Política
Secretário de Trânsito vai à Câmara explicar nomeações na Jari
Em pauta os critérios para nomear cargos no órgão de recursos de multas
O secretário de Trânsito de Rio Preto, Amaury Hernandes, é aguardado na Câmara Municipal, quarta-feira, 22, para prestar esclarecimentos sobre os critérios adotados pela pasta para nomear as três juntas que compõem a Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações), órgão que analisa recursos de motoristas contra multas de trânsito. Requerimento de convite ao secretário foi apresentado pelo vereador Marco Rillo (PT) e aprovado na sessão da última terça-feira.
No fim do mês passado revelações mostraram que pessoas ligadas ao prefeito Edinho Araújo (MDB) e partidos políticos foram nomeados para julgar os recursos impetrados por motoristas.
A nomeação dos integrantes é de responsabilidade do prefeito Edinho Araújo (MDB), por meio de decreto. O prefeito já disse a Gazeta não haver imoralidade nas nomeações. Entre os nomeados, está Sérgio Pursino. Ele é tesoureiro do PR, partido comandado na cidade pelo vereador Fábio Marcondes, que recentemente fechou acordo com o governo para apoiar Edinho na Câmara em troca da indicação de aliados, justamente na secretaria de Trânsito.
Outro integrante é Jair Igor Gonçalves. Ele é assessor do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), e até o início do mês passado atuava como chefe de gabinete do vice-prefeito, embora Eleuses tenha se afastado cargo para disputar as eleições deste ano. Ele é candidato a deputado federal. Igor pediu demissão do cargo após revelação de que compõe a Jari.
Também integra a Jari o subprefeito de Talhado, Paulo Nimer Filho, presidente municipal do partido do prefeito, o MDB. De acordo com dados do Portal da Transparência, Nimer recebeu R$ 35,6 mil para participar da Jari neste ano. Como subprefeito de Talhado, Nímer tem ganho mensal de mais de R$ 6 mil reais.
Também compõe a junta, o secretário de Saúde, o médico Aldenis Borim, que recebeu mais de R$ 12 mil este ano. Seu salário como secretário atinge quase R$ 13 mil reais.
O que chama atenção na denúncia recebida pelo Ministério Público é que todos estes nomes têm ligações políticas. Entendimento do MP e do próprio Contram (Conselho Nacional de Trânsito) é que para fazer parte da junta seria necessário ter conhecimentos técnicos específicos sobre a legislação de trânsito – o que não seria o caso de Borim, Nimer e Pursino.
Cada reunião dos membros para analisar os recursos gera um ganho extra de até R$ 500 reais. Podem ocorrer até nove encontros por mês, ou seja, R$ 4,5 mil reais para cada um.
O Ministério Público de Rio Preto deu prazo de 30 dias para que a Prefeitura preste esclarecimentos sobre as nomeações na Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infração), vinculada a secretaria de Trânsito. O pedido partiu do promotor Cláudio Santos de Moraes que aguarda as informações para determinar abertura ou não de inquérito.
Para Marco Rillo (PT), será a oportunidade de o secretário esclarecer uma vez por todas como funciona a escolha dos nomes para a Jari. “Queremos saber os critérios. Mesmo que não haja ilegalidade a população quer saber a qualificação que é levada em conta para colocar determinada pessoa para julgar os recursos dos motoristas”, diz Rillo.
O encontro acontece a partir das 14 horas, no auditório da Câmara Municipal.
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