Política
Secretário de Trânsito pode ir à Câmara explicar nomeações na Jari
Convite será votado hoje; pessoas com ligação política formam órgão que analisa recursos contra multas
A pedido do vereador Marco Rillo (PT) a Câmara de Rio Preto vota nesta terça-feira,14, requerimento de convite ao secretário de Trânsito e Segurança, Amaury Hernandes, para discutir critérios nas indicações para integrantes da Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações), órgão que analisa recursos de motoristas contra multas de trânsito.
Ao todos são três juntas que formam a Jari na cidade. O órgão é o responsável por analisar contestações de motoristas que entram com recursos para invalidar multas aplicadas ou apontar erros na emissão dos autos de infração.
A nomeação dos integrantes é de responsabilidade do prefeito Edinho Araújo (MDB), por meio de decreto. Entre os nomeados, está Sérgio Pursino. Ele é tesoureiro do PR, partido comandado na cidade pelo vereador Fábio Marcondes, que recentemente fechou acordo com o governo para apoiar Edinho na Câmara em troca da indicação de aliados, justamente na secretaria de Trânsito.
Outro integrante é Jair Igor Gonçalves. Ele é assessor do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), e até a última terça-feira atuava como chefe de gabinete do vice-prefeito, embora Eleuses tenha se afastado cargo para disputar as eleições deste ano. Ele é pré-candidato a deputado federal. Igor pediu demissão do cargo após revelação de que compõe a Jari.
Também integra a Jari o subprefeito de Talhado, Paulo Nimer Filho, presidente municipal do partido do prefeito, o MDB. De acordo com dados do Portal da Transparência, Nimer recebeu R$ 35,6 mil para participar da Jari neste ano. Como subprefeito de Talhado, Nímer tem ganho mensal de mais de R$ 6 mil reais.
Também compõe a junta, o secretário de Saúde, o médico Aldenis Borim, que recebeu mais de R$ 12 mil este ano. Seu salário como secretário atinge quase R$ 13 mil reais.
O que chama atenção na denúncia recebida pelo Ministério Público é que todos estes nomes têm ligações políticas. Entendimento do MP e do próprio Contram (Conselho Nacional de Trânsito) é que para fazer parte da junta seria necessário ter conhecimentos técnicos específicos sobre a legislação de trânsito – o que não seria o caso de Borim, Nimer e Pursino.
Cada reunião dos membros para analisar os recursos gera um ganho extra de até R$ 500 reais. Podem ocorrer até nove encontros por mês, ou seja, R$ 4,5 mil reais para cada um.
O Ministério Público de Rio Preto deu prazo de 30 dias para que a Prefeitura preste esclarecimentos sobre as nomeações na Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infração), vinculada a secretaria de Trânsito. O pedido partiu do promotor Cláudio Santos de Moraes que aguarda as informações para determinar abertura ou não de inquérito.
O requerimento de convite que será votado hoje pelos vereadores é a forma encontrada pelo vereador Marco Rillo (PT) para que o secretário de Trânsito explique “os critérios técnicos e o motivo de cada escolha, dos membros das Jaris, pois a população tem o direito de saber a forma que são nomeados os agentes responsáveis pela análise dos recursos de trânsito oferecidos por munícipes, quando são pertinentes”.
‘Não há imoralidade’
Em entrevista a Gazeta no fim do mês passado o prefeito Edinho Araújo (MDB) disse não haver imoralidade nas nomeações de pessoas políticas em cargos que são exigidos conhecimentos técnicos em trânsito, Edinho negou. “Não há imoralidade. O critério é sempre a seriedade, competência e honestidade”, afirmou.
Sobre a possibilidade de alterações na composição da Jari, Edinho diz que os nomes serão mantidos. “A Jari tem mandato. Uma vez cumprido o mandato e tendo em vista a avaliação do secretário de Trânsito, eu analiso a conveniência de qualquer alteração”.
-
Política2 diasEstado diz que Rio Preto recusou verba para acolhimento de idosos
-
Cidades1 diaMotociclista morre em colisão entre carro e scooter no Jardim Nazareth
-
Cidades1 diaSuspeito de mais de 20 furtos de motos é preso pela Polícia Civil em Rio Preto
-
Cidades2 diasInvestigação sobre abuso infantil avança com novos mandados em Rio Preto
