Política
Secretário nega superlotação no transporte coletivo e diz que o problema é pontual
Amaury Hernandes, secretário de Trânsito, foi convidado e aceitou discutir a lotação dos ônibus do transporte coletivo de Rio Preto
O secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, disse em audiência pública na Câmara Municipal de Rio Preto que “não existe uma solução mágica” para resolver a lotação nos ônibus de transporte coletivo durante a pandemia de Covid 19.
Amaury negou que a superlotação aconteça a toda hora. “São problemas pontuais”. Ele explicou que a frota de ônibus em Rio Preto é composta por 232 veículos. Todos estão em operação. “Não existem outros e não tem onde comprar”.
O convite foi feito pela Frente Parlamentar de Combate à Covid-19 da Câmara de Rio Preto. O objetivo foi falar sobre as denúncias de superlotação que os vereadores recebem da população e consequentemente, o perigo de contaminação pela Covid.
Antes da pandemia os mesmos 232 ônibus transportavam 103 mil pessoas por dia e hoje são apenas 56 mil. Portanto, durante a pandemia, a frota dobrou. Ainda assim, ele admite que algumas linhas podem apresentar problema.
Hernandes disse que o contrato autoriza as empresas a acomodarem entre 70 e 90 pessoas, dependendo do tamanho do ônibus, segundo regras da Associação Nacional de Normas Técnicas, ABNT. É impossível mudar o contrato. Ele termina em novembro.
Após pressão dos vereadores, as empresas receberam orientação de levar apenas os passageiros sentados e mais dez em pé, de acordo com marcação interna nos veículos. Quando estão com esse número de passageiros, eles não podem mais parar nos pontos. Um ônibus extra é enviado.
Para levar apenas passageiros sentados a tarifa iria para algo em torno de R$ 8, disse. Uma Fundação da USP São Carlos foi contratada ao preço de R$ 260 mil para fazer um estudo e refazer o modelo de transporte coletivo em Rio Preto. Serão R$ 40 mil ao mês.
A reunião chegou a ficar tensa durante uma intervenção do presidente Pedro Roberto. Hernandes reafirmou que atende aos vereadores com ou sem convocação e que vai à Câmara toda vez que é chamado.
Pedro Roberto retrucou e disse que, com ou sem convocação, ele é funcionário público, Secretário Municipal, e deve satisfação à população. “Um absurdo dizer que a responsabilidade não é do senhor”.
“A administração do transporte público numa pandemia, imprevista, é diária e pode acontecer uma falha”, disse.
Todos os passageiros passam por catracas eletrônicas e ele disse ter os números de cada ônibus que fazem as linhas urbanas. Reafirmou que superlotação não é a regra.
O vereador Robson Ricci, Republicanos, sugeriu aumentar a frota em 30%. O secretário respondeu que as fábricas não conseguem entregar: “Se todas as cidades do país pedirem isso as fábricas vão levar 10 anos para entregar os ônibus”.
Aparentemente, após ouvir o secretário, percebe-se que o problema não é de fácil solução. Para entender melhor, os vereadores convidaram o secretário a ir ao terminal e mostrar como funciona o sistema de controle. Ele aceitou. Ainda não foi marcada uma data para a visita.
Ao finalizar a sua exposição, Hernandes lembrou que um estudo da USP mostra que a transmissão do vírus no transporte público é menor do que em uma casa com cinco moradores. Os vereadores presentes dizem que é impossível saber onde alguém foi infectado.
Pedro e os vídeos
Pedro Roberto mostrou um vídeo feito no Terminal que, a princípio, mostra em torno de 10 linhas de ônibus superlotados chegando e saindo do Terminal. Entretanto, o vídeo é amador, o câmera-man raras vezes entrou nos ônibus. Não foi conclusivo.
Outro item que causou tensão foi o da fiscalização. O secretário disse que ele não é responsável pela administração do Terminal. Essa é uma atribuição da Empresa Municipal de Urbanização, Emurb. Ela mantém apenas um fiscal para observar a quantidade de passageiros em todos os ônibus.
Ao dizer que não é responsável pela administração do terminal, houve surpresa. “A secretaria administra o transporte coletivo”. Não o Terminal, disse.
Ele também vai conversar com a direção da Emurb para que ela aumente o número de fiscais para observar, liberar ou impedir a saída dos ônibus que não cumprem a regra.
As duas empresas, a Circular Santa Luzia e a Itamarati dizem que não oferecem álcool em gel porque é muito caro. O secretário sugeriu que cada passageiro tenha o seu frasco individual, levado de casa.
As empresas estariam com problemas econômicos por causa da pandemia e em algumas cidades elas estão quebrando. Renato Pupo disse que essa não é uma condição apenas das empresas de transporte, mas de todo o comércio.
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