaço cercado por lona com um colchão no chão e nada mais” explica.

Era quase por volta do meio-dia quando a reportagem da Gazeta de Rio Preto esteve no local e não havia sinal algum de preparação de alimentos nos nove barracos. “Fizemos uma vaquinha e compramos pão. É o nosso almoço de hoje e ainda não sabemos como será o resto dia. Conseguimos água potável em uma escola aqui próxima. É tudo o que temos por enquanto, algumas garrafas de água e alguns pães” afirma Maria Lucia.

Agentes da Guarda Civil Municipal acompanhavam a construção dos novos barracos a distância. Em determinado momento um dos agentes chegou a fazer alguns registros pelo celular, mas sem contato com os assentados. “Até o momento ninguém da prefeitura ou de alguma secretaria nos procurou. Desde ontem a tarde e até o momento apenas vimos os agentes da guarda civil e nada mais” conta Marciano.

“Se eles vierem aqui com a polícia, guarda civil e derrubar todos nossos barracos, ainda vou continuar aqui, sem casa e sem barraco. Não tenho para onde ir com minha família. Deixamos a casa de aluguel para vir aqui. Restará tentar procurar abrigo debaixo de alguma ponte, com uma criança de dois anos no colo” lamenta Ana Paula.

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Questionado sobre o novo assentamento a Prefeitura de Rio Preto respondeu em nota que um governo que construiu 10 mil moradias não pode ser chamado de omisso na área da habitação. Trata-se de um movimento político e será tratado politicamente. A Procuradoria Geral do Município vai solicitar a reintegração de posse.

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